3 de Julho de 2013 / às 16:49 / em 4 anos

Intenção de consumo em SP no 3o tri cai a menor nível desde 2002

SÃO PAULO, 3 Jul (Reuters) - O índice de consumidores da cidade de São Paulo que pretendem ir às compras entre julho e setembro caiu 3,4 pontos percentuais em relação às projeções para o mesmo trimestre do ano passado, atingindo o menor nível desde 2002, apontou pesquisa divulgada nesta quarta-feira.

Segundo dados compilados pelo Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA) em parceria com a consultoria Felisoni, 50,4 por cento dos paulistanos pretendem comprar bens duráveis no período, contra percentual de 53,8 por cento apontado em 2012. Em relação ao segundo trimestre , a queda foi ainda maior, com recuo de 8,8 pontos percentuais.

Desaceleração do aumento da renda, elevação dos juros, inadimplência e inflação estão entre os fatores que explicam o resultado, afirmou Claudio Felisoni de Angelo, presidente do conselho do Provar/FIA.

Ele acredita que as manifestações ocorridas no país em junho são antes um reflexo desta conjuntura que a causa para a diminuição das expectativas. O levantamento do Provar foi realizado antes dos primeiros protestos.

“As manifestações e o recente fechamento das estradas pelos caminhoneiros, que impede a distribuição regular de produtos, agravam pontualmente um cenário que é fundamentalmente afetado pelo cenário macroeconômico desfavorável”, disse Felisoni.

O desemprego, uma das variáveis de maior impacto para a confiança dos consumidores, também deve começar a pesar na balança.

O Provar divulgou pela primeira vez um índice que trata da expectativa de desemprego, que apontou uma deterioração de 13,95 por cento no terceiro trimestre em relação à situação levantada em junho.

A pesquisa também mostrou que apesar do governo ter lançado em junho um programa de financiamento com juros mais baixos para a aquisição de móveis pelos beneficiários do Minha Casa, Minha Vida, a intenção dos consumidores em comprar esses itens no terceiro trimestre caiu 16,3 por cento na comparação anual.

“O grande problema (para impulsionar as vendas) é a questão da renda, que tem impacto duas vezes maior para o consumo que a diminuição dos juros”, disse Felisoni.

Por outro lado, o avanço na intenção de compra para eletrodomésticos da linha branca, também contemplados no programa do Planalto, foi de 9,1 por cento para o período, quarto maior dentre os segmentos pesquisados.

O Provar estima crescimento para as vendas de apenas 1,1 por cento no varejo ampliado brasileiro entre julho e setembro, ante aumento de 5,6 por cento apurado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para o mesmo período de 2012.

Reportagem de Marcela Ayres

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