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ENTREVISTA-Sobre viver a experiência do café especial sem sair de casa

SÃO PAULO (Reuters) - Leonardo Montesanto, filho de Ricardo Tavares, da Montesanto Tavares, um dos maiores grupos produtores e exportadores de café do Brasil, deixou há pouco mais de quatro meses o comando da unidade de fazendas da holding com um propósito: trazer para o brasileiro, e mais adiante para o mundo, a vivência do café especial e a experiência de degustar em casa.

Trabalhador em unidade beneficiadora de café. REUTERS/Nacho Doce

O movimento vem ganhando força à medida que alguns cafeicultores no maior produtor global verticalizam a atividade e ofertam diretamente seus grãos aos consumidores.

Em 6 de outubro --data que marca a entrada da família Montesanto no negócio de café, há quase 70 anos--, o empresário e seus dois sócios lançam o empreendimento Coffee++, uma loja online para cafés com mais de 84 pontos (especiais têm no mínimo 80), e que também vai oferecer informações sobre o cultivo, os processos de produção e como preparar e degustar a melhor bebida, além de mostrar os produtores envolvidos.

“Sabemos que um café especial tem que ser produzindo por pessoas especiais, não adianta ter café e o produtor não ser bacana... E vamos contar as histórias por trás do café, a gente quer falar bem do Brasil por meio dos brasileiros que dão orgulho, e como consequência tem café”, disse Montesanto à Reuters.

Com a experiência de quem já trabalhou com os melhores cafés do Brasil, como foi o caso da fazenda Primavera, do grupo de seu pai, o empresário afirmou que a proposta da Coffee++ também é de levar as pessoas a se identificarem com histórias veiculadas no website, tomando mais gosto pelo produto.

A loja virtual, que será aberta com conteúdo de quase duas horas de vídeos educativos, será promovida nas redes sociais por “influencers” que, para falar sobre o assunto, fizeram uma imersão nos cafezais.

“Antes de falar da parte comercial, impus uma condição para todos eles: para falar do café tem que viver o meu mundo... levei 25 influenciadores digitais para eles poderem entender este negócio, todos colheram, secaram, viveram o café, dois dias inteiros no mundo dos cafés especiais.”

Essa paixão familiar pela bebida, que remete ao avô Aprígio Tavares Jr. --antigo dono da 3corações--, que começou comprando grãos de produtores no interior e vendendo para torrefações em Belo Horizonte, explica os novos passos do empresário.

Após acumular experiência trabalhando no grupo do pai --controlador de um conglomerado com receita de 2,5 bilhões de reais e exportações de 2,4 milhões de sacas de 60 kg em 2020, incluindo produtos superfinos e especiais, Montesanto decidiu que gostaria montar um negócio em que pudesse também ensinar tudo o que aprendeu no dia a dia das fazendas e nas feiras.

PLANO INTERNACIONAL

Segundo Montesanto, inicialmente o e-commerce estará disponível para o Brasil, com as entregas em Belo Horizonte e São Paulo devendo chegar em cinco dias úteis. Posteriormente, quando o negócio ganhar ritmo, o Coffee++ poderá ser acessado por consumidores dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

“Fizemos um negócio para ser replicável no exterior...”, acrescentou ele, que revelou ter já investido 5 milhões de reais na elaboração do website e em infraestrutura.

Para os próximos 15 meses, a expectativa é faturar 15 milhões de reais, enquanto um investimento adicional de 50 milhões de reais é projetado nos próximos cinco anos. O aporte será em uma unidade para empacotar café, entre outros.

“Envolve toda a indústria, o terreno a construção, hoje a gente delega o envase, mas não a torra. A torra para nós é indelegável”, disse ele, em referência ao importante processo.

Ele explicou que para lançar um produto de qualidade chega a gastar 10 mil reais na “procurada da torra perfeita, porque da mesma maneira que torrando demais, escondo defeitos, também escondo atributos”.

Apesar de prometer vender cafés que ele compara com “joias raríssimas” do Brasil, Montesanto também disse que terá preços competitivos. “Uma matéria-prima equivalente à minha, o café de entrada, o clássico, esse café não se compra por menos de 110 reais o quilo, e na Coffee++ você vai poder encontrar a 75”, afirmou, explicando que as embalagens serão de 250 gramas.

“Queremos que o consumidor compre todo mês e abra um pacote por semana”, disse ele, acrescentando que o produto clássico, sem considerar o frete de 8 reais, vai custar 18 reais (250 g), o “fazendas”, 20 reais; o microterroir, 34 reais; e o geisha, uma das variedades mais famosas do mundo, sairá por 57 reais.

Entre os produtores que vão fornecer por ora à Coffee++ estão o pai de Tavares, que desde de 2018 detém o recorde de café mais caro já vendido no Brasil (19 mil dólares a saca), com premiado produto da Chapada de Minas.

Luiz Paulo Dias Pereira Filho, que cultiva na Mantiqueira de Minas e detém recorde mundial de café com pontuação mais alta conquistada no “Cup of Excellence” (com 95.85 pontos em 2005), também será outro fornecedor. Outro produtor é Gabriel Nunes, do Cerrado Mineiro, que foi campeão nacional em 2017.

Por Roberto Samora

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