September 6, 2012 / 4:07 PM / 7 years ago

Draghi consegue apoio do BCE para compra de títulos ilimitada

Por Eva Kuehnen

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, fala durante coletiva de imprensa mensal, em Frankfurt. O BCE definiu o lançamento de um novo programa de compra de títulos potencialmente ilimitado para reduzir os custos de empréstimos de países da zona do euro e restringir a crise da dívida. 06/09/2012 REUTERS/Alex Domanski

FRANKFURT, 6 Set (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) definiu o lançamento de um novo programa de compra de títulos potencialmente ilimitado para reduzir os custos de empréstimos de países da zona do euro e restringir a crise da dívida, disse o presidente do BCE, Mario Draghi, nesta quinta-feira.

Buscando manter sua promessa de fazer o que for necessário para preservar o euro, Draghi afirmou que o novo plano, desenhado para o mercado secundário, vai lidar com distorções do mercado de títulos e temores “infundados” de investidores sobre a sobrevivência do euro.

O esquema, ao qual sabe-se que o Bundesbank, banco central alemão, se opôs, irá se concentrar em bônus que vencem dentro de três anos e ficou estritamente dentro do mandato do BCE, disse Draghi. Apenas um membro do Conselho de Administração do BCE mostrou-se dissidente, disse ele.

“Sob condições apropriadas, teremos uma escora completamente efetiva para impedir cenários potencialmente destrutivos”, disse Draghi em entrevista à imprensa após a reunião mensal do banco central.

“Nenhum limite quantitativo ex-ante foi determinado sobre o tamanho das transações monetárias diretas”, disse ele, usando o termo formal para programas de compra de título do BCE.

Investidores estavam ansiosos, aguardando para saber como o BCE iria agir para ajudar a reduzir os custos de empréstimos de Espanha e Itália, após desentendimentos entre autoridades sobre o plano terem ido a público na semana passada.

As declarações de Draghi ao menos atenderam as expectativas, disseram analistas. Com o plano de compra de títulos sendo o foco da reunião desta quinta-feira, o BCE manteve a taxa de juros em 0,75 por cento.

“Os detalhes (...) divulgados hoje elevam a credibilidade da rede de segurança que está se formando na zona do euro, e devem incentivar a demanda por ativos da região”, disse o estrategista do CitiFX em Nova York Andrew Cox.

As blue chips da zona do euro dispararam 3,2 por cento nesta quinta-feira, atingindo níveis não vistos desde março, em resposta às declarações do BCE.

A pressão sobre Draghi se intensificou após uma reportagem em um jornal alemão dizendo que o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, havia pensado em renunciar devido à sua oposição às compras de títulos, embora várias fontes tenham dito que ele não fez tal ameaça.

Draghi obteve sucesso ao garantir apoio no Conselho de Administração do BCE para o plano, apesar da oposição de Weidmann.

“Nas discussões mais recentes, como antes, o presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, reiterou sua frequentemente fundamentada postura crítica diante da compra de títulos de dívida soberana”, disse o banco central alemão em comunicado.

“Ele considera que essas compras equivalem a financiar governos por meio da emissão de notas bancárias”, adicionou.

O presidente do Bundesbank demonstrou preocupação de que uma intervenção no mercado de título iria quebrar o tabu do BCE de financiar membros da zona do euro. Outras autoridades do BCE veem uma urgência maior para ajudar a Espanha e a Itália e impedir um aprofundamento da crise da zona do euro.

CONDIÇÕES RÍGIDAS

Draghi afirmou que o BCE só irá ajudar países que concordarem em implementar condições econômicas duras, com o fundo de resgate da zona do euro também comprando seus títulos, e de preferência com o Fundo Monetário Internacional (FMI) envolvido na definição e monitoramento das condições.

Uma nova intervenção do BCE nos mercados de títulos da zona do euro é crucial para dar tempo aos governos para que apresentem uma resposta de prazo mais longo à crise da dívida do bloco, que começou no início de 2010.

Os yields dos títulos de Espanha e Itália recuaram de maneira significativa desde que Draghi afirmou em 2 de agosto que o BCE compraria títulos emitidos por Madri e Roma. Eles recuaram mais após Draghi falar sobre o plano nesta quinta-feira.

O BCE não terá como objetivo reduzir os yields de bônus específicos, disse Draghi.

As compras de dívida pelo BCE —que vão suceder o Programa de Mercados de Títulos (SMP) que está inativo desde março— serão suspensas se os países não consentirem com os termos.

Como a corte constitucional da Alemanha não deve decidir sobre o novo fundo de resgate ESM até a próxima semana, não há perspectiva de o BCE intervir imediatamente.

Destacando o dilema econômico da zona do euro, Draghi disse que o crescimento na região terá uma recuperação apenas gradual. Recentes projeções do BCE indicaram que a economia registrará contração de entre 0,2 por cento e 0,6 por cento em 2012.

Uma desvantagem para o BCE pode ser uma alta nos preços de commodities, que avançaram nesta quinta-feira após o anúncio do BCE.

SEM PREFERÊNCIA

Draghi disse também que o BCE está preparado para ceder seu status de credor preferencial sobre os títulos que compra —o que significa que será tratado de maneira igual em relação aos credores privados em caso de default.

O banco central espera que, ao remover a preocupação dos investidores privados de que serão pagos por último no caso de um default soberano, eles não vão fugir se o BCE intervir e comprar títulos. O BCE assumiu o status de credor preferencial na reestruturação da dívida da Grécia neste ano.

O BCE assumiu status de credor preferencial na reestruturação da dívida grega mais cedo neste ano, fazendo com que investidores privados sofressem uma baixa contábil no valor dos títulos da dívida soberana gregos que detinham enquanto os papéis que a autoridade monetária detinha ficaram intocados.

“Existe um problema se bancos centrais insistirem no status de credor preferencial, porque quanto mais o setor público intervir no mercado de títulos, menos interesse os investidores privados terão”, disse uma fonte da autoridade monetária continental à Reuters na quarta-feira.

Em outro potencial movimento para agradar o Bundesbank, Draghi também afirmou que todas as compras de títulos serão “esterilizadas” ao se tomar um volume equivalente em depósitos de bancos para evitar qualquer risco de inflação.

A insistência do BCE em que países aceitem condições rígidas antes de o banco central comprar seus bônus alimentou dúvidas sobre se a Espanha solicitará ajuda, e levou alguns investidores a se desapontar com o novo programa de compra de bônus.

O presidente do BCE afirmou ainda que as compras de títulos estarão ligadas a “condições severas e efetivas” e que serão concentradas em dívida com vencimento de até três anos.

“Buscaremos o envolvimento do FMI também para a elaboração de condições específicas a certos países e para monitorar esses programas”, disse Draghi, acrescentando que agora cabe aos governo da zona do euro agir.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, elogiou o novo programa de compra de bônus do BCE e disse que o credor global está pronto para cooperar “dentro de nossa estrutura”.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, disseram que não foram discutidas condições de auxílio à Espanha, apesar de expectativas de que Rajoy buscaria a ajuda da Alemanha para um resgate em uma reunião bilateral em Madri nesta quinta-feira.

“Muito depende do país solicitar auxílio por meio do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês), e a Espanha não parece pronta”, disse François Savary, diretor de investimentos do grupo bancário Reyl em Genebra. “Isso significa que muito continua nas mãos dos políticos”, completou.

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