31 de Outubro de 2013 / às 19:54 / em 4 anos

Dólar sobe quase 2% e vai a R$2,23, com Fed e BC

Por Bruno Federowski e Marília Carrera

SÃO PAULO, 31 Out (Reuters) - A perspectiva de que os Estados Unidos possam reduzir seu programa de estímulos em breve, a não rolagem integral dos swaps pelo Banco Central brasileiro e a briga pela formação da Ptax levaram o dólar a subir quase 2 por cento nesta quarta-feira, anulando toda a queda acumulada no mês até então e superando 2,23 reais no fechamento pela primeira vez desde o fim de setembro.

No entanto, analistas afirmam que a tendência é de a moeda norte-americana voltar a cair nas próximas sessões e se acomodar mais perto de 2,20 reais, uma vez que há expectativa de entrada de recursos do leilão de Libra e pela persistente ação do BC.

O dólar ganhou 1,93 por cento ante o real, para 2,2343 reais na venda, maior nível de fechamento desde 27 de setembro, quando ficou em 2,2575 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,8 bilhão de dólares.

Em outubro, a divisa dos EUA subiu 0,81 por cento ante o real mas, até a sessão anterior, acumulava queda de 1,10 por cento. No ano, o dólar avançou 9,10 por cento até outubro.

“O movimento de hoje (no câmbio) veio do fluxo de notícias”, resumiu o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, citando o fato de o BC não ter rolado integralmente os contratos de swap cambial tradicional --equivalente à venda futura de dólares-- que vencem nesta sexta-feira.

Na sessão anterior, o BC realizou o último leilão de swap para rolar os contratos com vencimento em 1º de novembro, não anunciando outro leilão nesta sessão. Considerando todos os seis leilões realizados, a autoridade monetária rolou 67 por cento dos contratos com vencimento no próximo mês, equivalentes a 8,87 bilhões de dólares.

O mercado interpretou como um sinal de que a autoridade monetária não quer que o dólar continue se depreciando. No entanto, também não quer que ela vá muito longe. “O mercado entende que para o BC, essa taxa de 2,20 reais é a mais apropriada para o dólar”, acrescentou Medeiros.

A valorização excessiva da moeda norte-americana tende a gerar pressão inflacionária, enquanto patamares baixos demais prejudicam a competitividade da economia brasileira ao encarecer exportações. Em outubro, o dólar caiu até o nível de 2,15 reais, momento em que o BC passou a atuar para evitar mais desvalorização ao não rolar os swaps integralmente.

Desde o final de agosto, a autoridade monetária tem feito intervenções diárias no mercado de câmbio, com leilões de swap cambial e de linha, a fim de evitar excesso de volatilidade.

O próximo vencimento de swaps tradicionais ocorrerá em 2 de dezembro deste ano, no valor equivalente a 10,11 bilhões de dólares. E o mercado deve ficar atento se o BC repetirá a estratégia desde mês.

“Agora, é esperar para ver se ele vai continuar nessa toada ou se vai voltar a rolar tudo”, disse o operador de um banco grande nacional.

Nesta manhã, o BC deu ainda mais um passo em seu programa de intervenções diárias, com a venda de 10 mil contratos com vencimento em 2 de junho de 2014. Os contratos com vencimento em 5 de março de 2014, também oferecidos pelo BC, não foram vendidos. O volume financeiro equivalente do leilão foi de 495,8 milhões de dólares.

Para alguns operadores, o mercado está sob a expectativa de entrada de recursos no país decorrente do leilão de Libra, que exige o pagamento de bônus de 15 bilhões de reais e deve contribuir para quedas do dólar ante o real. Na semana passada, a petroleira francesa Total informou que trará recursos de fora do país para pagar sua parcela no bônus do leilão de Libra, equivalente a 3 bilhões de reais.

DIA DE ALTAS

O dólar fortaleceu-se ante o real desde o início da sessão, impulsionado também pela briga de investidores para deslocar a Ptax para patamares favoráveis a suas apostas. Contudo, mesmo após a formação da taxa por volta das 13h, as notícias internacionais continuaram dando fôlego à divisa norte-americana.

“O pessoal puxou a cotação na hora da Ptax para tentar fazer um preço um pouco para cima. Mas também tem os dados da economia dos EUA, que desencadearam esse movimento”, afirmou o operador de câmbio da Renascença José Carlos Amado.

O ritmo de atividade empresarial no Meio-Oeste dos Estados Unidos saltou em outubro, superando as expectativas, mostrou nesta quinta-feira relatório do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) de Chicago. A medida de negócios do ISM de Chicago subiu para 65,9, ante 55,7 em setembro.

O resultado acabou alimentando expectativas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, possa começar a reduzir seus estímulos à atividade ainda neste ano. Na véspera, o Fed informou que continuará comprando 85 bilhões de dólares em títulos ao mês, mas destacou sinais de recuperação na maior economia do mundo.

A falta de clareza sobre o momento de redução do programa de estímulos do Fed deixou investidores “desconfortáveis, provocando um movimento de aversão ao risco” que levou muitos a se refugiarem no dólar, disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Contribuiu ainda para o avanço da divisa norte-americana as preocupações fiscais no Brasil, após a divulgação de déficit primário recorde para o setor público.

Segundo Medeiros, da Pioneer, o resultado fiscal quase impossibilita o cumprimento da meta de superávit do governo para o ano, de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), e prejudica a “credibilidade” do país frente aos investidores.

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