13 de Agosto de 2013 / às 10:19 / em 4 anos

Banco do Brasil eleva previsão de empréstimos para o ano

Por Natália Gomez

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil manteve sua estratégia de forte expansão do crédito no segundo trimestre mesmo em segmentos considerados de maior risco, como financiamento de veículos e para micro e pequenas empresas, e elevou suas previsões para o crescimento de empréstimos em 2013, na contramão de estratégia mais cautelosa adotada por rivais privados.

Ao anunciar lucro líquido de 7,47 bilhões de reais para o período, cerca de duas vezes e meia acima do resultado obtido um ano antes devido ao efeito da venda de ações da BB Seguridade, o BB informou aumento na estimativa da expansão do crédito no Brasil em 2013.

A previsão passou para 17 a 21 por cento (ante 16 a 20 por cento), com estimativas mais otimistas para crédito agrícola e para pessoa jurídica.

No segundo trimestre, a carteira ampliada de crédito do maior banco da América Latina cresceu 25,7 por cento sobre o ano anterior, para 686,63 bilhões, segundo resultados divulgados nesta terça-feira.

Um dos maiores avanços na carteira do BB foi o segmento de crédito agrícola, que avançou 33,2 por cento sobre junho de 2012, para 126,3 bilhões de reais.

Outros destaques foram segmentos considerados de maior risco, como financiamento para veículos, com alta de 12,4, e de crédito para micro e pequenas empresas, que avançou 24,8 por cento. Linhas mais seguras também cresceram. O financiamento imobiliário avançou 78,8 por cento na comparação anual, enquanto o crédito consignado teve alta de 13,3 por cento.

O forte avanço do crédito do BB contrasta com a expansão mais modesta dos bancos privados. No segundo trimestre, a carteira de crédito do Santander cresceu apenas 9 por cento; a do Itaú Unibanco subiu 7,6 por cento; e a do Bradesco cresceu 10,3 por cento.

Todos afirmaram que vêm adotando maior cautela na concessão de crédito para reduzir sua exposição a risco. No entanto, a inadimplência do BB ainda é inferior à média do Sistema Financeiro Nacional.

Mesmo com o crescimento fraco da economia, a inadimplência acima de 90 dias do banco estatal recuou no segundo trimestre, para 1,87 por cento, ante 2,19 por cento de um ano antes.

RESULTADOS

Sem considerar o efeito positivo da oferta de ações da BB Seguridade, que trouxe quase 10 bilhões para o balanço, o lucro líquido do banco caiu 11,8 por cento, para 2,63 bilhões de reais, mas ficou em linha com o esperado por analistas consultados pela Reuters.

O spread global, resultado da margem financeira gerencial dividida pelo saldo médio, passou para 4,6 por cento no segundo trimestre, ante 5,4 por cento em igual período de 2012, em meio aos esforços do governo para forçar redução de juros do sistema financeiro brasileiro e aumento do crédito, em uma estratégia liderada pelo BB e pela Caixa Econômica Federal.

O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) ajustado, medida de rentabilidade, também piorou, passando para 16,4 por cento, de 21,2, na comparação anual. Esta linha exclui os efeitos extraordinários sobre o lucro, como a venda de ações da BB Seguridade.

Outro dado negativo foi o resultado de tesouraria, que caiu 16,2 por cento ante o mesmo trimestre do ano passado, para 2,45 bilhões de reais. As despesas com provisões para calotes cresceram 14,8 por cento na comparação com o mesmo período de 2012, para 4,22 bilhões de reais.

Segundo o banco, as provisões aumentaram devido ao aumento da carteira de crédito e do maior montante de recuperação de perdas no segundo trimestre. Para o ano, o BB espera que as despesas com provisões fiquem entre 2,7 e 3,1 por cento da carteira, abaixo da previsão anterior de 3 a 3,4 por cento.

O banco fechou junho com ativos totais de 1,214 trilhão de reais, avanço de 15,5 por cento em relação a um ano antes.

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