3 de Dezembro de 2013 / às 20:34 / em 4 anos

Dólar sobe 1% e se aproxima de R$2,40 após decepção com PIB

Por Bruno Federowski e Marília Carrera

SÃO PAULO, 3 Dez (Reuters) - O dólar avançou 1 por cento nesta terça-feira, aproximando-se de 2,40 reais, após a retração maior do que a esperada da economia brasileira no terceiro trimestre reduzir o apetite dos investidores por ativos locais.

O dólar fechou em 2,3791 reais na venda, perto da máxima do dia, de 2,3800 reais, na terceira sessão consecutiva de alta. Segundo dados da BM&F, o volume de negociação foi de cerca de 1,7 bilhão de dólares.

Afetado sobretudo pela queda dos investimentos, o Produto Interno Bruto brasileiro encolheu 0,5 por cento no trimestre passado na comparação com o período anterior, o primeiro resultado negativo em mais de quatro anos.

“Os dados do PIB mostram que economia está crescendo em um ritmo mais moderado, com inflação alta, o que deixa nosso cenário pouco atraente para o investidor estrangeiro”, disse o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Para o economista-chefe da INVX Global, Eduardo Velho, a contração do PIB “torna-se um fato negativo adicional ao governo”, que já enfrenta a desconfiança dos investidores em relação à condução da política econômica.

O dólar operou em alta frente ao real durante todo o dia, mas ganhou fôlego na parte da tarde, impulsionado por fluxos pontuais de saída que tipicamente ocorrem no final do ano.

“Está se falando de uma grande compra de dólares. Além disso, neste momento do ano, começam a aparecer as remessas de dividendos, o que também puxa o dólar para cima”, afirmou o operador de um banco internacional.

Os ganhos do dólar também aumentaram após as cotações ultrapassarem a máxima intradia de 2,375 reais registrada no dia 5 de setembro. Superado esse patamar, o próximo nível de resistência passa a ser os 2,405 reais atingidos em 3 de setembro.

A alta do dólar ocorreu a despeito da constante atuação do Banco Central, que realizou nesta manhã mais uma etapa do seu programa de intervenções diárias, com a venda de 7 mil contratos de swap cambial com vencimento em 5 de março e 3 mil contratos com vencimento em 2 de junho de 2014. O volume financeiro do leilão foi de 497,9 milhões de dólares.

Segundo o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel, o clima doméstico de más notícias, aliado às persistentes saídas de dólares de fim de ano, pode levar o BC a intensificar a atuação no mercado de câmbio.

“Quando foi a última vez que houve uma notícia realmente boa sobre o país? O que acontece com isso é que, por menos impactante que seja a notícia, o impacto no mercado acaba sendo maior”, afirmou ele, que acredita que o BC deve fazer mais ofertas de dólares com compromisso de recompra à medida que se aproxima o fim do ano.

Após o fechamento, o BC anunciou para terça-feira mais um leilão de swap tradicional dentro do cronograma de intervenções diárias, com as mesmas condições do realizado nesta sessão.

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