20 de Agosto de 2013 / às 21:40 / 4 anos atrás

Minerva vê receita maior com aumento de abates e dólar favorável

Por Fabíola Gomes

Funcionário empacota carne em abatedouro em Promissão, 500 quilômetros a noroeste de São Paulo. 7/10/2011 REUTERS/Paulo Whitaker

SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - O abate de bovinos no Brasil, maior exportador global de carne bovina, deve crescer 11 por cento em 2013 e atingir um recorde, com o câmbio estimulando negócios para exportação e um forte mercado interno, o que deverá elevar receitas de empresas do setor como a Minerva Foods, disseram executivos da companhia.

“Vemos 15 por cento de crescimento no faturamento ante 2012, isso com maior compra de carne de terceiros e aumento de abate”, disse o diretor-presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, em entrevista a jornalistas em Barretos, no interior de São Paulo.

A Minerva Foods é a segunda maior exportadora de carne bovina do país atrás da gigante JBS, maior produtor global de carnes.

A receita bruta da Minerva, terceira produtora de carne bovina, atrás de JBS e Marfrig, foi de 4,65 bilhões de reais em 2012.

Cerca de cerca de dois terços do faturamento da Minerva --com oito unidades industriais no Brasil, uma no Paraguai e outra no Uruguai-- vem das vendas externas.

O presidente da Minerva Foods acrescentou que a companhia vem se beneficiando de um dólar forte, que torna o produto brasileiro mais competitivo.

“Com um dólar a 2,40 real, o nosso boi custa metade do que nos EUA... Estamos muito competitivos, e em todos os mercados”, disse o presidente.

O dólar está sendo negociado nos maiores valores em mais de quatro anos atualmente.

A Minerva comercializa seus produtos para cerca de 100 países.

ABATES EM ALTA

“Estamos em ano recorde de oferta de animais para abate, mas os preços seguem sustentados porque tem uma demanda muito forte, que está se refletindo na cadeia toda. O preço é carregado pela demanda”, disse o gerente para a área de pesquisa da Minerva Foods, Fabiano Tito Rosa.

Ele lembrou que depois da forte alta no preço da arroba, que atingiu valores recordes no segundo semestre de 2011, elevando os custos de produção, o setor agora busca recuperar as margens.

O executivo da companhia ressaltou que as exportações brasileiras de carne seguem fortes neste ano, com volumes acima da média de 2007, ano em que o país registrou exportação recorde.

“O Brasil voltou a exportar mais de 100 mil toneladas... Considerando os números até o momento, em agosto poderá atingir 106 mil toneladas”, disse Tito Rosa. Em julho, o Brasil embarcou 105 mil toneladas.

Segundo ele, a demanda externa forte e um mercado interno sustentado têm levado a recordes no abate de bovinos no Brasil.

Os dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) sobre abates de bovinos apontaram um crescimento de 7 por cento em 2012 para um nível recorde.

Considerando os dados levantados pelo SIF, Tito Rosa estima que o país segue para outro recorde, crescendo 11 por cento.

Com a situação de boa disponibilidade de animais para abate, o preço do boi no Brasil está 21 por cento menor em relação a concorrentes importantes, como os Estados Unidos, o que vem justificando o aumento de abates.

Atualmente, o valor da arroba bovina oscila perto de 50 dólares no Brasil, enquanto nos EUA está perto de 90 dólares.

BETAGONISTAS

O Brasil também pode se beneficiar do impasse em relação ao uso dos betagonistas nos Estados Unidos, um aditivo promotor do crescimento, desde que a Tyson Foods suspendeu seu uso.

O executivo ressaltou que os betagonistas enfrentam resistências em importantes mercados, como Rússia, União Europeia, Irã, que não aceitam o seu uso.

O produto tem sua comercialização proibida no Brasil para a pecuária de corte.

“A partir do momento que a gente não usa (os betagonistas), acaba sendo beneficiado”, disse Galletti.

Já o gerente da área de pesquisa, Tito Rosa, observou que o benefício ocorre indiretamente. Ele explica que cerca de 60 a 80 por cento do rebanho norte-americano é tratado com o aditivo, e uma eventual restrição do uso teria um impacto na produtividade e, por consequência, na competitividade do país nos mercados externos.

Ele ponderou que o Brasil não tem acesso aos principais mercados dos EUA, como Japão, Coreia do Sul e México. Mas vê algum possível benefício em Hong Kong, também importante mercado para os EUA.

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