8 de Outubro de 2013 / às 22:04 / 4 anos atrás

Obama condiciona negociação fiscal a fim de ameaças republicanas

Por Roberta Rampton e Tim Reid

O presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a paralisação do governo federal durante coletiva de imprensa na Casa Branca em Washington, EUA. 8/10/2013 REUTERS/Kevin Lamarque

WASHINGTON, 8 Out (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, intensificou na terça-feira a pressão política sobre os republicanos, dizendo que só aceitará negociar uma solução para o impasse fiscal se a oposição aceitar reabrir os órgãos federais e elevar o limite da dívida pública sem pré-condições.

Em entrevista coletiva, Obama se mostrou resoluto ao dizer que não irá negociar formas de tirar o país do impasse fiscal sob ameaça “das partes mais extremas do Partido Republicano”.

“Se os republicanos razoáveis quiserem conversar sobre essas coisas novamente, estou pronto para ir até o Congresso e tentar”, disse Obama a jornalistas.

“Mas não vou fazer isso até que as partes mais extremas do Partido Republicano parem de pressionar John Boehner (presidente da Câmara) a fazer ameaças sobre nossa economia. Não podemos tornar a extorsão uma parte rotineira da nossa democracia.”

Antes de fazer as declarações, Obama telefonou para o republicano Boehner, que havia adotado um tom um pouco mais conciliador nas suas declarações à imprensa após uma reunião com a bancada republicana da Câmara dos Deputados.

“Não há limites aqui. Não há nada sobre a mesa, não há nada fora da mesa”, disse Boehner, sem fazer alusão as suas recentes exigências para que Obama adiasse parte da entrada em vigor do seu programa de saúde pública, em troca da aprovação do orçamento para o ano fiscal iniciado em 1º. de outubro.

Os deputados republicanos saíram da reunião insistindo na necessidade de discutir com Obama uma redução do déficit como condição para a elevação do teto da dívida pública federal. Alguns, no entanto, admitiram a hipótese de aprovar uma legislação temporária para evitar uma moratória da dívida pública.

“Se tivermos uma negociação e um marco estabelecido, podemos provavelmente chegar a uma forma de elevar o teto da dívida enquanto a negociação progride. Mas ninguém vai elevá-lo antes de haver uma negociação”, disse o deputado republicano Tom Cole.

Sem um orçamento aprovado, vários órgãos públicos estão fechados há oito dias. O impasse orçamentário acabou contaminando a discussão sobre a elevação do teto da dívida, que atualmente é de 16,7 trilhões de dólares. O secretário do Tesouro, Jack Lew, identificou o dia 17 de outubro como prazo para essa elevação.

O risco de uma moratória da dívida norte-americana gera temores de um caos financeiro global. “Se houver um problema em elevar o teto da dívida, pode acontecer de a atual recuperação (econômica mundial) se tornar uma recessão ou até pior”, disse o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard.

Depois da entrevista de Obama, Boehner disse que é “insustentável” para o presidente continuar a rejeitar os pedidos dos republicanos para negociar uma redução do déficit em troca da elevação do limite da dívida do país e do restabelecimento do financiamento ao governo.

“Ao final das contas, o resumo disso é: haverá uma negociação aqui. Não podemos elevar o teto da dívida sem fazer alguma coisa a respeito do que está nos levando a pegar mais dinheiro emprestado e a viver acima dos nossos meios”, disse Boehner a jornalistas.

PORTO SEGURO

Uma autoridade sênior do Tesouro dos Estados Unidos disse que se o Congresso não reabrir o governo e elevar o teto da dívida, a reputação internacional dos EUA como porto seguro e centro financeiro corre risco.

“Não podemos nos tornar uma nação onde a ameaça de default é repetidamente usada sem gerar danos permanentes à reputação dos EUA e elevar o custo do crédito para negócios e famílias, e para nosso governo”, disse a autoridade a jornalistas nesta terça-feira, antes de reunião de autoridades de finanças do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo, em Washington ainda nesta semana.

A autoridade, falando sob condição de anonimato, disse que também é mais difícil promover no exterior os interesses dos EUA enquanto o governo permanece paralisado e com a ameaça de default pairando sobre a nação.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse que vai apresentar um projeto de lei “puro” ainda nesta terça-feira para elevar o teto da dívida do país.

Reid afirmou que o projeto não terá exigências políticas de qualquer partido anexado a ele. O projeto não terá “penduricalhos anexados”, disse.

CRISE FISCAL

O ministro das Finanças do Japão disse que um fracasso dos EUA em resolver rapidamente o seu impasse político sobre as finanças do governo poderia prejudicar a economia global.

“Os EUA devem evitar uma situação em que não podem pagar (sua dívida) e que sua classificação triplo A seja cortada de repente”, o ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, a repórteres após uma reunião de gabinete nesta terça-feira.

“Os EUA devem estar plenamente conscientes de que, se isso acontecer, os EUA cairiam em crise fiscal ”, disse ele , no mais recente sinal de que o Japão e a China, os maiores credores estrangeiros dos EUA, estão preocupados com a crise fiscal possa prejudicar seus trilhões de dólares investidos em títulos do Tesouro norte-americano.

Pesquisas mostram a crescente preocupação pública sobre o impasse, com os republicanos levando um pouco mais da culpa.

Apesar dos avisos difundidos sobre a não elevação do limite da dívida, alguns deputados republicanos rejeitam a perspectiva de um default dos EUA.

“Não há nenhuma maneira de default. Há dinheiro suficiente entrando no Tesouro para pagar juros e rolar o principal”, disse o deputado Justin Amash de Michigan, um dos membros da ala Tea Party do Partido Republicano.

Questionado sobre os alertas de consequências catastróficas se o limite da dívida não for aumentado, Amash disse aos repórteres: “Eu digo categoricamente que não é verdade o que estão dizendo.”

Reportagem adicional de David Lawder, Richard Cowan, Caren Bohan, Jeff Mason, Matt Spetalnick e Mark Felsenthal

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below