24 de Junho de 2013 / às 19:39 / 4 anos atrás

Principais commodities agrícolas do Brasil terão queda em dólar--analista

SÃO PAULO, 24 Jun (Reuters) - Os preços das principais commodities agrícolas do Brasil fecharão 2013 em queda nos mercados internacionais, sob pressão da fraca economia global, do aumento dos estoques por grandes safras e também pela valorização do dólar no exterior, afirmou nesta segunda-feira a consultoria GO Associados em relatório mensal.

“Para os próximos meses, espera-se que os preços das matérias-primas continuem sob pressão baixista”, afirmou a consultoria, citando ainda a recessão europeia, desaceleração chinesa e crescimento ainda modesto da economia americana.

No caso da soja, milho, café e açúcar, que estão entre as principais commodities agrícolas exportadas pelo Brasil, grandes safras adicionarão pressão sobre os preços.

Com o dólar valorizado no mundo, devido à sinalização do Federal Reserve, banco central do EUA, de menores estímulos para a economia do país, as commodities negociadas na moeda norte-americana em bolsas também tendem a apresentar movimentos de queda.

O Fed pretende diminuir gradualmente seu programa de estímulos, que havia elevado a liquidez do mercado e ajudado as commodities a atingir níveis recordes.

Um real desvalorizado frente ao dólar, no entanto, tende a aliviar, para os exportadores brasileiros, a queda dos preços das commodities na moeda norte-americana.

“Em termos líquidos, é favorável essa desvalorização cambial”, disse recentemente à Reuters o analista Fábio Silveira, da GO Associados.

SOJA

Nos próximos meses, espera-se que o preço da soja na bolsa de Chicago fique abaixo de 15 dólares por bushel, com as perspectivas de aumento da safra sul-americana em 2013/14, com um novo recorde de produção no Brasil, além de um crescimento da colheita dos EUA.

“Desse modo, para 2013, estima-se que o preço médio da soja em grão diminua 2 por cento frente a 2012, situando-se em 14,4 dólares por bushel”, afirmou a GO Associados, ponderando que movimentos especulativos deverão evitar uma maior desvalorização do produto.

O mercado futuro de soja é ainda um dos poucos em que há predominância de “contratos comprados em aberto”, acrescentou.

No caso do milho, para os próximos meses estima-se também uma queda na bolsa de Chicago, com a safra dos EUA (maior produtor mundial) 2013/14 crescendo 30 por cento frente à anterior, quando foi prejudicada por uma seca severa.

“Nessas condições, para 2013, prevê-se que o preço médio do milho, no mercado internacional, caia 4 por cento, situando-se em 6,6 dólar por bushel.”

Tanto a soja quanto o milho registraram preços recordes na bolsa de Chicago em 2012, por conta da quebra de safra provocada pela pior seca em mais de 50 anos nos EUA.

No caso do açúcar, em 2013, o preço médio do produto deve situar-se em 17,7 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, recuando 18 por cento em comparação com 2012, por conta do elevado estoque global (equivalente a 84 dias de consumo).

Para o café, a GO Associados estima uma queda anual de 22 por cento no preço internacional médio, situando-se em 1,37 dólar por libra-peso, com o aumento dos estoques internacionais.

A exceção vista pela consultoria é o algodão, cujo preço médio do produto deve aumentar 4 por cento frente a 2012, alcançando 83,1 centavos de dólar por libra-peso, com a tendência de redução do estoque mundial, pela perspectiva de declínio da produção e de aumento do consumo na safra 2013/2014.

Por Roberto Samora

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