11 de Outubro de 2013 / às 23:55 / 4 anos atrás

América Latina deve abraçar a depreciação cambial, dizem autoridades

WASHINGTON, 11 Out (Reuters) - Os países latino-americanos não devem temer a desvalorização cambial enquanto suas economias se ajustam a um ambiente de menor liquidez global e um crescimento mais lento em muitos mercados emergentes, disseram autoridades.

Muitos países em desenvolvimento têm sido punidos pelos investidores em meio a expectativa de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, irá em breve começar a reduzir seu programa de injeção de recursos no sistema financeiro global, que ajudou a deslocar recursos para mercados menos conhecidos.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, durante reunião em Washington, pediram aos países membros para aceitar o efeito amortecedor oferecido pelo regime de taxa de câmbio flutuante e não tentar demasiadamente resistir a tendência de desvalorização de suas moedas.

A América Latina, que na década de 1990 sofreu várias crises cambiais, está mais preparada para suportar as flutuações das taxas de câmbio do que no passado, graças ao bom nível das reservas internacionais, à menor dívida em dólar e à independência dos bancos centrais, que estão focados no controle da inflação, disseram autoridades.

“É uma mudança muito grande em comparação com 15 anos atrás”, disse o vice-presidente regional para a América Latina do Banco Mundial, Hasan Tuluy, em entrevista à Reuters.

“Ao contrário de antes, a depreciação provavelmente deve ter um efeito positivo sobre a competitividade e também um efeito fiscal positivo.”

Desde o início do ano, o sol peruano recuou quase 8 por cento e o real brasileiro e o peso colombiano caíram mais de 6 por cento. O peso chileno caiu 3,8 por cento e o mexicano recuou 1,8 por cento, de acordo com dados da Thomson Reuters.

A queda foi particularmente aguda depois de maio, quando o chairman do Fed, Ben Bernanke, indicou que o programa de estímulo monetário do banco central dos EUA poderia começar a ser reduzido até o fim do ano. As moedas latino-americanas ganharam um fôlego em setembro, quando o Fed decidiu que a economia dos EUA precisava de mais tempo para se recuperar.

O ministro das Finanças colombiano, Mauricio Cárdenas, disse que um rápido aumento nos custos de empréstimos nos Estados Unidos poderia ser uma ameaça para a recuperação de seu país, mas que o cambio flexível poderia atuar como um amortecedor.

“A primeira linha de defesa para as nossas economias é o câmbio flexível”, disse ele à Reuters.

O Banco Mundial disse que os países com grandes déficits em conta corrente experimentaram uma desvalorização cambial mais forte entre maio e setembro, sugerindo que os países mais dependentes do capital estrangeiro poderiam enfrentar uma pressão maior de depreciação, se os fluxos de capital se afastarem da América Latina.

Mas ele disse que a influência perturbadora causada pelo descasamento cambial, com o aumento do custo da dívida em moeda estrangeira subindo à medida que as moedas locais se desvalorizam, arrefeceu.

No biênio 2008/2009, as contas bancárias em moeda estrangeira foram se tornando menos comuns e as dívidas de famílias e empresas em dólares recuaram para 33 por cento, ante 45 por cento no início da década, disse o Banco Mundial em relatório.

Os países também reduziram sistematicamente a dívida soberana denominada em dólares para menos de 25 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e o sistema de metas de inflação adotado por bancos centrais enfraqueceu o efeito da desvalorização cambial sobre os preços, reduzindo a ameaça de inflação.

O FMI disse que os bancos centrais devem tentar intervir no mercado de câmbio apenas para suavizar a volatilidade, e não para manter as moedas artificialmente fracas. E disse que a desvalorização recente ajudou a alinhar as moedas com os fundamentos.

“Isso é bom para a economia como um todo”, disse o chefe para a divisão do Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner.

“Nós não vimos esse tipo de ansiedade que talvez estávamos habituados a ver nessas economias, há sete anos, há 10 anos, há 15 anos, quando o movimento na taxa de câmbio era sinal de que algo estava errado. Agora as pessoas realmente entendem que a taxa de câmbio pode se mover em ambos os sentidos, e que às vezes o movimento é exagerado e volta a um nível normal.”

Mas tanto o FMI como o Banco Mundial advertiram que a desvalorização cambial não é substituto para as reformas estruturais necessárias para aumentar a produtividade e a competitividade.

“O grande desafio é a agenda de produtividade, você precisa ser capaz de obter um melhor retorno sobre seu esforço, cada peso ou cada dólar de investimento necessário para produzir um retorno melhor, e para isso você precisa voltar ao básico”, Tuluy disse.

Reportagem adicional de Alonso Soto; Tradução Redação São Paulo, +5511 56447719; RBS

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