26 de Setembro de 2013 / às 12:41 / 4 anos atrás

Desemprego no Brasil cai a 5,3% em agosto; rendimento volta a subir

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 26 Set (Reuters) - A taxa de desemprego brasileira caiu para 5,3 por cento em agosto, melhor resultado desde dezembro, com o rendimento da população voltando a subir após cinco meses de queda.

“Houve uma inflexão da curva do desemprego com entrada de pessoas no mercado do trabalho e redução na desocupação, mas não dá para dizer que o mercado está bom porque ainda temos quase 1,3 milhão de pessoas na fila do emprego”, disse o pesquisador do IBGE, Cimar Azeredo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população ocupada cresceu 0,4 por cento em agosto na comparação com julho e aumentou 1,2 por cento ante o mesmo período do ano passado, totalizando 23,225 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas avaliadas.

Já a população desocupada chegou a 1,296 milhão de pessoas, queda de 6,0 por cento ante julho, e alta de 0,6 por cento sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.

A população ocupada aumentou em 90 mil pessoas entre julho e agosto, enquanto a desocupação teve queda de 83 mil pessoas. “O contingente de desocupados foi absorvido pela ocupação e pelas pessoas que vieram da inatividade”, disse Azeredo, lembrando que o total de inativos caiu 0,1 por cento em agosto, uma queda de 11 mil pessoas.

A taxa de desemprego de 5,3 por cento é também a melhor para os meses de agosto desde o início da série histórica em 2002, junto com 2012. Em julho, ela estava em 5,6 por cento.

Em dezembro do ano passado, o desemprego havia atingido a mínima histórica de 4,6 por cento, num momento sazonalmente favorável pelas festas de fim de ano.

O número divulgado nesta quinta-feira ficou abaixo da expectativa mais otimista em pesquisa da Reuters, cuja mediana de 24 projeções apontou que a taxa se manteria em 5,6 por cento.

Em São Paulo, região com peso de quase 42 por cento na pesquisa, a taxa de desemprego recuou de 5,8 para 5,4 por cento, e o total de ocupados superou o contingente de desocupados.

Já a indústria voltou a fechar vagas em agosto e apresentou queda de 0,9 por cento, ou menos 33 mil pessoas. Em relação a agosto do ano passado, a retração na indústria foi de 2,6 por cento, ou 98 mil pessoas.

RENDA

Por sua vez, o rendimento médio da população ocupada subiu 1,7 por cento no mês passado ante julho, e avançou 1,3 por cento sobre agosto de 2012, atingindo 1.883,00 reais, favorecida pela inflação mais branda. Foi a primeira alta do rendimento depois de cinco quedas seguidas.

Esse resultado, entretanto, liga um sinal de alerta para a inflação, que continua bem longe da meta do governo, principalmente diante dos já visíveis impactos da recente valorização do dólar tanto sobre os preços.

“(Os números) sugerem que o mercado de trabalho deve permanecer apertado no horizonte relevante, mantendo --e eventualmente elevando-- as pressões sobre os salários nominais”, avaliou o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman.

“Se alguém esperava qualquer melhora nas pressões inflacionárias do mercado de trabalho, agora seria um bom momento para repensar a questão”, completou.

O IPCA-15 acelerou a alta em setembro para 0,27 por cento, sob contínua pressão da desvalorização do real.

Se não ajuda do lado da inflação, a melhora no mercado de trabalho ajuda no desempenho da economia.

“Sugere que teremos maior contribuição do consumo privado para o PIB do terceiro trimestre, compensando a redução que esperamos dos investimentos”, disse o economista do BBVA Enestor dos Santos.

O mercado de trabalho brasileiro --uma das principais âncoras do governo da presidente Dilma Rousseff-- vem se sustentando apesar da fragilidade da recuperação econômica brasileira.

Favorecido pelo setor de serviços e comércio, o Brasil registrou em agosto abertura de 127.648 vagas formais de trabalho, 26,5 por cento maior que em igual mês de 2012, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Reportagem adicional de Silvio Cascione

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