31 de Julho de 2013 / às 13:03 / em 4 anos

Vale contrata Andrade Gutierrez e estrangeiras para Serra Sul

Por Sabrina Lorenzi

Vista geral da área de extração de minério de ferro, maior mina do tipo no mundo, operada pela Vale em Carajás, no Pará. As obras civis de uma nova usina de beneficiamento na Serra Sul, em Carajás, maior projeto da história da Vale, começam nesta quarta-feira sob responsabilidade do grupo Andrade Gutierrez e contribuição de diversas outras empresas, incluindo australianas, informou o executivo responsável pelo empreendimento. 29/05/2012. REUTERS/Lunae Parracho

CARAJÁS, Pará, 31 Jul (Reuters) - As obras civis da usina de beneficiamento da Vale em Serra Sul, no Pará, começam nesta quarta-feira sob responsabilidade do grupo Andrade Gutierrez, ao lado de companhias estrangeiras que já trabalham na construção do principal projeto da história da maior produtora global de minério de ferro.

A construtora venceu licitação para as obras civis da planta de processamento de minério de ferro do projeto S11D e para a construção da extensão de um ramal ferroviário, em contratos avaliados ao todo em 1,5 bilhão de reais.

O empreendimento é o primeiro e mais promissor da Serra Sul, em Carajás, em plena selva amazônica, exigindo novas tecnologias de diversas empresas estrangeiras para reduzir impactos ambientais, fator importante para obtenção das licenças, informou o executivo responsável pelo empreendimento.

O negócio entre Vale e Andrade Gutierrez integra um conjunto de contratações incluídas no investimento de 8 bilhões de dólares para erguer mina e planta de processamento, somados aos 11,6 bilhões de dólares necessários para a construção de ferrovia e porto, num investimento total da mineradora de históricos 19,6 bilhões de dólares.

A primeiro contrato entre a Vale e a construtora, assinado no final de junho, é de 922 milhões de reais, para a execução das obras civis do ramal ferroviário com extensão de 50 km, que fará a ligação entre a usina e a Estrada de Ferro Carajás. O segundo, assinado no início de julho, tem o valor de 552 milhões de reais, para a construção da usina de beneficiamento.

MAIOR CAPACIDADE

Com 3 mil trabalhadores, o projeto S11D está previsto para iniciar produção em 2016, atingindo capacidade máxima em 2018, de 90 milhões de toneladas, equivalente ao que a Vale já extrai na região, nas minas ao norte da Serra dos Carajás.

A produção total de minério de ferro da Vale no Pará, quando S11D estiver em plena capacidade, será de 230 milhões de toneladas, incluindo os 40 milhões de toneladas do projeto Carajás Adicional, que deve ser implantado até o final do ano.

A produção atual do complexo de Carajás é de 109 milhões de toneladas anuais, cerca de um terço de todo o minério que a Vale produz.

TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Além da Andrade Gutierrez, outras empresas já avançam no canteiro de obras, com inovações que garantiram à Vale a obtenção das licenças ambientais necessárias ao megaempreendimento.

“Para não fazermos a usina dentro da floresta, que é o que impacta a vegetação, o minério vai descer por correias transportadoras num percurso de 9 quilômetros, até a usina, montada em uma área que até então abrigava pasto e já estava desmatada”, afirmou o diretor de Projetos Ferrosos Norte, Jamil Sebe, a um grupo de jornalistas, durante um voo sobre a área onde será aberta a mina.

Do alto é possível ver que não há vegetação sobre as reservas de minério de ferro, estimadas em cerca de 4 bilhões de toneladas. A mata não cresce sobre o ferro, pois não tem como fixar raízes, explicou o técnico.

Uma série de tecnologias foram previstas para que o minério possa ser transportado até a usina por correias e por cima da floresta, em estruturas suspensas.

O custo da Vale para reduzir o impacto ambiental com novos sistemas é estimado em 2 bilhões de dólares, incluídos no investimento do projeto, disse o executivo.

Sem as adaptações, a Vale não teria conseguido aval do Ibama para extrair minério de ferro de Serra Sul, uma cordilheira de 120 quilômetros de extensão que faz parte da Serra dos Carajás, incluída em uma área de preservação.

A tecnologia “truckless”, ou seja, sem os caminhões que normalmente são usados para transportar o minério neste percurso, está sendo implantada com participação da australiana WorleyParsons.

Segundo Sebe, outra novidade fundamental para convencer o órgão ambiental da viabilidade do projeto foi a técnica que permite o peneiramento do minério a seco, sem necessidade de usar água nem construir uma barragem de rejeitos, estrutura que costuma ser dor de cabeça para qualquer projeto de mineração.

Participam do desenvolvimento desta técnica as empresas Metso, da Finlândia, a Chenk e a Haver & Boecker.

A Vale também acertou com o Ibama o reflorestamento de uma área desmatada de milhares de hectares, ao lado da Serra Nacional dos Carajás, que poderá ser anexada ao parque preservado.

A área resgatada, segundo o gerente de Meio Ambiente Ferrosos de Ferrovia e Portos, Rodrigo Dutra, é maior que o desmatamento que será realizado para a execução do projeto S11D.

Das 187 cavernas existentes na área afetada pelo projeto, 35 serão removidas, das quais quatro ou cinco possuem vestígios arqueológicos, informou a empresa. O plano acertado com o Ibama também prevê recuperação de parte dessas áreas.

Para construir a usina de beneficiamento, a Vale comprou 56 fazendas fora do Parque Nacional da Serra dos Carajás, onde já não havia mais floresta.

A australiana Sinclair Knight Merz (SKM) foi contratada para a construção dos módulos da planta, uma outra inovação já adotada por petroleiras em plataformas marítimas. Com exceção das fundações, a estrutura da usina é modulada, e 68 dos 109 módulos já foram construídos.

Metade das placas de aço usadas na construção da usina vem de siderúrgicas chinesas e os demais 50 por cento no Brasil.

Apesar do elevado nível de importação de aço, o executivo afirmou que o conteúdo nacional do projeto é elevado, com reserva de pelo menos 5 por cento para empresas instaladas no Pará, como forma de compensar o Estado pela exploração de minério de ferro.

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