31 de Março de 2014 / às 16:33 / 4 anos atrás

Sabesp faz contingenciamento de R$700 mi em orçamento de 2014, foca em água

Por Roberta Vilas Boas e Alberto Alerigi

Um funcionário da Sabesp anda pela represa de Jaguari, atingida pela seca, em Bragança Paulista. A Sabesp decidiu reprogramar investimentos de 2014 e vai contingenciar 700 milhões de reais de seu orçamento neste ano para se concentrar na garantia de abastecimento de água em um dos momentos de maior seca já atravessados pela região metropolitana de São Paulo. 31/01/2014 REUTERS/Nacho Doce

SÃO PAULO, 31 Mar (Reuters) - A Sabesp decidiu reprogramar investimentos de 2014 e vai contingenciar 700 milhões de reais de seu orçamento neste ano para se concentrar na garantia de abastecimento de água em um dos momentos de maior seca já atravessados pela região metropolitana de São Paulo.

A empresa ampliou nesta segunda-feira o programa de incentivo à redução de consumo de água de 11 para todas as 31 cidades da região metropolitana atendidas pela companhia e, embora não tenha divulgado impacto da medida sobre suas finanças, espera que o contingenciamento ajude a manter seu caixa em posição saudável para fazer frente a investimentos.

O programa prevê desconto de 30 por cento para o cliente que reduzir seu consumo de água em 20 por cento segundo a média dos 12 meses anteriores.

O incentivo foi anunciado no início de fevereiro para apenas algumas cidades atendidas pelo sistema de reservatórios Cantareira, o principal do Estado. Mas como o nível das represas continuou caindo, o governo paulista, controlador da Sabesp, optou por ampliar o programa a partir da terça-feira. Nesta segunda-feira, o nível do Cantareira estava em 13,5 por cento.

Em teleconferência com analistas e jornalistas, o diretor econômico-financeiro da Sabesp, Rui Affonso, não estimou o impacto no faturamento da empresa que será gerado pela ampliação do programa. Ele afirmou ainda que a empresa considera que a chance da região metropolitana de São Paulo não precisar de racionamento de água neste ano “é bastante significativa”.

“Estamos nos programando para chegarmos até outubro sem racionamento”, disse o executivo, comentando a expectativa para o período de chuvas previsto para começar entre outubro e novembro.

“Quem fala em racionamento preventivo não tem ideia do que é racionar água para 10 milhões de habitantes. É uma operação de guerra. (...) A Sabesp tem dever de evitar isso para a população a qualquer custo”, afirmou o executivo.

A companhia encerrou o quarto trimestre com queda de cerca de 23 por cento no lucro líquido na comparação anual, para 590,7 milhões de reais, num resultado considerado melhor que o esperado por analistas do UBS. Às 13h27, as ações da companhia exibiam alta de 1,65 por cento, enquanto o Ibovespa tinha valorização de 0,83 por cento.

Mais cedo, a empresa estimou investimentos de 2,64 bilhões de reais em 2014, de um total de 12,8 bilhões até 2018. Segundo Affonso, os “investimentos de 2014 serão reprogramados de forma que a pressão no caixa seja minimizada. Com isso, entendemos que empresa manterá robustez financeira”.

Ele afirmou que o remanejamento dos investimentos vai se concentrar na oferta de água tratada e informou que a meta de universalização de tratamento de esgoto no Estado em 2020 ainda continua válida.

“Ainda temos seis anos. Uma reprogramação de ritmo de investimento é perfeitamente factível neste contexto. (...) A prioridade neste momento é abastecimento de água”, afirmou o executivo.

Junto com a ampliação do programa de incentivo à redução no consumo de água, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que agência reguladora do setor no Estado, Arsesp, vai encurtar o prazo médio para reparo de vazamentos cobrado da Sabesp.

Affonso não pôde precisar de imediato o impacto da medida, mas afirmou que a empresa terá que intensificar os trabalhos de suas áreas logísticas para reduzir o tempo de reação para o reparo de redes com vazamento.

Em entrevista coletiva à imprensa junto com o governador mais cedo, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, informou estar preocupada com o impacto dos descontos nas contas dos consumidores sobre as finanças da empresa, mas afirmou que a prioridade é garantir o abastecimento de água.

“Obviamente, vai impactar o faturamento da empresa mas a preocupação é garantir o abastecimento”, disse ela.

Segundo Affonso, ainda é prematuro pedir à Arsesp o reequilíbrio econômico e financeiro das condições de operação da Sabesp. “Vamos fechar o ano primeiro, estamos tomando uma série de medidas para manter esse equilíbrio e aí vamos ver (...) É muito cedo para entrar em uma discussão de reequilíbrio sendo que temos um ano pela frente.”

Em 10 de abril, a Arsesp deve divulgar o índice de reajuste nas tarifas da Sabesp com faturamento a partir de 11 de maio. A empresa e a agência divergem sobre os critérios adotados para essa revisão, mas Affonso não deu detalhes sobre o nível de reajuste pretendido pela Sabesp.

Segundo Alckmin, com o programa atual de incentivo à economia de água, 37 por cento dos consumidores atingidos pela medida ganharam o bônus na tarifa, enquanto 39 por cento economizaram no consumo, mas não o suficiente para obter o desconto na conta de água. Já 24 por cento dos clientes aumentaram o consumo de água.

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