6 de Fevereiro de 2014 / às 19:14 / em 4 anos

ENTREVISTA-Oferta de farelo de soja no Brasil preocupa indústria de rações

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 6 Fev (Reuters) - A oferta de farelo de soja no Brasil em 2014 preocupa as indústrias de ração animal, em um ano de safra recorde de grãos no país mas também de demanda elevada por parte da China, disse nesta quinta-feira o principal executivo do sindicato que reúne as empresas do setor.

“Se o consumo dos chineses expandir demais, pode faltar matéria-prima no Brasil. Ninguém aqui tem cacife para pagar mais pelo farelo”, disse o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Alimentação Animal, Ariovaldo Zani.

O farelo de soja compõe cerca de 20 por cento do volume e 40 por cento do custo da ração usada para alimentar o plantel de aves e suínos do Brasil, país que está entre os principais exportadores desses tipos de carnes.

Zani teme que o apetite chinês por soja em grãos também se reflita num aumento das exportações do farelo, apesar de a China demonstrar tradicionalmente um interesse em comprar o grão para esmagar em seu amplo parque industrial.

“A soja é uma pedra que está sempre no nosso sapato. A oferta está muito apertada com o consumo”, disse o executivo.

O ano de 2014 começa com estoque de 793 mil toneladas de farelo no Brasil, menor volume em pelo menos 10 anos, segundo série histórica compilada pela Abiove, associação que reúne as empresas esmagadoras e exportadoras.

O Brasil está colhendo uma safra recorde de soja, de 87,6 milhões de toneladas, segundo a Abiove, mas que pode chegar a 90 milhões segundo diversas consultorias, o que representaria um aumento de quase 10 por cento no volume da oleaginosa. Mas cerca de metade da produção terá como destino o mercado externo.

Por outro lado, o esmagamento no país crescerá numa velocidade bem menor este ano, cerca de 5 por cento, atingindo 28,2 milhões de toneladas de farelo. A maior parte deste crescimento irá para a exportação, segundo a Abiove.

Pressionadas por entraves tributários, as indústrias de esmagamento de soja no Brasil pararam de investir e, em 2013, reduziram o uso de sua capacidade instalada. A ociosidade no setor chega a 40 por cento, segundo a Abiove.

No ano passado, pela primeira vez o país exportou mais grãos do que processou internamente, situação que deve ser mantida em 2014.

PREÇOS

O Sindirações avalia que os produtores de aves e suínos não teriam condições de competir com os chineses, caso a demanda cresça e os preços subam ainda mais.

“Existe um apetite voraz por soja no mercado internacional. A China está comprando cada vez mais”, disse Zani.

Os preços do farelo de soja na bolsa de Chicago estão cerca de 2 por cento acima do registrado um ano atrás, apesar de a matéria-prima estar quase 11 por cento mais barata na mesma comparação.

No Brasil os preços do farelo subiram bem mais, por conta da desvalorização do real ante o dólar.

O farelo de soja é negociado nesta quinta-feira em Campinas (SP) a 1.022 reais por tonelada, cerca de 15 por cento acima do valor registrado um ano atrás, segundo levantamento do Cepea. Neste mesmo período de um ano, o dólar valorizou-se mais de 20 por cento ante o real.

Zani lembra que as indústrias de aves e suínos ainda estão recuperando-se de um 2012 de prejuízos causados por uma alta nos preços dos grãos. Em 2013, as empresas recuperaram margens, mas o volume de produção deve crescer pouco, ou nada, em 2014.

Neste cenário de ajustes, o ano de 2013 foi de estabilidade no volume produzido pelas indústrias de rações.

Os números do ano passado ainda estão sendo contabilizados, mas Zani projeta manutenção do volume de 63 milhões de toneladas produzidas, com possibilidade de redução, após uma queda nas compras das indústrias no final do ano.

O milho, principal insumo da ração animal --60 por cento do volume do que é usado na alimentação de aves e suínos--, apresenta um cenário mais tranquilo que o do farelo de soja, disse o executivo do Sindirações.

Os preços no mercado interno estão em patamares confortáveis em função de mais uma safra abundante no Brasil, apesar de o câmbio evitar uma queda mais acentuada nos preços pagos pelo cereal, disse Zani.

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