21 de Março de 2014 / às 12:49 / em 4 anos

Alimentos e aéreas pressionam em março e IPCA-15 acumula 5,9% em 12 meses

Por Camila Moreira

Uma vendedora em uma feira nas ruas da Vila Madalena, em São Paulo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) avançou 0,73 por cento em março pressionado pelos preços de alimentos e passagens aéreas, aproximando-se de 6 por cento no acumulado em 12 meses. 09/11/2013 REUTERS/Nacho Doce

SÃO PAULO, 21 Mar (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) avançou 0,73 por cento em março pressionado pelos preços de alimentos e passagens aéreas, aproximando-se de 6 por cento no acumulado em 12 meses.

Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o indicador, prévia da inflação oficial do país, atingiu 5,90 por cento em 12 meses até março, ante 5,65 por cento em fevereiro, quando avançou 0,70 por cento na comparação mensal.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Ambos os resultados ficaram em linha com as medianas em pesquisa da Reuters.

Segundo o IBGE, o maior impacto no índice de março veio do grupo Alimentação e Bebidas, de 0,27 ponto percentual, após alta de 1,11 por cento. Em fevereiro o grupo havia avançado 0,52 por cento.

Outros índices inflacionários já haviam mostrado pressão dos alimentos devido à seca em grande parte do Brasil no começo do ano. No IGP-M, por exemplo, os produtos agropecuários já vinham registrando fortes altas no atacado.

Também se destacou no mês o grupo Transportes, com alta de 1,22 por cento ante variação negativa de 0,09 por cento em fevereiro. Com isso, o grupo teve impacto de 0,23 ponto percentual no IPCA-15 de março.

O principal responsável por esse avanço em Transportes foi o preço de tarifas aéreas, que subiram 27,08 por cento em março após queda de 20,36 por cento no mês anterior. O item foi o principal impacto individual no IPCA-15 do mês com 0,11 ponto percentual.

Juntos, os grupos Alimentação e Bebidas e Transportes somaram 0,50 ponto percentual, segundo o IBGE, sendo responsáveis por 68 por cento do índice do mês.

Já o índice de difusão caiu para 67 por cento em março ante 70,4 por cento em fevereiro, segundo as contas da CM Capital Markets, o que “evidencia que na primeira quinzena do mês a pressão está concentrada em Alimentação e Transporte”, de acordo com nota.

INCERTEZAS

O cenário de incerteza em relação aos preços dos alimentos e ao repasse das altas no atacado soma-se a outros fatores de risco como os preços de serviços e o encarecimento dos custos da energia por conta do acionamento das usinas térmicas. E vêm deteriorando as expectativas para o comportamento dos preços neste ano.

“Não sabemos com que velocidade os preços dos alimentos vão voltar, devido às incertezas com relação à seca. Quanto mais demorar, mais negativa será sobre a dinâmica dos outros preços”, avaliou o economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank Flávio Serrano.

Diante disso, ele elevou sua projeção para o IPCA neste ano de 6 por cento para 6,20 por cento, mas vê um ápice em setembro, provavelmente estourando o teto da meta.

A pesquisa Focus do BC aponta que a expectativa dos economistas consultados é de que o IPCA encerre 2014 a 6,11 por cento.

Nesta semana, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a recente alta nos preços de alimentos tende a ser um choque temporário, mas que a política monetária deve agir para que esse movimento se limite ao curto prazo. Ele repetiu ainda que os efeitos da política monetária são cumulativos e se mostram com defasagens.

Desde abril passado, o BC já elevou a Selic em 3,5 pontos percentuais, para o atual patamar de 10,75 por cento, a fim de combater a inflação. Com os recentes sinais de pressão sobre os preços, os agentes econômicos começam a apostar que o ciclo de aperto pode se estender para maio, com mais duas altas de 0,25 ponto na taxa básica de juros.

“O cenário de inflação desafiador e o fato de que as condições financeiras são neutras podem levar o Copom, no comunicado após a reunião de 2 de abril, a deixar a porta aberta para mais altas”, disse o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

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