12 de Março de 2014 / às 16:28 / em 4 anos

Conab reduz safra de soja do Brasil em 5% por clima adverso

Por Alonso Soto e Gustavo Bonato

Vista de uma plantação de soja na cidade de Primavera do Leste. O governo brasileiro reduziu sua projeção para a safra 2013/14 de soja no país em 5 por cento, para 85,44 milhões de toneladas, informou nesta quarta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), citando problemas climáticos em vários Estados. 07/02/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - O governo brasileiro reduziu sua projeção para a safra 2013/14 de soja no país em 5 por cento, para 85,44 milhões de toneladas, informou nesta quarta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), citando problemas climáticos em vários Estados.

A projeção de fevereiro era de 90,01 milhões de toneladas.

A estimativa da Conab é agora uma das mais baixas do mercado, mas o governo indicou que novas revisões para baixo são improváveis nos próximos levantamentos mensais, com a colheita já em estágio avançado.

Diversas consultorias privadas projetam a colheita na faixa de 86-89 milhões de toneladas, enquanto o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima 88,5 milhões de toneladas.

“No Paraná, desde praticamente a época do plantio, a lavoura foi duramente afetada pela ausência de chuvas e elevadas temperaturas”, disse a Conab, em seu sexto levantamento para a temporada.

“Em Mato Grosso do Sul, a lavoura... vem apresentando problemas relacionados ao atraso decorrente da coincidência da colheita com as chuvas. Em Goiás, a cultura... sofreu forte influência do clima, com a escassez de chuvas, associado à incidência de ataques de pragas e de doenças”, destacou a companhia.

Para a próxima estimativa da Conab, em abril, o Ministério da Agricultura espera uma manutenção da projeção para a soja, ou até “recuperar alguma coisa” devido a melhorias nas condições climáticas em Mato Grosso e Rio Grande do Sul, na avaliação do secretário de Política Agrícola, Neri Geller.

Apesar da redução da estimativa, o Brasil ainda teria uma colheita recorde de soja, superando a da safra anterior, de 81,5 milhões de toneladas.

EXPORTAÇÃO

Com a safra menor do que a esperada, o país deverá exportar 45,3 milhões de toneladas da oleaginosa, contra 47,7 milhões de toneladas da projeção de fevereiro.

O volume da temporada 13/14 ainda seria recorde, contando com a forte demanda da China, ante 42,8 milhões de toneladas da exportação na safra passada.

“A queda da nossa exportação de soja (ante o esperado) não é tão significativa para ter impacto em preços mundiais desta commodity”, avaliou o presidente da Conab, Rubens dos Santos, também em entrevista coletiva com jornalistas, em Brasília.

De fato, os contratos futuros de soja na bolsa de Chicago operavam em forte queda nesta quarta-feira, pressionados por um volume ainda bastante grande das safras sul-americanas e temores de cancelamentos de compras pela China.

A Conab também reduziu um pouco a estimativa de consumo interno, para 39,6 milhões de toneladas em 2013/14, ante 40,75 milhões do relatório anterior.

MILHO

A Conab reduziu sua projeção para a safra brasileira de milho, com redução na safra de verão e alta na segunda safra, a chamada ”safrinha.

A colheita no Brasil é vista agora em 75,18 milhões de toneladas, contra 75,47 milhões da projeção de fevereiro e bem abaixo do recorde de 2012/13, de 81,5 milhões de toneladas, devido a uma retração generalizada na área de plantio nesta temporada, por preços baixos.

Para a primeira safra, a companhia projetou uma colheita de 31,42 milhões de toneladas, em queda ante fevereiro (32,63 milhões) e ante 2012/13 (34,58 milhões).

“No estado de Goiás, especialmente nos importantes municípios produtores, as condições climáticas desfavoráveis prejudicaram a fase reprodutiva da lavoura”, disse a Conab, referindo-se às lavouras de verão.

Para a segunda safra do cereal, a companhia elevou a previsão de colheita para 43,76 milhões de toneladas, ante 42,83 milhões em fevereiro e 46,93 milhões em 2012/13.

Para Neri Geller, do Ministério da Agricultura, a próxima revisão deverá trazer os impactos negativos do clima para o milho “safrinha”.

“A questão do milho segunda safra pode ter uma queda por muita área alagada em Mato Grosso, que pode ter impacto de produtividade”, disse o executivo.

O relatório da Conab, destacou que, “além do indicativo de forte retração na área plantada, outro fator que merece atenção e acompanhamento deriva dos indicativos de que está previsto uma redução na utilização do pacote tecnológico de produção” para o milho segunda safra.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below