28 de Janeiro de 2013 / às 14:02 / 5 anos atrás

Plano decenal de energia 2013-2022 terá mais térmicas, diz EPE

RIO DE JANEIRO, 28 Jan (Reuters) - O Plano Decenal de Energia 2013-2022 (PDE) terá mais usinas térmicas que o atual, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Segundo Tolmasquim, as térmicas deveriam operar mais na base do sistema elétrico nacional, mas o preço alto do gás natural é um obstáculo.

“Já estamos fazendo o plano 2022 e já prevemos um pouco mais de térmica entrando. Estamos trabalhando nisso, mas devemos ter mais térmica à gás”, disse Tolmasquim sem revelar os montantes.

“A grande questão é a econômica, ou seja, como que essas térmicas vão entrar sem onerar demais a tarifa, dado o preço do gás. Tem uma hora, que tem que ver a questão da segurança. Mesmo que seja mais caro, tem que botar”, adicionou o presidente da EPE, a jornalistas, após participação em evento.

Com a crescimento da economia e da demanda de energia, o país precisa ampliar anualmente seus parques de geração, transmissão e distribuição. Este ano, serão mais de 8.500 megawatts (MW) em geração de energia, de acordo com a EPE.

Atualmente, a geração térmica no país está em 14 mil megawatts, segundo Tolmasquim.

O presidente da EPE entende que o ideal seria o país ampliar “um pouco” a geração térmica na base ao longo do ano para aumentar ainda mais a confiabilidade do sistema e compensar a geração hidrelétrica em períodos de reservatórios em níveis baixos.

“O Brasil pode ter algumas térmicas na base, mas não muitas porque vão entrar Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, que são (hidrelétricas) a fio d‘água e vão gerar muito num período, mas em outros menos”, declarou ele. “Tem que analisar quanto seria esse pouco mais.... claro que para nós o interessante é ter usinas térmicas com custo variável baixo, aí elas naturalmente vão operar mais. Se só colocar hidro à fio d‘água, a proporção de térmica tem que aumentar”, completou ele.

Tolmasquim ressalta, no entanto, que o grande obstáculo para ampliar a geração térmica a gás no país é o elevado preço do combustível, que hoje é importado na forma de gás natural liquefeito (GNL).

A solução para o entrave seria, de acordo com o presidente da EPE, a produção de gás não-convencional como gás de xisto, gás de folhelho e “tight” (de vários tipos de rocha).

“O problema para a expansão térmica a gás hoje é que tem que ser com GNL importado... poderíamos pensar em térmicas operando de maneira mais contínua se descobríssemos (gás) não-convencional”, disse Tolmasquim.

O governo planeja para o fim desse ano um leilão de gás com foco principal nas reservas de xisto espalhadas pelo país. Nos Estados Unidos, o gás de xisto já é uma realidade com preços baixos e oferta expressiva. As estimativas da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam preliminarmente para reservas de até 500 trilhões de pés cúbicos (TCFs).

Em relação ao nível de dos reservatórios das hidrelétricas, Tolmasquim afirmou que a situação do sistema elétrico no momento é “mais tranquila” com o aumento das represas, e acrescentou que o sistema reagiu bem.

LEILÕES

O presidente da EPE disse planeja realizar dois leilões de energia nova A-5 (que contrata energia para começar a ser entregue em cinco anos), uma rodada A-3 (para energia que inicia a entrega em três anos) e um leilão de energia de reserva.

O leilão A-3 e um dos A-5, apenas com a usina hidrelétrica de Sinop (400 MW), serão realizados até o mês de maio. As demais usinas hídricas do A-5 devem ser licitadas em um outro leilão no segundo semestre deste ano.

A EPE estuda ainda realizar um leilão de reserva e a rodada “A-0”, que contrata energia ainda para este ano, também deve ocorrer no primeiro semestre. “Estamos analisando um leilão de reserva, eventualmente, também esse ano, mas ainda não está certo”, ponderou ele.

Tolmasquim não descartou ainda a possibilidade da realização de leilões de energia por fonte específica e de leilões regionais. “Se for necessário, poderemos fazer”, concluiu.

Por Rodrigo Viga Gaier

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