27 de Março de 2014 / às 20:28 / em 4 anos

Dólar cai quase 2% e vai a R$2,26 com pesquisa sobre governo Dilma

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - O dólar recuou quase 2 por cento ante o real nesta quinta-feira, indo à casa de 2,26 reais, após pesquisa mostrar queda na aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff, num momento em que os mercados mostram ceticismo em relação à condução da política econômica do país.

Ainda não está claro para os analistas, no entanto, se a moeda norte-americana deve se acomodar nesses níveis mais baixos. Alguns argumentam que a pesquisa não indica mudança significativa nas expectativas eleitorais, e que o mercado teve um movimento exagerado.

A moeda norte-americana recuou 1,75 por cento, a 2,2680 reais na venda, menor patamar em cerca de quatro meses. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2,1 bilhões de dólares, acima da média diária vista neste mês até então, de 1,7 bilhão de dólares.

“Esse movimento (queda do dólar) é muito precoce, é muito recente. Olhando para os fundamentos, eu diria que o dólar deveria ficar em torno de 2,30 reais”, opinou o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

Pesquisa CNI/Ibope mostrou pela manhã que a aprovação do governo da presidente Dilma caiu para 36 por cento em março, ante 43 por cento em novembro.

A CNI não divulgou pesquisa de intenção de voto para a eleição presidencial deste ano, quando Dilma tentará a reeleição. Nos últimos levantamentos de intenção de voto, ela segue na dianteira.

O resultado da pesquisa ajudou o dólar a ampliar as perdas ante o real vistas desde o início da sessão. Na primeira hora do pregão, prevaleceu o otimismo de investidores em relação a ativos emergentes e fluxos de entrada. Contudo, as perdas foram contidas nos primeiros negócios, diante de dúvidas sobre a disposição do Banco Central em permitir que a moeda norte-americana recuasse abaixo de 2,30 reais.

“O mercado, de uma maneira geral, vem reagindo mal às decisões da Dilma. Então se existe a perspectiva de uma mudança no quadro eleitoral, ele reage bem”, disse o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros.

Pela manhã, o BC deu continuidade às intervenções diárias, vendendo a oferta total de 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Todos os contratos vendidos têm vencimento 1º de dezembro deste ano, com volume correspondente a 198,2 milhões de dólares. A autoridade monetária também ofertou swaps para 1º de outubro, mas não vendeu nenhum.

Além disso, também vendeu a oferta total de 10 mil swaps em leilão para rolagem dos contratos que vencem na próxima terça-feira. No total, o BC já rolou pouco menos de 70 por cento do lote total, que equivale a 10,148 bilhões de dólares.

A autoridade monetária tem agora apenas dois dias úteis para terminar a rolagem e, se continuar com o atual ritmo, de ofertar até 10 mil contratos por dia, ficariam faltando cerca de 45 mil swaps para serem rolados. No mercado, as avaliações de que o BC não intensificará o ritmo de ofertas vêm crescendo, principalmente após a forte queda desta sessão.

“O dólar caiu demais. Não vejo necessidade de continuar injetando tanta liquidez”, disse o operador de um banco nacional, para quem o BC decidirá não rolar integralmente os contratos.

Alguns no mercado acreditam que o dólar barato desagradaria o governo, pois tende a prejudicar as exportações.

Investidores também monitoraram a emissão de 1 bilhão de euros em títulos do Tesouro no exterior, num momento em que o quadro de ingresso de recursos para o Brasil vem ajudando a tirar a pressão sobre o câmbio.

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