30 de Janeiro de 2014 / às 10:15 / 4 anos atrás

Santander Brasil reduz calotes e sobe lucro no 4º tri, mas ações caem

Por Aluísio Alves e Alberto Alerigi Jr.

Agência bancária do Santander no Rio de Janeiro. O Santander Brasil, maior banco estrangeiro no país, anunciou nesta quinta-feira que teve lucro líquido recorrente de 1,409 bilhão de reais no quarto trimestre, queda de 12,3 por cento sobre igual período de 2012. 7/10/2009. REUTERS/Sergio Moraes

SÃO PAULO (Reuters) - Uma forte queda dos calotes e a retomada do crédito fizeram o Santander Brasil ter lucro acima do esperado no fim de 2013, após anos de baixa expansão e inadimplência alta, mas isso ainda não foi suficiente para agradar investidores.

O maior banco estrangeiro no país reportou lucro líquido recorrente de 1,409 bilhão de reais entre outubro e dezembro, queda de 12,3 por cento ante igual período de 2012, mas acima do esperado pela média de estimativas de 8 analistas ouvidos pela Reuters, que apontava para lucro recorrente 17,3 por cento menor, a 1,33 bilhão de reais.

O lucro líquido societário, base para o cálculo da remuneração de acionistas, do período foi de 500 milhões de reais, em linha com os 497 milhões apurado de julho a setembro.

“Os resultados do trimestre mostraram o começo de uma normalização do mercado de crédito”, disse nesta quinta-feira o presidente-executivo do banco, Jesús Zabalza, a jornalistas.

Ainda assim, a unit do grupo caía 1,54 por cento, a 11,54 reais, às 14h20, enquanto o Ibovespa cedia 0,14 por cento. Isso refletia a reação menos positiva de analistas, apontando alta acima da inflação entre o terceiro e o quarto trimestre e margens ainda contidas.

“O resultado espelhou o cenário de curto prazo que estimávamos”, escreveram analistas da Planner Corretora, em relatório a clientes.

A carteira de crédito do banco fechou 2013 em 227,48 bilhões de reais, alta anual de 7,3 por cento. O destaque foram empréstimos a grandes companhias, que subiram 19,3 por cento. Na outra ponta, os financiamentos para pequenas e médias empresas, que recuaram 7,6 por cento.

Segundo Zabalza, a desaceleração dos bancos públicos na concessão de crédito deve ser benéfica para os rivais privados e o Santander prevê que seu estoque cresça acima da média esperada para o mercado, de 14 a 16 por cento, em 2014.

Na pessoa física, o Santander Brasil teve alta de 5,9 por cento, a 75,5 bilhões de reais. O crédito para compra de veículos avançou 16,3 por cento, além de alta de 32,9 por cento nos financiamentos imobiliários. A modalidade de empréstimo consignado, considerada de risco menor, caiu 7,1 por cento.

As principais apostas do banco nos financiamentos são o agronegócio, segmento no qual espera elevar sua fatia de mercado dos atuais quatro por cento para pelo menos 10 por cento, a retomada do crédito consignado e o imobiliário.

Do terceiro para o quarto trimestre, a carteira total acelerou 2,4 por cento.

INADIMPLÊNCIA EM QUEDA

O índice de inadimplência do Santander Brasil, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, ficou em 3,7 por cento no quarto trimestre, queda de 1,8 ponto percentual ante 5,5 por cento no último quarto de 2012.

Diante disso e por prever que os calotes seguirão controlados nos próximos trimestres, a provisão para créditos de liquidação duvidosa (PDD) somou 2,449 bilhões de reais, redução de 20,9 por cento na comparação anual.

A margem financeira foi de 7,2 bilhões de reais, queda trimestral de 4,1 por cento, ainda refletindo spreads menores e aposta em produtos de menor risco, que oferecem margem menor. Porém, a combinação de retomada dos financiamentos e de queda na inadimplência levaram o banco à primeira alta da margem com crédito, após cinco trimestres seguidos de retração.

Apesar da melhora operacional e da qualidade dos ativos, o Santander Brasil de novo entregou queda na rentabilidade sobre o patrimônio (ROE), índice que mede como os bancos remuneram os recursos de seus acionistas.

No quarto trimestre, o índice foi de 10,5 por cento. Em igual etapa de 2012, o indicador fora de 12,2 por cento. De acordo com Zabalza, com a combinação de maior crescimento e da nova estrutura de capital, o banco deve caminhar para índices mais próximos dos de seus principais concorrentes privados.

O Santander Brasil pagou na véspera remuneração extra de 6 bilhões de reais, ligada a uma reestruturação anunciada em setembro, que trocou capital principal Tier 1 por capital complementar Tier 1 e Tier 2.

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