23 de Janeiro de 2014 / às 11:24 / em 4 anos

Inflação mostra resistência maior, BC piora projeção para 2014--ata do Copom

Por Patrícia Duarte

Consumidores compram ovos em um mercado em São Paulo. O Banco Central avaliou que a inflação tem mostrado uma resistência "ligeiramente acima" do que se esperava e piorou seu cenário para a alta dos preços neste ano, preparando o caminho para manter o atual ritmo de aperto monetário no curto prazo. 28/04/2013 BRAZIL-INFLATION/REUTERS/Paulo Whitaker

SÃO PAULO, 23 Jan (Reuters) - O Banco Central avaliou que a inflação tem mostrado uma resistência “ligeiramente acima” do que se esperava e piorou seu cenário para a alta dos preços neste ano, preparando o caminho para manter o atual ritmo de aperto monetário no curto prazo.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, mostrou que o BC vê também em 2015 a inflação acima do centro da meta.

O BC voltou a reforçar que é “apropriada” a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias “ora em curso”, ponderando também que a transmissão dos efeitos das ações de política monetária ocorre com defasagens.

“O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava”, mostrou a ata.

Sob este cenário, o BC piorou suas projeções para a inflação em 2014 tanto no cenário de referência (Selic constante a 10 por cento e dólar a 2,40 reais) quanto no de mercado, permanecendo acima da meta do governo de 4,5 por cento pelo IPCA.

Em relação a 2015, também nos dois cenários, o Copom calculou a projeção de inflação acima do centro da meta. O objetivo oficial do governo é de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Ainda de acordo com a ata, o Copom projeta estabilidade nos preços da gasolina para o acumulado de 2014.

”(A ata) esteve um pouquinho mais ‘hawkish’, apesar dela não mudar muito na percepção, deixou a porta bem aberta para subida de 0,50 ponto percentual (em fevereiro, quando o Copom se reúne novamente), mas dependendo de cenário econômico, afirmou o economista sênior do Espirito Santo Investment Bank, Flavio Serrano.

Na semana passada, o Copom decidiu manter o ritmo de aperto monetário e elevar a Selic em 0,50 ponto percentual, a 10,50 por cento, diferentemente do que esperava parte dos agentes econômicos, que acreditava numa redução do ritmo de alta da taxa a 0,25 ponto.

O BC, no entanto, levou em consideração o fato de a inflação ter virado o ano ainda mostrando resistência e acima do que o próprio presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, esperava.

O IPCA fechou 2013 com alta de 5,91 por cento, frustrando o objetivo do governo de ver a inflação recuar sobre o ano anterior.

No comunicado após a decisão do Copom e que foi repetida na ata, a inclusão da expressão “neste momento” foi vista por analistas como um sinal de que o BC poderia reduzir o ritmo ou até mesmo encerrar o ciclo em breve, após sete altas seguidas na Selic. O atual ciclo foi iniciado em abril passado, quando ela estava na mínima histórica de 7,25 por cento.

Mas, na ata divulgada pela manhã, o tom do BC pareceu um pouco mais duro, o que abre espaço para a Selic subir novamente em 0,50 ponto percentual.

Nem mesmo a divulgação, pouco depois da ata, de que o IPCA-15, prévia da inflação oficial, havia subiu 0,67 por cento em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado, trouxe muito alívio.

“Acho que (o IPCA-15) não mexe na ata, ela não fica velha”, disse a economista da consultoria Tendências Alessandra Ribeiro.

“A abertura (do indicador) é muito preocupante e, como o BC destacou essa resistência da inflação, tem que olhar os detalhes”, acrescentou Alessandra, dizendo que o índice de difusão do IPCA-15 ficou em 74,8 por cento neste mês, acima dos 70,1 por cento do mês anterior.

Pesquisa Focus do BC mostra que a projeção dos analistas é de que o IPCA encerre 2014 a 6,01 por cento, enquanto a Selic iria a 10,75 por cento.

No mercado futuro de juros, pela manhã, as apostas indicavam 65 por cento de chance de a Selic ir a 11 por cento e, o restante, a 10,75 por cento.

ATIVIDADE

O cenário para este ano não é animador, com inflação sem ceder e atividade econômica sem dar sinais consistentes de recuperação. Os grandes vilões dos preços continuam sendo os serviços, mas ganharam o apoio dos preços administrados e do dólar.

Na ata, o Copom voltou a afirmar que a “depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos”, mas que seu repasse aos preços deve ser limitado pela “adequada condução da política monetária”.

O Copom informou que vê o ritmo de expansão da atividade doméstica “relativamente estável este ano, em comparação a 2013”, com cenário de mudanças na composição da demanda e da oferta agregada. Para ele, o consumo tenderia a continuar em crescimento, porém em ritmo mais moderado, aos mesmo tempo em que os investimentos ganhariam impulso.

Por outro lado, o BC passou a ver um cenário internacional mais positivo, “com perspectivas de atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante para a política monetária”. Na ata anterior, classificava que a perspectiva para a atividade global era “moderada, com tendência de intensificação”.

Reportagem adicional de Camila Moreira, em São Paulo, e Alonso Soto, em Brasília

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