21 de Julho de 2013 / às 13:52 / em 4 anos

Governo precisa definir ajuste fiscal claramente, diz Tombini

SÃO PAULO, 21 Jul (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou em entrevista publicada neste domingo que o governo precisa definir “claramente” quais serão os ajustes fiscais e detalhar para a sociedade como serão alcançados.

Presidente do banco central, Alexandre Tombini, chega para reunião dos ministros das Finanças do G20 durante a reunião da primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington, 19 de abril de 2013. Tombini afirmou em entrevista publicada neste domingo que o governo precisa definir "claramente" quais serão os ajustes fiscais e detalhar para a sociedade como serão alcançados. 19/04/2013 REUTERS/Yuri Gripas

“O ajuste fiscal não é insensível ao estado da economia. Tanto é que (o superávit primário) já não é mais 3,1 por cento (do PIB), está em outro nível. O importante é que o governo defina e, quando definir, forneça um detalhamento para a sociedade sobre como isso vai ser alcançado”, disse o presidente do BC ao jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo Tombini, essa definição é importante para a retomada da confiança na economia.

A queda da confiança de empresas e famílias foi apontada pelo BC como fator de risco para o crescimento econômico na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na última quinta-feira.

“É necessária uma reversão dessa confiança para a economia continuar no processo de recuperação gradual”, afirmou Tombini.

Sobre o nível de atividade econômica, Tombini disse que o Produto Interno Bruto (PIB) “talvez cresça um pouco mais no segundo trimestre do que o 0,6 por cento de janeiro a março.”

Questionado sobre os meses de junho e julho, ele disse ainda não ter dados da economia, “mas parece que não está bom”.

INFLAÇÃO E CÂMBIO

O presidente do BC reiterou que a inflação medida pelo IPCA deve terminar o ano abaixo da taxa do ano passado, que ficou em 5,84 por cento, e dentro da meta do governo, de 4,5 por cento com margem de dois pontos para cima ou para baixo.

Ele reforçou a visão do BC sobre o impacto da variação do câmbio na inflação, com efeito de 1 ponto percentual com uma desvalorização de 20 por cento do real ante o dólar. Para Tombini, um efeito dessa magnitude é “um caminhão de inflação”.

Perguntado a respeito da redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos pelo Federal Reserve, banco central norte-americano, com consequente fuga de capital e pressão sobre o câmbio, Tombini sinalizou que não vê necessidade de elevar mais os juros em função do novo cenário.

“Não sei se há essa força toda no dólar. A situação da balança de pagamentos é muito confortável. Temos financiamento e o investimento estrangeiro é muito resistente. O dólar, além disso, já andou, o que tem efeitos na balança de pagamentos.”

Tombini acrescentou que o avanço da moeda norte-americana não afetará as empresas como na crise de 2008, quando o uso de derivativos financeiros fez algumas companhias sofrerem perdas bilionárias.

“Hoje conhecemos todas as estratégias, são 20 a 25, como opções exóticas, derivativos tóxicos, não tem nada parecido”, disse.

O presidente do BC também afirmou que a crise de confiança nas empresas X, do bilionário Eike Batista, não é preocupante e não teria dimensão para reduzir a concessão de crédito pelos bancos credores do grupo.

Por Marcela Ayres Edição de Cesar Bianconi

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