29 de Agosto de 2013 / às 00:23 / em 4 anos

BC eleva juro básico a 9% ao ano para conter a inflação

BRASÍLIA, 28 Ago (Reuters) - O Banco Central elevou nesta quarta-feira a taxa básica de juros Selic em 0,50 ponto percentual, para 9 por cento ao ano, indicando que deve manter o atual ritmo de aperto monetário para conter a inflação, em um momento em que o dólar sobe em relação ao real.

A duração do atual ciclo de aperto monetário, no entanto, dependerá do comportamento do câmbio e da economia brasileira daqui para frente, avaliam analistas.

Ao explicar a decisão de aumentar pela quarta vez seguida a Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC repetiu o comunicado utilizado nas duas últimas reuniões, dando a entender ao mercado de que elevará novamente a taxa em 0,5 ponto percentual na próxima reunião, em outubro.

“O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”, informou o Copom em comunicado.

A decisão unânime veio em linha com as expectativas do mercado. Pesquisa da Reuters mostrou na semana passada que 44 de 46 analistas previam alta de 0,50 ponto percentual da Selic na reunião desta quarta-feira.

“‘No news, is good news’. O fato de não ter tido nenhuma mudança em relação à expectativa é muito positivo... Acho que não era o caso do Copom fazer alguma coisa diferente e interromper essa paz. O câmbio talvez afete o tamanho do ciclo, não necessariamente o tamanho dos passos”, afirmou o economista do Santander Brasil Maurício Mola.

O atual ciclo de aperto monetário teve início em abril, depois que o índice oficial de inflação estourou o teto da meta do governo no acumulado em 12 meses em março. Na ocasião, o Copom tirou o juro da mínima histórica de 7,25 por cento, com uma alta de 0,25 ponto percentual, que foi seguida por aumentos de 0,50 ponto percentual.

Ainda que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha perdido força nos últimos meses, continua muito próximo do teto da meta de inflação, que é de 4,5 por cento com margem de tolerância de dois pontos para mais ou menos. Em julho, o IPCA fechou em alta de 6,27 por cento em 12 meses.

O comportamento do dólar, que acumula alta superior a 17 por cento desde maio e bateu em 2,45 reais recentemente, tem sido mais um fator de preocupação com a inflação, pois, além de elevar o preço dos produtos importados em geral, coloca pressão para um aumento dos preços dos combustíveis no mercado interno.

Com a recente disparada do dólar, as expectativas sobre um processo de aperto monetário mais longo começaram a ganhar força, e as instituições consultadas pelo BC para o boletim Focus que mais acertam no médio prazo passaram a prever que o ciclo de elevação do juro se encerre apenas em janeiro de 2014, quando a Selic chegaria a 10 por cento.

“(A decisão do Copom) veio em linha com o esperado. Sem alteração no comunicado, sugere que o ritmo de aperto monetário vai continuar e que o desejo de ver a inflação caindo em 12 meses ainda é válido. Significa que (o BC) vai acompanhar os dados e decidir de acordo”, afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem o Copom fará mais duas altas de 0,5 ponto percentual na Selic, encerrando o ano a 10 por cento.

Além do dólar e da inflação, o Banco Central também está de olho no desempenho da economia brasileira, que ainda não deslanchou, abalada pela queda na confiança na política econômica. Nesta sexta-feira, será divulgado o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, e dependendo do resultado pode mudar a expectativa em relação ao aperto monetário.

“Todo mundo vai precificar (alta de) 0,50 ponto na curva de juros para (a reunião de outubro do Copom). Mas significa que vai dar 0,50 por cento? Talvez não porque podemos ter uma atividade mais fraca, teremos um sinal importante com o PIB na sexta-feira... À luz do que se tem hoje, o BC mantém o ritmo”, ponderou o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel dos Santos.

Mas mesmo que o PIB apresente uma melhora no segundo trimestre, o próprio governo acredita que no terceiro trimestre a economia irá desacelerar ante o período imediatamente anterior.

De acordo com uma importante fonte da equipe econômica, a economia fragilizada neste momento influencia mais o comportamento dos preços do que a disparada do dólar ante o real. Essa realidade, no entanto, pode mudar daqui a “um, dois ou três meses”, disse a fonte à Reuters.

Outro fator que será levado em consideração daqui para frente são os próximos passos do Federal Reserve, banco central norte-americano, sobre quando começará a reduzir seu programa de estímulos, dúvida que tem afetado os mercados financeiros mundiais. O Fed se reúne em setembro e muitos acreditam que ele pode começar a retirar seu programa no mês que vem.

Reportagem de Luciana Otoni e Anthony Boadle

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