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Chuvas favorecem o plantio de soja em algumas áreas do Brasil; Paraná ainda aguarda

SÃO PAULO (Reuters) - As chuvas retornaram em partes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, São Paulo e Minas Gerais no final de semana e muitas dessas regiões seguirão recebendo precipitações até terça-feira, propiciando o início do plantio de soja em lavouras não irrigadas, de acordo com informações da meteorologia.

Nuvens carregadas em área de cultivo de soja em Tocantínia (TO) 19/02/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino

Em Mato Grosso, maior produtor da oleaginosa no Brasil, várias regiões receberam volumes significativos, acima de 20 a 30 milímetros, “porém de forma muito pontual”, disse o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima.

As chuvas devem voltar a ocorrer em vários desses Estados nesta segunda-feira, com as áreas de instabilidade mantendo as precipitações na terça-feira, e “possibilidade de chuvas sobre grande parte de Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas Gerais”.

“Com isso, muitos produtores já terão recebido até quarta-feira volumes superiores a 60 mm de chuvas”, disse Santos.

Dados do terminal Eikon, da Refinitiv, confirmam a ocorrência de precipitações em todos esses Estados, com os maiores volumes se concentrando ao norte de Mato Grosso e Rondônia.

Santos, da Rural Clima, alerta que uma regularização das chuvas só deverá ocorrer em outubro, para todas as regiões produtoras, ainda que veja precipitações nos próximos dias no oeste de Mato Grosso.

O início de plantio exige cuidado, acrescentou o agrometeorologista, porque várias regiões da faixa leste de Mato Grosso, Goiás, Triângulo e Cerrado Mineiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul só deverão receber chuvas novamente a partir de 5 de outubro --o que indica riscos para a germinação aos que plantarem nessas áreas precocemente.

“Para quem realizará plantio principalmente em Goiás, norte de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais ainda é preocupante, uma vez que não há tendência de regularização para os próximos dez dias”, disse. “As chuvas só vão se regularizar a partir de 10 de outubro”, acrescentou.

O Paraná, segundo maior produtor de soja do Brasil, seguirá com tempo aberto, sem previsões de chuvas até a virada do mês, quando as precipitações voltam a ficar mais regulares.

“Tivemos bem pouca chuva, ainda precisamos de mais para poder largar o plantio”, disse o economista do Departamento de Economia Rural (Deral), Marcelo Garrido.

“Falta chover tanto para o plantio da soja como para o milho em algumas regiões. Quem está gostando é pessoal do trigo, porque está acelerando bem a colheita”, completou.

Ele disse que, por ora, o tempo seco não preocupa para a soja, e se desenha uma situação muito parecida com a do ano passado, “quando atrasou um pouco e depois conseguimos uma produtividade boa”.

Um plantio tardio de soja, a princípio, não chega a ser problema. A preocupação é com a janela climática para a semeadura de milho, feita após a colheita da oleaginosa, que pode ficar mais curta.

“Ainda não tenho número de plantio, o pessoal está segurando bem... Vai começar plantar quando tiver umidade um pouco melhor.”, disse.

Dados da Refinitiv apontaram chuvas se concentrando mais ao noroeste e norte do Paraná, no último final de semana, mas ainda assim em volumes considerados baixos.

A Reuters informou na semana passada o início do plantio de soja, mas somente em áreas irrigadas.

Por Roberto Samora

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