20 de Dezembro de 2013 / às 11:24 / em 4 anos

BC vê PIB crescendo menos em 2013 e inflação perto de 6%

Por Patrícia Duarte

Funcionário checa cédulas de real durante visita de imprensa à Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro. O Banco Central reduziu nesta sexta-feira a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano a 2,3 por cento, ante 2,5 por cento previstos até então e manteve a indicação de que a atividade não vai acelerar em 2014, ao mesmo tempo em que praticamente não mudou sua perspectiva para a inflação em 2013 e 2014. 23/09/2012. REUTERS/Sergio Moraes

SÃO PAULO, 20 Dez (Reuters) - O Banco Central reduziu nesta sexta-feira a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano a 2,3 por cento, ante 2,5 por cento previstos até então e manteve a indicação de que a atividade não vai acelerar em 2014, ao mesmo tempo em que praticamente não mudou sua perspectiva para a inflação em 2013 e 2014.

Mas, ao manter no Relatório Trimestral de Inflação publicado nesta manhã importantes expressões sobre política monetária que tem usado, o BC deixou em aberto seus próximo passos, na avaliação de especialistas.

“As estimativas indicam que o ciclo (de aperto) está próximo do fim, que não vai muito além. Mas não sabemos quando exatamente vai parar. O Banco Central deixou as portas abertas”, afirmou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal.

No relatório de inflação, o BC manteve sua expectativa para o IPCA deste ano em 5,8 por cento pelo cenário de referência, que já leva em consideração a Selic a 10 por cento. Para 2014, houve pequena redução na estimativa, que passou a 5,6 por cento, ante 5,7 por cento, e calcula que em 2015, o indicador crescerá 5,4 por cento.

O BC voltou a repetir que os efeitos da política monetária nos preços ocorre com “defasagens” e que “deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante”.

A inflação em níveis persistentemente altos vem dificultando os esforços do governo para impulsionar a economia, que no terceiro trimestre encolheu 0,5 por cento, no pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2009, abalada principalmente pela queda dos investimentos.

Agora, o BC prevê que o PIB acrescerá 2,3 por cento em quatro trimestres até o terceiro trimestre de 2014, sinalizando que a economia brasileira não deve ganhar fôlego. No documento de setembro, a estimativa para até o segundo trimestre era de expansão de 2,5 por cento.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Em dezembro, o IPCA-15 --prévia da inflação oficial-- surpreendeu ao acelerar a alta mensal a 0,75 por cento, fechando o ano em 5,85 por cento.

Em abril o BC deu início a um ciclo de aperto monetário que tirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano para os atuais 10 por cento.

“Mantemos nossa expectativa de que o Copom realize mais um movimento de alta da taxa Selic, em janeiro de 2014, levando-a a 10,25 por cento. A trajetória desenhada no cenário de referência para o IPCA... sustenta nossa expectativa de retomada do ciclo de alta da taxa Selic ao final do próximo ano”, afirmou o economista-chefe do banco fator, José Francisco Gonçalves, em nota.

No mercado futuro de juros, os contratos de DIs eram negociados em alta, com os investidores divididos sobre o futuro da Selic: metade via mais uma alta de 0,5 ponto percentual em janeiro e a outra elevação mais modesta, de 0,25 ponto, segundo dados da Reuters.

DÓLAR EM ALTA

No relatório de inflação divulgado nesta manhã, o BC destacou ainda que a tendência vista nos mercados internacionais é de apreciação do dólar mas, ao mesmo tempo, o cenário é de maior crescimento global, “em particular de importantes parceiros comerciais do Brasil”. Assim, a depreciação do real ajuda a deixar “a dinâmica da demanda externa mais favorável ao crescimento da economia brasileira”.

O BC ressaltou ainda que tomando-se como base o cenário de continuidade de expansão da atividade econômica, a “arrecadação tende a ganhar impulso”. E também manteve sua avaliação que a política fiscal “pode se deslocar para a neutralidade no horizonte relevante para a política monetária”.

Reportagem adicional de Alonso Soto, em Brasília

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