January 15, 2008 / 8:53 PM / in 13 years

ANÁLISE-Juro menor nos EUA deve impulsionar real ante dólar

Por Vivianne Rodrigues

SÃO PAULO (Reuters) - A continuação dos cortes dos juros pelo Federal Reserve nos Estados Unidos para evitar uma recessão deve impulsionar o real, mas ter efeito contrário sobre o peso mexicano.

A economia brasileira tem se beneficiado da alta dos preços das commodities, que está elevando a inflação e pode manter os juros em patamares altos por mais tempo. Mas a economia do México e dos Estados Unidos são muito mais interligadas.

“Por ora, a história é de diferencial de juros”, disse Win Thin, analista de mercados emergentes da Browne Brothers Harriman, em Nova York. “Conforme as taxas caem nos Estados Unidos, o rendimento de algumas moedas latino-americanas automaticamente cresce.”

O Fed deve reduzir a taxa básica de juros em pelo menos 0,50 ponto percentual, para 3,75 por cento, na reunião de 29 e 30 de janeiro.

O crescimento econômico nos Estados Unidos desacelerou no ano passado com o aumento das execuções hipotecárias e a queda dos preços das moradias, que afetaram os gastos dos consumidores. Um número cada vez maior de economistas agora alerta que uma recessão pode ser iminente.

Em contraste, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2007 deve ser 5,2 por cento, segundo o Banco Central, e de 4,5 por cento em 2008.

A inflação também é maior no Brasil do que nos Estados Unidos, o que pode forçar a autoridade monetária a manter o atual nível da taxa básica de juros, hoje em 11,25 por cento ao ano, por mais do que o esperado.

Os fundamentos econômicos do Brasil e do Chile são fortes o bastante para superar o impacto de uma desaceleração nos Estados Unidos e de uma diminuição do fluxo de dólares por alguns meses, acrescentou Thin. Nem mesmo a forte queda do dólar em 2007 em relação às moedas locais deve deter os investidores.

“Ainda há espaço para maiores altas (das moedas locais) em lugares como o Brasil e Chile”, disse.

A Browne Brothers Harriman recomenda a seus clientes que comprem a moeda brasileira, e a corretora espera que o real amplie a alta de 20 por cento registrada contra o dólar em 2007. A taxa de câmbio chegaria a 1,65 real por dólar na mínima de 2008.

“Qualquer coisa que não seja um pouso forçado dos Estados Unidos vai ter pouco impacto nas principais economias latino-americanas”, disse Michael Woolfolk, estrategista de moedas do Bank of New York Mellon, em Nova York. “Mas economias menores, como Bolívia, Colômbia, Panamá e Peru, podem sofrer.”

“Um grau considerável de descolamento dos Estados Unidos já é uma realidade para muitas grandes economias emergentes, como Brasil, Rússia e China.”

Os superávits comerciais de países da América Latina devem reduzir dramaticamente neste ano, segundo o ABN, mas por ora, moedas como o real estão ainda mais atraentes para os carry trades —operações de arbitragem com diferencial de juros— do que qualquer ativo de economias do G10.

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