9 de Outubro de 2013 / às 12:24 / 4 anos atrás

IPCA acelera a 0,35% em setembro, mas recua a 5,86% em 12 meses

Por Rodrigo Viga Gaier e Tiago Pariz

RIO DE JANEIRO, 9 Out (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,35 por cento em setembro, pressionado pelos preços de transportes e habitação, além de sentir o efeito da alta do dólar em relação ao real.

No acumulado de 12 meses, no entanto, o IPCA desacelerou para 5,86 por cento, na primeira vez no ano que ficou abaixo dos 6 por cento, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), poucas horas antes de o Banco Central definir o novo nível do juro básico.

Os dois resultados ficaram em linha com as expectativas do mercado, segundo pesquisa da Reuters, e reforçam a perspectiva de que o BC vai continuar seu ciclo de aperto monetário.

Embora a maior alta, e consequentemente o maior impacto sobre o índice, tenha vindo do grupo Habitação (respectivamente 0,62 por cento e 0,09 ponto percentual), a aceleração mais forte se deu no grupo Transportes, que passou de queda de 0,06 por cento para alta de 0,44 por cento. Se em agosto Transportes teve impacto de -0,01 ponto no indicador, agora ele foi positivo em 0,08 ponto percentual.

“O impacto da redução na tarifa de ônibus definitivamente se esgotou”, frisou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Após protestos em todo o país, prefeituras recuaram em aumentos nas tarifas de ônibus e o item chegou a cair 3,32 por cento em julho. Em agosto a queda foi de 0,20 por cento e agora, em setembro, ficou estável.

Isso somou-se à alta de 16,09 por cento das passagens aéreas --maior impacto individual no índice do mês com 0,08 ponto percentual-- e compensou os recuos de 1,31 por cento nos preços do etanol e de 0,26 por cento na gasolina.

SERVIÇOS E DÓLAR

A inflação de serviços voltou a subir em setembro com variação de 0,63 por cento, ante 0,60 por cento em agosto. Em 12 meses, ela atinge 8,73 por cento, bem acima da variação do IPCA no período, segundo o IBGE.

“A persistência/inércia da inflação de serviços continua sendo uma fonte de preocupação”, afirmou o economista-sênior do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em nota. “No geral, o Banco Central está bem longe de ancorar de forma crível a atual e a expectativa de inflação para a meta de 4,5 por cento”, emendou, citando o núcleo da inflação que subiu 0,46 por cento na comparação mensal.

Outro sinal de que o IPCA continua pressionado é sua difusão, embora ela tenha caído ligeiramente no mês passado para 57,8 por cento, ante 58,6 por cento em agosto, segundo nota de analistas do Banco Fator.

Analistas avaliaram ainda haver fatores que podem surgir como pressão extra, como a alta do dólar e o esperado aumento nos preços dos combustíveis.

“O principal risco para a inflação no resto do ano vem da atual desvalorização do real para a inflação e o aumento nos preços da gasolina”, afirmou o Credit Suisse em nota.

Em setembro, o dólar acumulou queda de 7 por cento em relação ao real, mas ainda está em alta de 8,45 por cento no ano.

O grupo Alimentos foi o que mais refletiu em setembro a alta recente do dólar. Itens como carnes, frango, farinhas, massas e, principalmente o pão francês, foram pressionados pela alta da moeda norte-americana.

“Temos aí efeito do dólar mais alto e também dos problemas de safra na Argentina. O Brasil importa cerca de metade do trigo que consome”, disse a economista do IBGE.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que o governo continuará atento sobre o mercado de câmbio e reconheceu que a alta do dólar também se refletiu nos preços.

“Há um conjunto de fatores que explica eventuais pontos de inflação mais alto ou mais baixo e principalmente o reposicionamento do câmbio tem reflexo. Vemos que há necessidade sempre presente de estarmos atentos”, disse o secretário a jornalistas, ao comentar a divulgação do IPCA.

Apesar do recuo da inflação em 12 meses em setembro, a alta mensal do IPCA foi a maior desde maio. Com os números divulgados pelo IBGE, as expectativas do mercado devem se confirmar e o Comitê de Política Monetária do BC deve elevar nesta noite a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto percentual a 9,5 por cento. E crescem as avaliações de que a Selic poderia chegar a dois dígitos.

Depois da divulgação dos dados do IPCA, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar que o governo não vai descuidar do controle da inflação, acrescentando que os preços devem subir mais no fim do ano por conta da sazonalidade desfavorável.

“A inflação está sob controle... Isso não significa que vamos descuidar para impedir que a inflação volte a subir e atrapalhe o bolso do brasileiro”, afirmou.

Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro, e Luciana Otoni

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