1 de Julho de 2013 / às 19:38 / 4 anos atrás

Alta do dólar ante o real no 2o tri deve ter impacto limitado no setor elétrico

SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) - A alta de 10,4 por cento do dólar ante o real no segundo trimestre deve ter impacto limitado para as distribuidoras de energia e seus consumidores, apesar do aumento do custo da energia de Itaipu, cotada na moeda estrangeira, avaliam especialistas do setor.

A energia cotada em dólar dentro do mix do sistema elétrico brasileiro é de cerca de 10 por cento. Assim, um aumento de 10 por cento no dólar elevaria em cerca de 1 por cento a tarifa, disse o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite.

O aumento do dólar na tarifa de Itaipu é arcado imediatamente pelas distribuidoras e depois é repassado para a tarifa dos consumidores nos reajustes tarifários.

“Itaipu dá mais ou menos uns 10 por cento da energia do Brasil. Pode até concentrar mais em algumas empresas do Sul e do Sudeste. Mas o impacto do custo das térmicas é muito maior”, disse ele, ao se referir ao impacto futuro na tarifa de energia, quando ocorrerem os reajustes.

A Copel, empresa de energia paranaense, foi uma das primeiras entre as grandes concessionárias de distribuição de energia a ter considerado em seu reajuste tarifário o repasse da alta dólar recente ao consumidor.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) considerou um aumento de 12,64 por cento no custo referente à Itaipu, o que elevou em 1,36 ponto percentual o reajuste tarifário anual permitido para a Copel, a 14,6 por cento.

O aumento --que está congelado pelo governo do Paraná, acionista controlador da companhia-- está muito mais relacionado ao custo da geração térmica, que teve um impacto de 8 pontos percentuais no índice final, que à alta do dólar.

O coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, o efeito da variação cambial para as distribuidoras também é pequeno considerando os gastos maiores com geração termelétrica.

“O dólar tem um peso pequeno e ele não dispara, não pode disparar, até por outras razões mais importantes”, disse. Ele disse que, mesmo para as distribuidoras do Sudeste, a quantidade de energia comprada de Itaipu não chega a mais de 18 por cento do total.

A alta do dólar sobre a energia de Itaipu é algo que o setor elétrico tem condições de absorver atualmente, segundo o representante dos grandes consumidores de energia, Paulo Pedrosa.

Pedrosa, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), disse que caso o dólar se mantenha em níveis elevados ante o real por mais tempo, o setor pode ser afetado com aumento no preço dos combustíveis que movem as termelétricas --principalmente com a tendência de que essas usinas operem cada vez mais sem interrupções. Os combustíveis que alimentam as termelétricas têm o preço baseado em uma cesta de óleos no mercado internacional.

“Há um efeito sobre o custo da geração termelétrica, que também é sentido lentamente. Existem formas de atenuação... Pode ser que quando o custo de geração termelétrica subir em função do dólar já tenhamos superado esse momento hoje e não estejamos precisando de tanto gás”, disse.

A Lei 12.783, sobre a renovação das concessões do setor elétrico, prevê em seu artigo 19 que a União poderá celebrar contratos com a Eletrobras, que comercializa a energia de Itaipu, com a finalidade de excluir os efeitos da variação cambial da tarifa da usina.

O assunto ainda não está regulamentado e, segundo fontes do governo responsáveis pelo tema, não está sendo analisado como prioridade no momento.

RESULTADOS NO 2o TRI

A alta do dólar no segundo trimestre deve ter favorecido a Eletrobras, já que a companhia tem mais recebíveis na moeda estrangeira. A estatal federal é responsável pela venda da energia de Itaipu, cotada em dólar.

“A Eletrobras se beneficia, porque é credora em dólar... E no primeiro trimestre a empresa deu um resultado muito desfavorável, mas a gente percebeu que o operacional não foi tão ruim. O ganho financeiro pode superar um eventual resultado desfavorável (no 2o tri)”, disse o analista da Lopes Filho, Alexandre Furtado Montes.

A equipe de análise da Ativa Corretora acrescenta que a Eletrobras deve ter um impacto positivo “mas nada extraordinário a ponto de mudar o resultado da empresa”.

Na outra ponta, Cesp é a que tende a sentir maior impacto nas despesas financeiras, segundo especialistas do setor. A companhia paulista tinha cerca de 34 por cento do endividamento referenciado em dólar, segundo o balanço do primeiro trimestre. Mas Montes espera que a empresa registre um forte resultado operacional no segundo trimestre, o que poderia reduzir o impacto financeiro negativo.

Reportagem da Anna Flávia Rochas e Leonardo Goy; Edição de Raquel Stenzel

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