7 de Fevereiro de 2014 / às 11:56 / em 4 anos

IPCA sobe 0,55% em janeiro, acumula menor alta em 12 meses em mais de 1 ano

Por Felipe Pontes e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 7 Fev (Reuters) - Favorecida pelos preços de Transportes, a inflação brasileira iniciou o ano com desaceleração em janeiro para 0,55 por cento e viu um forte alívio no acumulado em 12 meses para o menor nível em pouco mais de um ano.

Entretanto, o espaço para comemorações é pequeno uma vez que ainda há muita resistência, e a expectativa entre analistas é de que a alta dos preços estoure o teto da meta em meados do ano. Assim, não muda também a percepção de manutenção do aperto monetário neste mês.

Os números divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE mostraram que a alta acumulada em 12 meses pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 5,59 por cento, depois de ter subido 5,91 por cento em 2013.

Ainda que em nível elevado, essa é a menor leitura de 12 meses desde novembro de 2012, quando atingiu 5,53 por cento. A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

“A redução do acumulado em 12 meses reflete a saída do índice de janeiro de 2013 (alta de 0,86 por cento), quando a inflação dos alimentos exerceu pressão maior do que neste ano”, explicou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Os dados também ficaram abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam alta de 0,62 por cento na base mensal e de 5,67 por cento na anual.

Entretanto, nas contas da economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro, o índice de difusão chegou a 72,1 por cento, ante 69 por cento em dezembro.

“Embora o resultado tenha vindo melhor, vemos ainda um quadro de resistência e continuo olhando o cenário de inflação com preocupação”, disse ela.

Daqui para frente, Alessandra vê a inflação em 12 meses em uma trajetória tranquila até abril, mas a partir daí começa a acelerar até o pico de 6,6 por cento em julho, pressionada principalmente pela Copa do Mundo. Para o final do ano a expectativa é de 6,0 por cento.

TRANSPORTES X ALIMENTOS

De acordo com o IBGE, o principal responsável pelo resultado mensal de janeiro foi o grupo Transportes, com variação negativa de 0,03 por cento ante alta de 1,85 por cento em dezembro. O impacto do grupo em janeiro foi de -0,01 ponto percentual, enquanto em dezembro tinha sido de +0,35 ponto.

O maior motivo para essa desaceleração foi a queda de 15,88 por cento nos preços das passagens aéreas, depois de subirem 20,13 por cento em dezembro. Isso aliado aos combustíveis, cujo avanço desacelerou a 0,77 por cento em janeiro ante 4,12 por cento no mês anterior.

A maior queda de preço, entretanto, ficou com os artigos de Vestuário, que recuaram 0,15 por cento em janeiro com as promoções no mercado após alta de 0,80 por cento em dezembro e impacto também de -0,01 ponto.

Esses resultados compensaram a alta de Alimentação e Bebidas, que com 0,21 ponto percentual representou o maior peso sobre o índice do mês.

“Os alimentos mostraram em janeiro altas bem grandes, como as carnes e as hortaliças, que em algumas regiões chegaram a aumentar 34 por cento”, destacou Eulina, do IBGE.

A carne foi o item que exerceu o maior impacto individual de alta no indicador do mês, com 0,08 ponto percentual por conta de uma alta de 3,07 por cento, uma vez que segundo o IBGE a atual falta de chuvas tem prejudicado a produção pecuária.

A estiagem, que já vem provocando racionamento de água em alguns locais, vai continuar no foco. A Somar Meteorologia informou que frentes frias devem avançar pelo Sudeste e pelo Centro-Oeste do Brasil apenas depois de 17 de fevereiro, aliviando a seca que ameaça a produção agrícola.

“Não estamos acreditando que alimentação ficará pressionada este ano. Mas se as chuvas não vierem bem, provavelmente esse grupo começará a pesar bastante”, avaliou o economista da Rosenberg & Associados Leonardo França Costa.

Com a perspectiva de aumento de transportes, ele também vê a inflação no teto da meta em julho e agosto, desacelerando a 5,9 por cento no final do ano.

Segundo o IBGE, o IPCA de janeiro já passou a incorporar a região metropolitana de Vitória (ES) e o município de Campo Grande (MS), na nova metodologia do indicador.

JUROS

A persistência do nível alto da inflação acabou levando o Banco Central a elevar a Selic para 10,50 por cento no início do ano, mantendo o ritmo de aperto em 0,50 ponto percentual.

O alívio do IPCA em janeiro não foi suficiente para alterar o quadro de apostas majoritárias dentro do mercado futuro de juros de novo aumento de 0,50 ponto na reunião de 25 e 26 de fevereiro do Comitê de Política Monetária.

“O BC está numa situação em que tem que fazer um ajuste rápido. Na atual circunstância não faz sentido reduzir o ritmo e ir aumentando em 0,25 ponto”, afirmou Alessandra, da Tendências.

Reportagem adicional de Jeb Blount, no Rio de Janeiro

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