8 de Agosto de 2013 / às 16:54 / 4 anos atrás

Marfrig vê 2º semestre melhor com bovinos e food service

SÃO PAULO, 8 Ago (Reuters) - A Marfrig Alimentos prevê melhorar o desempenho no segundo semestre com um cenário externo favorável para bovinos e food service, operações que ganham maior peso após a venda da unidade Seara Brasil e da uruguaia Zenda à JBS, após três trimestres consecutivos de prejuízo, disse o presidente da Seara Foods nesta quinta-feira.

Trabalhador corta peça de carne em um matadouro da Marfrig Alimentos, em Promissao, São Paulo. A empresa prevê melhorar o desempenho no segundo semestre com um cenário externo favorável para bovinos e food service, operações que ganham maior peso após a venda da unidade Seara Brasil e da uruguaia Zenda à JBS, após três trimestres consecutivos de prejuízo, disse o presidente da Seara Foods nesta quinta-feira. 07/10/2011 REUTERS/Paulo Whitaker

“Esperamos manter um crescimento de receita perto de dois dígitos... A relação dólar/real vai favorecer as margens na exportação”, disse Sérgio Rial, que assumirá a presidência executiva da Marfrig em 2014 em conferência com jornalistas para comentar os resultados do trimestre.

A Marfrig é a segunda maior empresa do setor de bovinos no país.

A companhia registrou prejuízo de 160 milhões de reais no segundo trimestre, revertendo lucro de 15,5 milhões de reais em igual período do ano passado, número que exclui a Seara Brasil.

O prejuízo incluindo as operações descontinuadas --ou seja, incluindo a Seara Brasil-- somou 419 milhões de reais no período, refletindo aumento dos custos da companhia.

No primeiro trimestre do ano a Marfrig teve prejuízo de 81,2 milhões de reais e no quatro trimestre de 2012, prejuízo de 284 milhões.

“Vemos um segundo semestre no negócio de bovinos melhor do que no primeiro”, disse o executivo, referindo-se aos custos maiores registrados recentemente no segmento, por conta do aumento expressivo nos abates, que encareceram o valor da arroba do boi no trimestre.

Além disso, o resultado da empresa refletiu ainda o fechamento de duas unidades na Argentina, que vêm passando por reestruturação, com vistas ao programa de redução de custos da companhia.

O executivo afirmou ainda que após a venda da Seara, além da divisão de bovinos, a Marfrig vai reforçar as operações no segmento de food service (produtos para alimentação fora do lar), parte do negócio de processados da companhia, que no segundo trimestre representou cerca de 50 por cento de sua receita.

TRANSIÇÃO

O segundo trimestre foi considerado um período de transição, por incluir dados referentes à Seara Brasil e Zenda, que agora passam para a JBS.

Esta foi a primeira vez que a empresa detalhou o desempenho de suas unidades separadamente, como esperado pelo mercado. O documento detalhado mostrou o bom desempenho das operações internacionais. A receita da Keystone Foods, nos Estados Unidos, cresceu 12 por cento e a da Moy Park avançou 6 por cento ante o trimestre anterior.

“Acreditamos nos nossos negócios internacionais, especialmente na Ásia e na Europa”, afirmou Rial.

A Marfrig apurou receita líquida de 4,45 bilhões de reais, alta de 9,4 por cento sobre o segundo trimestre de 2012, mas o custo com produtos vendidos cresceu 13 por cento, a 3,96 bilhões de reais.

A empresa informou no balanço que registrou ganho não recorrente de 483 milhões de reais com a venda da Zenda, transferida para a JBS no segundo trimestre.

A dívida líquida da empresa fechou o trimestre em 8,77 bilhões de reais, praticamente estável sobre o nível apurado um ano antes. O caixa somou 2,3 bilhões, caindo ante aos 3 bilhões de reais do segundo trimestre de 2012.

Segundo a Marfrig, do total de dívidas, 82 por cento estão em moeda estrangeira, com custo médio crescendo no período de 7,76 para 7,82 por cento ao ano.

SEARA

A unidade Seara Brasil foi vendida para a JBS no início de junho, como parte de uma operação que incluiu a assunção de dívidas da ordem de 5,85 bilhões de reais.

Segundo Rial, deste total, 2,85 bilhões de reais em dívida bruta já foram transferidos para a JBS e ainda falta repassar 3 bilhões de reais.

A operação de venda para a JBS, considerada por analistas como positiva para a Marfrig, por seu impacto no endividamento, também permitirá à companhia a reduzir o nível de alavancagem para 3 vezes, contra mais de 4 vezes antes do negócio.

No terceiro trimestre, a relação dívida líquida/Ebitda já recuou para 3,8 vezes.

Questionado se a empresa pensa em refinanciar seus bonds, o executivo sinalizou que é uma operação que poderá ser realizada.

“Faz todo sentido (refinanciar bonds)... não temos uma transação para anunciar, mas faz todo sentido sim, o mercado está esperando por isso”, afirmou.

A Seara havia sido adquirida como parte de uma troca de ativos entre a Marfrig e a BRF, iniciada em dezembro de 2012 e a concluída em julho do ano passado.

Com a operação, a JBS atingiu a liderança global em aves e virou importante competidor da BRF, a maior em aves no Brasil.

Sobre um possível questionamento da BRF referente à venda do ativo, Rial afirmou que não vê impasse.

“Nós pagamos pelos ativos da BRF e não houve qualquer consulta nesse sentido. Havia determinadas limitações de vendas de marcas, mas o que foi vendido não foi uma marca, foi uma unidade. Então, não há qualquer consulta da BRF conosco nesse sentido”, disse.

CADE

A Marfrig espera para até setembro a aprovação do Cade, órgão antitrustre brasileiro, sobre a venda da Seara Brasil à JBS.

A venda da unidade Seara Brasil também reduz o volume necessário de investimentos da Marfrig no ano. Inicialmente, considerando o desembolso do primeiro semestre, a companhia investiria entre 900 milhões e 1 bilhão de reais, que deve ser reduzido para 500 milhões a 600 milhões de reais.

O executivo explicou que grande parte dos investimentos na Seara eram destinados às integrações entre avicultores e a Seara Brasil e atividade das granjas, valor que depende muito dos preços de grãos, principal insumo na alimentação das aves.

“Boa parte do Capex da Seara ia na integração, nas granjas... Isso deixa de existir no Brasil, por isso, tem redução importante no Capex”, explicou.

Reportagem de Fabíola Gomes

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