February 28, 2012 / 11:43 PM / 7 years ago

Eletrobras pode entrar no problemático Grupo Rede Energia

Por Leila Coimbra e Anna Flávia Rochas

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 28 Fev (Reuters) - A Eletrobras admitiu nesta terça-feira que poderá entrar no capital do Grupo Rede Energia -no mesmo dia em que uma das distribuidoras mais problemáticas do conglomerado, a paraense Celpa, entrou com pedido de recuperação judicial.

A Eletrobras já possui uma participação de 34 por cento na Celpa e a aquisição do controle da companhia pela estatal federal já chegou a ser considerada no passado.

Atualmente, uma fatia de 54 por cento de todo o Grupo Rede Energia está à venda pelo acionista majoritário Jorge Queiroz Jr. O Grupo AES e a chinesa State Grid já desistiram do ativo, diante dos riscos regulatórios e do preço pedido pela participação, além da assunção de pesado endividamento.

A CPFL Energia ainda estaria conversando com o grupo, segundo fontes, mas analistas chegaram a afirmar que a venda desmembrada dos ativos de distribuição da Rede Energia poderia atrair mais interessados.

A própria CPFL não teria interesse em todos os ativos da Rede Energia, considerando que o presidente da CPFL, Wilson Ferreira Júnior, disse em entrevista à Reuters que a empresa não pretende se expandir para além das áreas onde atua, com exceção do Centro-Oeste.

O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, afirmou que a entrada da estatal na Rede Energia depende de decisão do governo federal.

“Se formos convocados, teremos que fazer alguma coisa. Nem que seja na gestão ou algo parecido... Se convocados, vamos entrar no processo, mas de uma forma que não dê prejuízo aos acionistas”, disse o executivo ao ser questionado sobre o tema.

“Não entramos no processo de venda do Grupo Rede, mas o grupo tem um certo desconforto econômico-social e vai ser uma decisão do governo federal. Pode ser que a Eletrobras tenha que dar alguma ajuda”, acrescentou ele a jornalistas, em evento no Rio de Janeiro.

DÚVIDAS

O pedido de recuperação judicial da Celpa levanta dúvidas sobre se de fato será possível uma rápida conclusão do processo de venda da Rede Energia e a declaração da Eletrobras levanta a possibilidade de que outra estrutura de venda do grupo possa ser considerada.

A situação financeira da Celpa e das outras empresas da Rede Energia não é novidade para analistas do setor elétrico e interessados nos ativos da empresa, e o pedido de recuperação judicial não deve ser visto com surpresa pelo mercado.

“A empresa está para ser vendida há bastante tempo, aguardando comprador e preço... Talvez isso indique que o andamento do processo não está tão adiantado”, disse o analista Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora.

No documento do pedido de recuperação judicial da Celpa, arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informou que além dos investimentos que são exigidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) às distribuidoras, outras medidas impactaram no fluxo de caixa da companhia.

Entre as razões listadas estão o racionamento de energia de 2001, a exigência de abertura de postos de atendimento em localidades com mais de 10 mil unidades consumidoras, a inadimplência de prefeituras e as mudanças de regras no curso de revisões tarifárias.

A Celpa estima apresentar o plano de recuperação judicial em até 60 dias a partir da intimação da aprovação do pedido.

Procurada, a assessoria de imprensa da Rede Energia não tinha mais detalhes sobre o pedido de recuperação judicial da Celpa para fornecer de imediato.

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou os ratings em moeda local e estrangeira da Celpa para “default”, de “B-“. Além disso, a Fitch colocou as notas da holding Rede Energia em observação negativa.

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Fábio Couto

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