21 de Novembro de 2012 / às 14:03 / em 5 anos

Zona do euro e FMI não chegam a acordo sobre dívida grega

Por Andreas Rinke e Maria Paravantes

Chanceler alemã, Angela Merkel, conversa com ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, durante sessão na Câmara dos Deputados do Parlamento, em Berlim. Os credores internacionais da Grécia não conseguiram chegar a um acordo pela segunda semana seguida para liberar a ajuda emergencial à Grécia e tentarão novamente na próxima segunda-feira, mas a Alemanha sinalizou que grandes divisões permanecem. 21/11/2012 REUTERS/Tobias Schwarz

BERLIM/ATENAS, 21 Nov (Reuters) - Os credores internacionais da Grécia não conseguiram chegar a um acordo pela segunda semana seguida para liberar a ajuda emergencial à Grécia e tentarão novamente na próxima segunda-feira, mas a Alemanha sinalizou que grandes divisões permanecem.

Os ministros das Finanças da zona do euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (FMI) não conseguiram em 12 horas de negociações durante a noite em Bruxelas concordar sobre como tornar a dívida grega sustentável. Eles querem uma solução antes de pagar a próxima parcela da ajuda, urgentemente necessária para manter o país solvente.

Várias autoridades europeias minimizaram o atraso, dizendo que os desacordos eram técnicos e que um acordo será atingido quando eles se encontrarem novamente em 26 de novembro.

Mas o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, afirmou a legisladores numa reunião a portas fechadas em Berlim que os credores estavam divididos sobre várias questões, incluindo como definir a sustentabilidade da dívida e preencher um buraco nas finanças gregas.

“Ele vê a extensão da meta de sustentabilidade da dívida como um dos principais motivos da discórdia. O outro é como cobrir a lacuna financeira de 14 bilhões de euros até 2014”, afirmou um dos legisladores que participou da reunião desta quarta-feira com o partido de centro-direita Cristãos-Democratas da chanceler Angela Merkel no Parlamento.

A própria Merkel disse que a lacuna pode ser preenchida pela diminuição das taxas de juros sobre os empréstimos à Grécia e pelo aumento das garantias fornecidas ao temporário Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês), no qual a Alemanha assumiria sua parcela, disse um dos participantes.

A Grécia precisa da próxima parcela de ajuda de 31 bilhões de euros para manter o serviço da dívida e evitar a bancarrota. O próximo grande pagamento é em meados de dezembro.

Atenas disse que tem implementado as duras reformas exigidas no programa do resgate, mas que precisa de mais tempo para atingir as metas fiscais acertadas com seus credores porque sua economia continua encolhendo.

Os governos europeus querem dar à Grécia mais dois anos, até 2022, para cortar sua dívida para um nível sustentável, mas o FMI não concorda. Os europeus, liderados pela Alemanha, estão recusando-se a aceitar perdas em qualquer empréstimo. Ambas as opções deixaria mais fácil para a Grécia atingir as metas do programa de resgate.

Um documento preparado para a reunião e visto pela Reuters declarou que a dívida grega não pode ser cortada para 120 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, o nível considerado sustentável pelo FMI, a menos que os Estados-membros da zona do euro assumam perdas de uma parcela de seus empréstimos à Grécia ou que o FMI concorde em ampliar seu prazo em dois anos, para 2022.

A Grécia está irritada com os repetidos atrasos na liberação da ajuda e diz que fez o que era necessário.

“A Grécia fez o que se comprometeu a fazer. Nossos parceiros, juntamente com o FMI, também precisam fazer o que eles devem fazer”, afirmou o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, em comunicado.

“Qualquer dificuldade técnica em encontrar uma solução técnica não justifica negligência ou atrasos.”

Samaras irá se encontrar com o presidente do Eurogroup, Jean-Claude Juncker em Bruxelas na quinta-feira e cancelou uma viagem ao Qatar nesta semana para monitorar as negociações, afirmou um porta-voz do governo.

Reportagem adicional de Alexandra Hudson, Michelle Martin e Madeline Chambers em Berlim e Deepa Babington em Atenas

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