20 de Novembro de 2013 / às 13:02 / em 4 anos

ThyssenKrupp está perto de vender unidade nos EUA; brasileira CSA fica de fora de negócio

FRANKFURT, 20 Nov (Reuters) - A alemã ThyssenKrupp está se aproximando da esperada venda de sua unidade de aço nos Estados Unidos, tendo também chegado a um acordo para resolver uma ação judicial sobre a prática de cartel, abrindo caminho para a necessária captação de recursos no mercado.

As ações da maior siderúrgica da Alemanha, no entanto, operavam em queda de mais de 2 por cento, à medida que se torna claro que o acordo não inclui a venda da deficitária fábrica da empresa no Brasil, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA).

A ThyssenKrupp vem tentando há mais de um ano e meio encontrar comprador para a Steel Americas --composta pela unidade norte-americana e pela usina siderúrgica no Brasil--, negócio que vem drenando dinheiro da empresa nos últimos anos.

A transação vem em um momento em que os Estados Unidos vivem uma fase de reindustrialização com os preços baixos de energia incentivando os fabricantes a aumentar a produção.

Mas os problemas na Steel Americas são mais profundos do que o preço da energia. A operação tem sofrido porque foi subestimado o custo de suprir a planta do Alabama com placas de aço do Brasil, devido a problemas operacionais, a valorização da moeda brasileira e ao aumento dos custos trabalhistas.

Mais cedo nesta quarta-feira, a Thyssen afirmou que tinha concordado, a princípio, em pagar a estatal ferroviária alemã Deutsche Bahn compensações por seu papel em um cartel ferroviário, e que provisões já feitas devem cobrir o custo.

“A ThyssenKrupp está lentamente se movendo na direção certa”, disse o analista da Jefferies Seth Rosenfeld.

Três pessoas familiarizadas com o assunto disseram à Reuters que a ThyssenKrupp estava em negociações exclusivas para vender a fábrica em Calvert, no Estado do Alabama, para um consórcio formado pela ArcelorMittal e Nippon Steel. Uma das fontes disse que os interessados estavam propensos a pagar 1,5 bilhão de dólares pelo negócio.

“Eles estão perto de uma solução. Um acordo é possível na próxima semana ou na outra”, afirmou uma das pessoas à Reuters, nesta quarta-feira.

A ArcelorMittal reiterou que tinha interesse na planta, enquanto a Nippon Steel não quis comentar.

Às 10h27 (horário de Brasília), as ações da ThyssenKrupp operavam em queda de 2,4 por cento, a 18,9350, tornando-se a maior queda no índice DAX de ações blue chips da Alemanha nesta quarta-feira.

“Isso parece um pouco negativo para a ThyssenKrupp, pois está ... mantendo o problema (do Brasil). Além disso, o aumento de capital deve ser iminente”, disse o analista da MM Warburg Bjoern Voss.

Analistas disseram que a venda parcial da Steel Americas é melhor do que nada, mais que será uma decepção caso a unidade brasileira permaneça nos livros da ThyssenKrupp.

ThyssenKrupp detém 73 por cento da operação no Brasil, enquanto a mineradora Vale detém o restante.

Para a ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, a compra da planta Calvert faz sentido, disseram analistas, já que poderia abastecê-la com placas de aço a partir de sua laminadora no México, com menores custos de transporte do que aqueles incorridos pela ThyssenKrupp para embarques a partir do Brasil.

O valor contábil do Steel Americas como um todo recuou de mais de 7 bilhões de euros para 3,3 bilhões de euros , e analistas disseram que a venda da fábrica nos EUA sozinha pode gerar receitas de 1,5 bilhão a 2 bilhões de dólares.

ThyssenKrupp deve precisar fazer uma outra baixa contábil relativa a Steel Americas após o acordo.

A companhia já pediu a bancos para dispensar suas métricas de crédito (covenants) para não perder uma linha de crédito de 2,5 bilhões de euros no final de setembro, e disse que não iria fazer um aumento de capital até que tivesse resolvido a questão da Steel Americas e problemas de regulação interna.

Três fontes do setor financeiro com conhecimento do assunto disseram à Reuters que a ThyssenKrupp já está intensificando os preparativos para elevar seu capital em 10 por cento no curto prazo.

“Como esse movimento tem sido amplamente esperado, a Thyssen deve ser capaz de vender suas novas ações com um pequeno desconto, talvez em torno de 5 por cento”, disse uma das fontes.

Por Maria Sheahan e Arno Schuetze

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