27 de Março de 2014 / às 18:08 / 4 anos atrás

Governo central tem déficit primário de R$3,1 bi em fevereiro

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 27 Mar (Reuters) - Receitas tributárias fracas combinadas com gastos ainda elevados fizeram o governo central --formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social-- a registrar déficit primário em fevereiro, em uma largada ruim rumo ao cumprimento da meta de superávit primário neste ano.

Em fevereiro, o governo central apurou déficit primário de 3,1 bilhões de reais, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira, ante superávit de 13,0 bilhões de reais em janeiro.

O resultado do mês passado, contudo, foi melhor do que o déficit primário de 6,6 bilhões de reais em fevereiro do ano passado.

Com mais um resultado decepcionante, a economia feita para o pagamento de juros da dívida pública nos dois primeiros meses do ano ficou em 9,9 bilhões de reais, praticamente metade do superávit primário de 19,6 bilhões de reais registrado no mesmo período de 2013.

Em fevereiro, o Tesouro Nacional teve déficit de 474 milhões de reais, ante superávit de 17,5 bilhões de reais em janeiro, enquanto o déficit da Previdência caiu para 2,6 bilhões de reais, ante déficit 4,6 bilhões de reais no mês anterior.

O governo federal terá que fazer economia de 18,1 bilhões de reais em março e abril para cumprir o superávit primário estabelecido para o primeiro quadrimestre.

“A meta fiscal do governo central do primeiro quadrimestre é de 28 bilhões de reais. Temos dois meses para atingi-la e vamos atingi-la, esse é nosso prognóstico”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Augustin disse esperar uma melhora gradual da arrecadação de tributos federais amparada na expectativa de maior crescimento da economia. Mas nesta quinta-feira o Banco Central reduziu sua estimativa para o crescimento do país este ano para 2 por cento, ante 2,3 por cento na previsão anterior.

GASTOS ELEVADOS E RECEITAS FRACAS

A receita líquida do governo central, já descontadas as transferências para Estados e municípios, recuou 36,7 por cento em fevereiro ante janeiro, para 65,4 bilhões de reais, por fatores sazonais e a antecipação do pagamento do ajuste anual dos tributos sobre a renda das empresas (IRPJ/CLSS).

Mas a receita também foi beneficiada pelo ingresso de 2,892 bilhões de reais em dividendos de empresas estatais, sendo 2 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e 700 milhões de reais da Caixa Econômica Federal.

Já despesa total do governo central caiu 24,1 por cento ante janeiro, para 68,3 bilhões de reais.

No ano, os gastos do governo central somam 158,5 bilhões de reais, com alta de 15,5 por cento em relação a igual período do ano passado, insufladas por despesas maiores com o pagamento de benefícios sociais, servidores e com a máquina pública.

Já a receita líquida teve um crescimento menos expressivo, de 7,3 por cento, de 168,3 bilhões de reais.

O governo federal tem feito um esforço para recuperar a confiança em sua política fiscal. Para tanto, anunciou nova meta ajustada de superávit primário do setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais), de 99 bilhões de reais, ou 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas na segunda-feira, o governo sofreu um revés no esforço de recuperação da confiança, com o rebaixamento do rating do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor‘s.

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