July 13, 2012 / 1:33 PM / 7 years ago

JPMorgan perde US$5,8 bi em operações mal-sucedidas

Por David Henry e Jed Horowitz

CEO do JP Morgan and Chase Company, Jamie Dimon, responde em junho a perguntas durante audiência da Comissão do Senado sobre Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos, em Washington. O JPMorgan Chase , maior banco dos Estados Unidos em ativos, teve uma perda de 4,4 bilhões de dólares em negócios com derivativos realizados por seus escritórios em Londres, mas afirmou que saneou o grupo responsável pelas operações de alto risco. 13/06/2012 REUTERS/Larry Downing

NOVA YORK, 13 Jul (Reuters) - O JPMorgan Chase, maior banco dos Estados Unidos em ativos, perdeu 5,8 bilhões de dólares por conta de operações de crédito mal-sucedidas, e operadores podem ter tentado esconder a extensão deste rombo, disse nesta sexta-feira o maior banco dos Estados Unidos.

O banco ainda conseguiu lucrar quase 5 bilhões de dólares no segundo trimestre e disse ter resolvido os problemas na vice-presidência de investimentos, responsável pelas perdas. No pior dos casos, o JPMorgan vai perder mais 1,7 bilhões de dólares em razão dessas operações.

Mas a revelação pelo JPMorgan de que operadores podem ter mentido deliberadamente sobre as posições deles pode estimular uma investigação ainda maior sobre o banco, disseram analistas. O JPMorgan já é alvo de investigação de várias instituições, do FBI (polícia federal dos Estados Unidos) à Autoridade dos Serviços Financeiros, do Reino Unido.

As perdas e a possível mentira dos operadores mancharam a imagem do presidente-executivo do banco, Jamie Dimon, que era respeitado por mantê-lo lucrativo mesmo durante a crise financeira.

“(Dimon) tem muito a explicar sobre como isso aconteceu”, disse o analista sênior Kim Forrest, do Fort Pitt Capital Group, em Pittsburgh.

A vice-presidência de investimentos virou o centro das atenções em maio, quando o JPMorgan anunciou que operações mal-sucedidas com derivativos haviam causado cerca de 2 bilhões de dólares em perdas, que se transformaram em 4,4 bilhões de dólares em perdas reais no segundo trimestre.

Um operador da vice-presidência de investimentos, Bruno Iksil, assumiu posições grandes nos mercados de derivativos a ponto de ganhar o apelido “A Baleia de Londres”. Iksil deixou o banco, segundo uma fonte nesta sexta-feira.

Ina Drew, à frente dessa vice-presidência, também deixou o banco e propôs abrir mão de dois anos de salário, disse Dimon, que também pode ter que renunciar aos próprios rendimentos. Um porta-voz do banco disse que o JPMorgan aceitou a oferta de Ina.

O banco informou ter transferido os corretores do caso da vice-presidência —que investe parte dos recursos em excesso da instituição— para o banco de investimento.

O JPMorgan foi um dos inventores de derivativos de crédito, e o banco de investimentos dele é um dos maiores traders do produto nos mercados de Nova York.

A vice-presidência de investimentos vai se concentrar agora em investimentos conservadores, informou o JPMorgan.

“Resolvemos a maior parte deste problema e podemos agora concentrar toda nossa energia no que fazemos melhor”, declarou Dimon em comunicado.

O JPMorgan teve lucro líquido no segundo trimestre de 4,96 bilhões de dólares, ou 1,21 dólar por ação, ante ganho de 5,43 bilhões, ou 1,27 dólar por papel, um ano antes.

As perdas com derivativos após impostos reduziram o lucro por ação em 0,69 dólar.

A concessão de empréstimos hipotecários foi forte durante o trimestre, o que ajudou os resultados. Como vem tendo menos inadimplência em hipotecas e outros setores, o bando reduziu a provisão para devedores duvidosos. Essa redução elevou o lucro em 2,1 bilhões de dólares antes de impostos.

O JPMorgan espera divulgar nas próximas semanas resultados revisados do primeiro trimestre, já incluindo a redução de 459 milhões de dólares na receita por conta de avaliações equivocadas de posições. O banco encontrou grandes problemas nos controles financeiros durante o período.

O balanço desta sexta-feira veio a público três meses depois de Dimon ter dito a analistas que as notícias sobre Iksil e grandes perdas do banco em Londres eram “uma tempestade em copo d’água”.

O comentário, que Dimon reconheceu no mês passado estar “totalmente errado”, somou-se aos danos que as perdas com derivativos causaram à reputação do presidente e à alegação dele de que o JPMorgan não é muito grande para ser administrado com segurança.

Às 15h28 de Brasília, as ações do banco subiam 5,4 por cento, para 35,8 dólares.

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