6 de Fevereiro de 2014 / às 15:13 / 4 anos atrás

BCE mantém juros em mínima recorde e coloca foco em previsões de março

Por Sakari Suoninen

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, fala durante a coletiva de imprensa mensal do BCE em Frankfurt. O BCE manteve a taxa de juros na mínima recorde nesta quinta-feira mas repetiu que permanece pronto para agir, admitindo que a turbulência nos mercados emergentes pode afetar a zona do euro. 06/02/2014 REUTERS/Ralph Orlowski

FRANKFURT, 6 Fev (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros na mínima recorde nesta quinta-feira mas repetiu que permanece pronto para agir, admitindo que a turbulência nos mercados emergentes pode afetar a zona do euro.

“Os acontecimentos nas condições dos mercados monetário e financeiro globais e incertezas relacionadas, com destaque nas economias dos mercados emergentes podem ter o potencial de afetar negativamente as condições econômicas”, disse Draghi em entrevista à imprensa após o BCE manter a taxa de juros em 0,25 por cento.

Ele ainda afirmou que a inflação na zona do euro ficará baixa por período prolongado.

“O motivo da decisão de hoje de não agir tem realmente a ver com a complexidade da situação... e a necessidade de adquirir mais informação”, completou.

A forte desaceleração da inflação na zona do euro para 0,7 por cento em janeiro, muito aquém da meta do BCE de pouco abaixo de 2 por cento, deixou as autoridades mais decididas, particularmente dado que as turbulências em emergentes podem pôr mais pressão para baixo nos preços.

O BCE também deixou a taxa de depósito que paga aos bancos em zero e a taxa de empréstimo em 0,75 por cento.

Se persistirem os problemas em mercados emergentes, uma ação é mais provável no mês que vem, quando os funcionários do BCE também irão produzir novas estimativas econômicas. Se eles reduzirem sua estimativa de inflação, já em apenas 1,2 por cento para 2014, uma ação pode ser tomada.

“Mais informações e análises estarão disponíveis no início de março”, disse Draghi, acrescentando que as projeções incluirão os primeiros números sobre 2016.

As expectativas de inflação, disse ele, permanecem firmemente ancoradas. Se essa avaliação mudar, então uma resposta de política será provável.

“Certamente haverá inflação baixa por um período prolongado de tempo, mas não deflação”, completou Draghi.

Operadores do mercado monetário não esperavam nenhuma alteração nas taxas, nem qualquer outra medida para combater a desaceleração da inflação ou impulsionar a zona do euro, de acordo com pesquisa da Reuters.

O BCE está ciente do fato de a inflação estar no que o presidente do banco chamou de “zona de perigo” abaixo de 1 por cento, e prometeu de novo manter as taxas nos níveis atuais ou mais baixos por um “período prolongado”.

Por enquanto, a recuperação econômica está intacta, embora ainda no início. “Temos que ser extremamente cautelosos com essa recuperação. Ela ainda é frágil e irregular”, disse Draghi.

Há um mês, Draghi sinalizou para mais ação, prometendo que o BCE adotará medidas se o cenário de inflação piorar ou se os mercados monetários virem um aperto “injustificado”.

Mas o BCE não possui mais muita munição para impulsionar a inflação. Pode haver apenas mais um corte nas taxas de juros em seu arsenal e mesmo este pode ser menor do que o tradicional 0,25 ponto percentual.

Reportagem adicional de Paul Carrel e Eva Taylor

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