July 27, 2011 / 6:28 PM / 7 years ago

Com ativos da Dow, Braskem vira líder em polipropileno nos EUA

Por Carolina Marcondes

SÃO PAULO (Reuters) - A aquisição dos ativos de polipropileno da norte-americana Dow Chemical pela Braskem, anunciada nesta quarta-feira, dará à maior petroquímica da América Latina a liderança na produção do insumo nos Estados Unidos, mercado em que a empresa está presente há 15 meses.

Com previsão de captura de sinergias de 140 milhões de dólares, a aquisição de 323 milhões de dólares também marca a entrada da empresa na Europa, com fábricas “razoavelmente novas” e com demanda de manutenção muito baixa, segundo o presidente da companhia, Carlos Fadigas.

A Braskem adquiriu quatro fábricas produtoras de polipropileno da Dow, sendo duas nos Estados Unidos e duas na Alemanha. O produto é uma resina que serve de matéria-prima para a produção de uma série de plásticos.

As fábricas norte-americanas estão em Freeport e Seadrift, no Estado do Texas, e juntas têm capacidade anual de produção de 505 mil toneladas. Com isso, a Braskem vai elevar sua capacidade de produção de polipropileno nos EUA em 50 por cento, para 1,425 milhão de toneladas por ano.

As fábricas da Alemanha estão localizados nas cidades de Wesseling e Shckopau e juntas têm uma capacidade anual de produção de 545 mil toneladas.

“(Com a aquisição) a Braskem se candidata a ser o fornecedor preferencial das empresas dos Estados Unidos”, disse Fadigas a jornalistas. A empresa já era a maior compradora de propeno —matéria-prima para a produção de polipropileno— dos Estados Unidos antes dessa aquisição.

As ações da Braskem chegaram a operar em baixa nesta quarta-feira, mas após o anúncio da operação ganhavam terreno, subindo 1 por cento, enquanto o Ibovespa recuava 1,8 por cento.

Fadigas reafirmou a estratégia da Braskem de “procurar todas as alternativas de crescimento”, afirmando que a aquisição dos ativos de polipropileno ocorreu “em um bom momento”. Ele afirmou que a companhia aderiu a um processo formal de compra dos ativos há cerca de três meses, mas nos últimos dias as negociações passaram a ser em caráter de exclusividade.

“Era um ativo que não fazia sentido para a Dow. Eles tinham metade a capacidade de PP que a Braskem tinha nos Estados Unidos”, disse Fadigas sobre o preço pago pelas unidades. “Nós esperamos o momento certo.”

O mercado norte-americano de resinas é atrativo pela grande quantidade de fornecedores de matéria-prima, como nafta e gás natural, entre eles a própria Petrobras que possui uma refinaria no Golfo do México.

Diante disso, a companhia quer crescer em polietileno e até mesmo em PVC em território norte-americano.

“Em PP era um bom momento para fazer aquisição... mas em PE talvez seja melhor investir em greenfield (construção de novas fábricas). É mais interessante construir do que comprar.”

MATÉRIA-PRIMA

Enquanto um diferencial para a compra dos ativos alemães foi o fato de que as unidades possuem contratos de fornecimento de matéria-prima de 10 anos, nos Estados Unidos foi justamente o contrário.

“Não foi nosso desejo porque os ativos estão no golfo (do México), com diversas alternativas de fornecimento de matéria-prima”, explicou o presidente.

Apesar dos investimentos no exterior, o presidente da Braskem reiterou que o principal foco da companhia é o Brasil. “O compromisso com o Brasil é permanente”, garantiu.

Com a aquisição dos ativos de polipropileno da Dow, a capacidade total de produção de resinas da Braskem chega a 7,5 milhões de toneladas por ano.

O presidente da Braskem afirmou ainda que a aquisição não elevará de forma significativa o endividamento da Braskem, pois a relação entre dívida líquida e geração de caixa medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficará em 2,44 vezes, pouco acima das atuais 2,37 vezes.

“Vamos usar o caixa para pagar. Temos cerca de 3 bilhões de reais em caixa”, disse Fadigas, acrescentando que a Braskem não assumirá nenhuma dívida da Dow por conta da aquisição.

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