7 de Novembro de 2013 / às 11:54 / em 4 anos

IPCA acelera a 0,57% em outubro por Alimentação, mas reduz alta em 12 meses

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

Cliente pesa tomates em feira livre no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. Pressionado pelos preços de alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta a 0,57 por cento em outubro, mas em 12 meses a inflação mostrou desaceleração, em resultados melhores do que o esperado. De acordo com o IBGE, o principal responsável pelo resultado de outubro foi o grupo Alimentação e Bebidas, com alta mensal de 1,03 por cento, após 0,14 por cento em setembro, e representando 0,25 ponto percentual no mês, ou 44 por cento do índice. 4/05/2013. REUTERS/Nacho Doce

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 7 Nov (Reuters) - Pressionado pelos preços de alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta a 0,57 por cento em outubro, mas em 12 meses a inflação mostrou desaceleração, em resultados levemente melhores do que o esperado.

Em 12 meses até outubro, o IPCA chegou a 5,84 por cento, ante 5,86 por cento em setembro, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), menor variação desde dezembro de 2012, quando esteve no mesmo patamar.

Na comparação mensal, o índice atingiu o maior nível desde fevereiro, quando ficou em 0,60 por cento. Em setembro, o IPCA havia ficado em 0,35 por cento.

Pesquisa da Reuters apontava alta de 0,60 por cento na comparação mensal, acumulando 5,87 por cento em 12 meses.

Apesar dos resultados levemente melhores que o esperado, a inflação permanece perto do teto da meta do governo, que é de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais pelo IPCA.

Além disso, o índice de difusão mostrou avanço para 67,7 por cento, ante 57,8 por cento no mês anterior, o maior salto mensal desde agosto de 2011, segundo a Rosenberg Consultores Associados.

ALIMENTOS

O principal responsável pelo resultado de outubro foi o grupo Alimentação e Bebidas, por conta de problemas de oferta e alta do dólar. O grupo registrou alta mensal de 1,03 por cento, após 0,14 por cento em setembro, com impacto de 0,25 ponto percentual no mês, ou 44 por cento do índice.

O principal impacto no IPCA veio de carnes, com 0,08 ponto percentual após aumento médio de 3,17 por cento.

“O frango e as carnes, além de um período de entressafra e menor abate, apresentam aumento de custo provocado pelas rações, tem a ver também com o câmbio”, destacou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Tomate e refeição fora de casa também ajudaram a pressionar os alimentos, e os três itens juntos contribuíram com 0,16 ponto percentual.

”Há ainda o efeito da menor oferta de trigo no Brasil e maior importação do produto com um dólar mais alto, disse Eulina. “O Brasil teve que importar trigo e o trigo em alta espalha pela mesa do brasileiro afetando pão, macarrão e outros.”

Os alimentos já haviam dado indicações de maior pressão no mês passado, como apontado pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas e pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo, da Fipe.

Também se destacaram os preços de Habitação e de Vestuário, com impactos de 0,08 e 0,07 ponto percentual respectivamente, após registrarem avanço de 0,56 e 1,13 por cento.

O ponto favorável para a inflação, segundo o IBGE, foi a energia elétrica, com queda de 0,58 por cento em outubro ligada a mudanças nos cálculos de PIS, Cofins e Pasep.

No ano, a energia registra recuo de 17,27 por cento e em 12 meses, de 15,08 por cento.

“A inflação deste ano está muito relacionada ao comportamento dos alimentos e dos serviços como aluguel, condomínio e empregado doméstico, visto que os administrados estão bem comportados graças a energia”, completou Eulina.

POLÍTICA MONETÁRIA

De olho na alta dos preços, o Banco Central iniciou em abril passado ciclo de alta dos juros, que tirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento para o atual patamar de 9,5 por cento.

Como a inflação não dá sinais de arrefecimento, as expectativas são de que a Selic retorne ao patamar de dois dígitos ainda este ano, indo a 10 por cento na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 26 e 27 de novembro, de acordo com a pesquisa Focus do BC junto a economistas.

“Embora a inflação tenha vindo em linha com as estimativas, isso deve ampliar a tendência para outro aumento de 0,50 ponto percentual na Selic neste mês”, escreveu em nota o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwarstman, hoje sócio-diretor da Schwartsman & Associados.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o resultado do IPCA em outubro foi “normal” para a época do ano.

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