9 de Agosto de 2013 / às 13:54 / em 4 anos

Emprego na indústria fica estável em junho, horas pagas cai

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

Funcionários soldam tubos de cobre na metalúrgica Sociedade Paulista de Tubos Flexíveis em São Paulo. O emprego na indústria brasileira ficou estável em junho na comparação com maio, depois de ter registrado em maio a primeira queda mensal do ano, mas indicando que a instabilidade da produção dificulta uma aceleração no ritmo de contratações. 20/04/2012 REUTERS/Nacho Doce

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 9 Ago (Reuters) - O emprego na indústria brasileira ficou estável em junho na comparação com maio, depois de ter registrado em maio a primeira queda mensal do ano, mas indicando que a instabilidade da produção dificulta uma aceleração no ritmo de contratações.

Em maio, o emprego na indústria caiu 0,4 por cento, de acordo com dados revisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, após anunciar recuo de 0,5 por cento anteriormente.

Em relação ao mesmo mês de 2012, o total de pessoal ocupado na indústria recuou 0,4 por cento, 21º resultado negativo nesse tipo de comparação.

“O emprego industrial mostra uma estabilidade que já se vê ao longo de 2013, dando conta de um mercado de trabalho ligado à maior instabilidade e volatilidade na produção industrial”, disse o economista do IBGE, André Macedo. “Uma produção mais volátil não se traduz em contratações.”

Em junho, a produção industrial brasileira avançou 1,9 por cento, anulando a queda vista em maio. Entretanto, o comportamento irregular e a falta de confiança da atividade ainda provocam cautela e impedem uma retomada do otimismo.

“O crescimento na margem da produção não rebate necessariamente em contratações, até porque o mercado de trabalho atua com uma certa defasagem tanto para cima quanto para baixo”, acrescentou Macedo.

Segundo o IBGE, na comparação com junho de 2012, o contingente de trabalhadores sofreu redução em nove dos 14 locais pesquisados, sendo o principal impacto negativo da região Nordeste, com queda de 3,5 por cento.

O IBGE também destacou os resultados negativos no Rio Grande do Sul (-2,1 por cento), Bahia (-5,6 por cento) e Pernambuco (-5,9 por cento).

Por outro lado, Santa Catarina deu a principal contribuição positiva com alta de 1,4 por cento, enquanto São Paulo teve variação positiva de 0,1 por cento.

“São Paulo tem uma produção com melhor ritmo nos últimos meses e isso pode ter uma relação com o mercado de trabalho. É apenas um ligeiro sinal de melhora no principal Estado produtor do país que representa mais de 40 por cento da pesquisa”, destacou o economista do IBGE.

HORAS PAGAS

O IBGE informou ainda que o número de horas pagas caiu 0,6 por cento em junho em relação ao mês anterior, segunda taxa negativa seguida.

Sobre junho de 2012, o número de horas pagas recuou 0,4 por cento, após ficar estável em maio, sendo que as principais influências negativas vieram de calçados e couro (-6,5 por cento), outros produtos da indústria de transformação (-4,6 por cento), máquinas e equipamentos (-2,4 por cento) e produtos têxteis (-3,6 por cento).

Já o principal impacto positivo veio do setor de alimentos e bebidas, com alta de 2,1 por cento, seguido por meios de transporte (3,0 por cento) e borracha e plástico (3,2 por cento).

Apesar dos melhores sinais tanto da produção quanto do emprego na indústria em junho, as indicações futuras para o setor não são animadoras. Em julho, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) recuou 4,0 por cento, atingindo o menor nível desde julho de 2009.

Além disso, a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial apontou contração em julho pela primeira vez desde setembro, com redução da força de trabalho.

Edição de Alexandre Caverni

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