11 de Março de 2014 / às 12:42 / em 4 anos

Produção industrial no Brasil sobe 2,9% em janeiro, acima do esperado, mas ainda gera cautela

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

Um funcionário monta um carro da Ford em uma linha de montagem da fábrica da companhia em São Bernardo do Campo. Com destaque para o setor de bens de capital, a produção industrial brasileira iniciou o ano em recuperação ao avançar 2,9 por cento em janeiro sobre o mês anterior, resultado melhor do que o esperado mas ainda insuficiente para reverter a contração vista em dezembro. 13/08/2013 REUTERS/Nacho Doce

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 11 Mar (Reuters) - Com destaque para o setor de bens de capital, a produção industrial brasileira iniciou o ano em recuperação ao avançar 2,9 por cento em janeiro sobre o mês anterior, resultado melhor do que o esperado mas ainda insuficiente para reverter a contração vista em dezembro.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, a alta mensal de janeiro foi o melhor resultado em um ano. Mas não compensou o recuo de 3,7 por cento em dezembro, número revisado após divulgação anterior de queda de 3,5 por cento.

“A indústria terminou mal o ano de 2013 e 2014 mostra melhora de ritmo no primeiro mês. Foi importante, mas não recupera o saldo perdido no fim do ano. Precisa de mais consistência”, avaliou o economista do IBGE André Macedo, explicando que nos dois últimos meses do ano passado a produção acumulou queda de 4,3 por cento.

Na comparação com o mesmo mês de 2013, a produção industrial registrou queda de 2,4 por cento em janeiro.

Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam alta de 2,50 por cento na base mensal e recuo de 3,40 por cento na comparação anual.

“Ainda que o resultado tenha surpreendido, é precipitado comemorar. A indústria permanece afastada dos níveis de produção pré-crise...sendo que contou, até o ano passado, com fortes incentivos fiscais do governo”, disse a economista da CM Capital Markets, em nota, Jessica Strasburg.

CAMINHÕES

De acordo com o IBGE, entre as categorias de uso o destaque em janeiro foi Bens de Capital, uma medida de investimento, que avançou 10 por cento ante dezembro, melhor resultado desde junho de 1997 (14,5 por cento), devido principalmente à retomada da produção de caminhões.

Em dezembro, quando foi afetada por muitas paralisações e férias coletivas no setor de produção de caminhões, essa categoria havia caído 12,2 por cento na comparação mensal.

“O PSI tem uma modificação para 2014 com elevação da taxa de juros, mas algumas condições ainda estão vantajosas para o investimento. Isso justifica Bens de Capital ter crescido 10 por cento e ser a única a avançar ante janeiro de 2013”, completou Macedo, do IBGE, citando o Programa de Sustentação do Investimento que concede financiamentos do BNDES a juros reduzidos para compra de bens de capital.

O IBGE informou ainda que 17 dos 27 ramos pesquisados registraram crescimento mensal em janeiro, com destaque para farmacêutico (29,4 por cento), veículos automotores (8,7 por cento) e máquinas e equipamentos (6,4 por cento).

FUTURO INCERTO

Em outro dado sobre o setor, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta terça-feira que o uso da capacidade instalada na indústria brasileira subiu a 82,7 por cento em janeiro, com dados dessazonalizados, ante 82,1 por cento em dezembro.

“Isso é um indicativo de que, de certo modo, houve recuperação frente a dezembro e novembro que foram períodos ruins. Mas ainda assim, tanto pelos dados do IBGE quanto dos da CNI, a recuperação de janeiro não foi suficiente de recompor queda dos últimos dois meses”, afirmou o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

Em 2013, a indústria brasileira foi errática, encerrando com expansão de 1,2 por cento e levantando temores sobre recuperação mais robusta.

Pesquisa Focus do Banco Central mostra que a expectativa de economistas é de expansão de 1,57 por cento em 2014. E, para fevereiro, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) aponta desaceleração na expansão da atividade.

Reportagem adicional de Walter Brandimarte, no Rio de Janeiro; e Luciana Otoni, em Brasília

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