23 de Janeiro de 2013 / às 17:10 / em 5 anos

FMI: Europa pesa sobre expansão global, mas 2014 deve ter recuperação

Por Lesley Wroughton

Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, é vista durante coletiva de imprensa em Washington, nos Estados Unidos. Uma teimosa recessão inesperada na zona do euro e a fraqueza no Japão vão pesar sobre o crescimento da economia global neste ano, antes de uma recuperação em 2014 que deve mostrar a expansão mais rápida desde 2010, afirmou FMI nesta quarta-feira. 17/01/2013 REUTERS/Gary Cameron

WASHINGTON, 23 Jan (Reuters) - Uma teimosa recessão inesperada na zona do euro e a fraqueza no Japão vão pesar sobre o crescimento da economia global neste ano, antes de uma recuperação em 2014 que deve mostrar a expansão mais rápida desde 2010, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira.

O FMI cortou sua estimativa para o crescimento global em 2013 para 3,5 por cento, ante 3,6 por cento projetados em outubro, mas declarou que vê uma expansão de 4,1 por cento em 2014 se houver uma firme recuperação na zona do euro. O órgão disse que a economia mundial cresceu 3,2 por cento no ano passado.

Taxas saudáveis de crescimento global de mais de 4 por cento foram vistas pela última vez em 2010, quando a produção expandiu 5,1 por cento com a melhora da crise financeira global.

O FMI avaliou que a atividade em economias avançadas deve permanecer fraca neste ano, com crescimento de apenas 1,4 por cento, antes de acelerar para 2,2 por cento em 2014. Em outubro, a entidade projetou que as economias desenvolvidas teriam expansão de 1,5 por cento em 2013.

“Ações políticas reduziram os riscos acentuados na zona do euro e nos Estados Unidos”, afirmou o FMI na atualização de seu relatório Perspectiva Econômica Mundial.

“Entretanto, os riscos permanecem significativos, incluindo renovados contratempos na zona do euro e ameaça de consolidação fiscal excessiva no curto prazo nos Estados Unidos”, completou.

O Tesouro dos EUA precisa da autorização do Congresso para elevar o atual teto da dívida, de 16,4 trilhões de dólares, em algum momento entre meados de fevereiro e o início de março.

Os republicanos sinalizaram disposição de aprovar uma extensão de quase quatro meses do limite da dívida, afastando temores imediatos de um default da dívida norte-americana, mas mantendo viva uma ameaça no longo prazo.

O FMI afirmou que a economia dos EUA deve expandir 2 por cento neste ano, com o crescimento acelerando ainda mais no segundo semestre deste ano e alcançando 3 por cento em 2014.

“A prioridade é evitar uma consolidação fiscal excessiva no curto prazo, aumentando o teto da dívida, e concordar com um plano de consolidação fiscal no médio prazo, focado em reforma tributária e de benefícios”, acrescentou o FMI.

DESAFIOS PARA EUROPA E JAPÃO

O Fundo disse ainda que uma estagnação prolongada na zona do euro é uma ameaça, especialmente se o bloco monetário não concluir reformas fiscais e bancárias.

O órgão afirmou que a economia do Japão deve ter um crescimento de 1,2 por cento neste ano, em meio a estímulos fiscais, afrouxamento da política monetária e iene mais fraco. Mas alertou que o crescimento deve desacelerar para 0,7 por cento em 2014.

O FMI pediu que Tóquio adote um afrouxamento mais ambicioso da política monetária e um plano de médio prazo “digno de crédito” para seu orçamento.

Por sua vez, o crescimento em economias emergentes e em desenvolvimento deve se fortalecer para 5,5 por cento neste ano e 5,9 por cento em 2014, ainda segundo o FMI, que acrescentou que políticas de suporte ajudaram a melhorar a expansão, embora a demanda fraca de parceiros comerciais ainda seja um problema.

O ritmo de crescimento na China deve subir para 8,2 por cento neste ano e 8,5 por cento em 2014, acima de 2012 mas ainda abaixo da taxa de crescimento de 10 por cento de 2010, disse o Fundo.

Para o Brasil, a estimativa é de que a economia tenha crescido 1 por cento em 2012, mas que deve acelerar para 3,5 por cento e 4 por cento, respectivamente, em 2013 e 2014.

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