August 24, 2012 / 5:17 PM / 8 years ago

ANÁLISE-Obrigatório ou não, etanol está nos EUA para ficar

Por Janet McGurty e Matthew Robinson

NOVA YORK, 24 Ago (Reuters) - Nos últimos cinco anos, o governo norte-americano pagou às companhias de combustíveis bilhões de dólares em subsídios para compra de etanol produzido domesticamente, à base de milho, viabilizando parte da oferta de gasolina do país.

Agora seria preciso pagar a elas para que não comprem.

A pior seca em mais de meio século reanimou o forte debate sobre alimentos versus combustíveis. Produtores de alimentos e de animais estão pedindo que o presidente Barack Obama abandone —pelo menos temporariamente— a obrigatoriedade imposta pelo governo, que exige converter mais de um terço da safra de milho dos EUA para o etanol. O presidente tem três meses para decidir.

Especialistas dizem que mesmo que ele renuncie ao Renewable Fuel Standard (RFS), isso não vai, necessariamente, liberar muito milho para alimentos e ração animal. Na verdade, a menos que os preços do milho subam mais 2 dólares ou os preços do petróleo caiam drasticamente, isso pode não fazer nenhuma diferença.

Mesmo sem a obrigatoriedade, um terço da oferta de gasolina do país precisa conter etanol, para atender a regras não relacionadas de ar limpo, principalmente na Califórnia e na Costa Leste. Nenhuma outra substância disponível pode oxigenar a gasolina de forma tão eficaz, ajudando na queima de forma mais limpa.

Mais importante, o etanol é 1 dólar mais barato do que os outros tipos de aditivos para aumentar octanagem, que refinarias utilizam para elevar a eficiência do combustível.

“Mesmo com uma redução na renúncia, ainda há um incentivo econômico para a indústria de combustíveis para utilizarem o etanol como um aditivo oxigenado”, disse Maureen Cannon, especialista em químicos e negócios agrícolas e vice-presidente do Grupo de Valence, um banco de investimentos especializado em produtos químicos.

Diferente de cinco anos atrás, quando o etanol era um combustível marginal e relativamente caro que exigia pesados ​​subsídios do governo para sobreviver, agora é uma fonte competitiva de energia.

ALIMENTOS VS. COMBUSTÍVEIS

A constatação de que o etanol não vai ser facilmente retirado da oferta de gasolina dos EUA aparece assim que um renovado debate entre alimento ou combustível ganha força. Uma severa seca encolheu a safra de milho, levando os preços a subirem mais de 60 por cento em apenas três meses, para uma alta recorde acima de 8 dólares por bushel.

Sob pressão de produtores de gado e de aves indignados, que viram os custos de sua ração subirem, vários governadores estaduais solicitaram à Agência de Proteção Ambiental (EPA) renúncias à obrigatoriedade de mistura do etanol. A agência, que negou um recurso semelhante em 2008, deve decidir até meados de novembro como irá proceder.

No entanto, remover a obrigação RFS não vai mudar o fato de que a Lei do Ar Limpo de 1990 exige que as empresas de combustível vendam uma mistura mais limpa, chamada de gasolina reformulada (RFG, na sigla em inglês) ou RBOB, em regiões mais populosas do país.

“Se a EPA flexibilizar o padrão para o etanol, as refinarias podem produzir a gasolina convencional, mas elas não seriam capazes de produzir gasolina RFG”, disse Mark Routt, conselheiro sênior para a KBC Advanced Technologies, baseada em Houston.

Originalmente concebido como um caminho para as nove cidades mais poluídas dos Estados Unidos limparem o ar, o RFG agora é um combustível necessário em cerca de 30 por cento dos postos do país.

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