6 de Setembro de 2013 / às 21:06 / 4 anos atrás

Abilio faz acordo com Casino e sai do Pão de Açúcar

Por Cesar Bianconi e Marcela Ayres

O empresário Abilio Diniz concede entrevista coletiva em 10 de abril deste ano em São Paulo. Nesta sexta-feira, ele chegou a um acordo com o francês Casino e renunciou da presidência do Conselho de Administração do Pão de Açúcar. REUTERS/Nacho Doce

SÃO PAULO, 6 Set (Reuters) - O empresário Abilio Diniz chegou a um acordo com o francês Casino e renunciou da presidência do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, encerrando mais de dois anos de conflitos entre os dois principais sócios da maior varejista do Brasil.

Abilio aceitou abrir mão de todos os direitos políticos que tinha no Pão de Açúcar, fundado por seu pai há 60 anos e controlado pela família Diniz até junho de 2012.

O empresário receberá 1 ação preferencial (sem direito a voto) do Pão de Açúcar detida pelo Casino por cada ordinária (com voto) que ele tem na Wilkes, holding de controle da varejista brasileira. A relação de troca é melhor para Abilio do que a de 0,91 que era prevista no acordo de acionistas.

A saída de Abilio do comando do Conselho do Pão de Açúcar foi antecipada à Reuters por uma fonte mais cedo nesta sexta-feira e põe fim a uma conturbada relação do empresário com o Casino. As duas partes também encerrarão todos os litígios que têm entre si.

“Esses dois anos de brigas, de lutas, não foram bons para ninguém”, disse o empresário a jornalistas, ao anunciar sua renúncia do posto de chairman da varejista.

Os conflitos entre Abilio e Casino começaram em meados de 2011, quando o empresário tentou unir as operações do Carrefour no Brasil ao Pão de Açúcar. O grupo francês acusou Abilio de tentar minar o acordo de acionistas na Wilkes.

No meio de 2012, Abilio transferiu o controle do Pão de Açúcar ao Casino, como previa o contrato firmado anos antes com o grupo francês, permanecendo como presidente do Conselho da varejista.

As relações nunca voltaram a ser harmoniosas e as desavenças se agravaram neste ano, quando o empresário foi eleito para ser o chairman da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil e que tem o Pão de Açúcar como principal distribuidor de produtos no mercado interno.

O Casino via conflito de interesse no acúmulo da função de chairman por Abilio no Pão de Açúcar e na BRF e insistia para que o empresário renunciasse ao cargo na rede de supermercados.

O futuro chairman do Pão de Açúcar ainda precisará ser eleito, mas um candidato natural para assumir o posto é Ronaldo Iabrudi, diretor e representante do grupo varejista francês no Brasil.

SÓCIO MINORITÁRIO

Abilio vai receber 19,375 milhões de ações preferenciais do Pão de Açúcar em troca de igual número de papéis ordinários que possui da Wilkes. O acordo de acionistas da Wilkes foi rescindido e o empresário está liberado da cláusula que o impedia de competir com a rede varejista. O aluguel de imóveis de Abilio ao Pão de Açúcar permanece inalterado, nos termos firmados em 2005.

Com a operação de troca de ações, o empresário elevará dos atuais 2,5 para quase 9 por cento sua participação no capital preferencial do Pão de Açúcar.

Após transferir o controle da varejista ao Casino, no ano passado, Abilio reduziu de forma significativa sua presença no capital da varejista. Em apenas três leilões de venda de ações preferenciais em seu portfólio desde o fim de 2012, ele embolsou mais de 2,5 bilhões de reais.

Abilio disse que considera o investimento no Pão de Açúcar “excelente” e que não planeja novas vendas de ações preferenciais.

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