1 de Abril de 2014 / às 22:00 / em 4 anos

Balança comercial brasileira encerra 1o tri com déficit recorde, apesar de superávit em março

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 1 Abr (Reuters) - A balança comercial brasileira voltou a registrar superávit em março, mas mesmo assim fechou o primeiro trimestre com déficit recorde histórico para o período, resultado da fraqueza das exportações e do rombo da conta petróleo, que deve apresentar melhora somente no segundo semestre.

Em março a balança comercial registrou superávit de 112 milhões de dólares, no pior resultado para esses meses desde 2001, ante saldo positivo de 162 milhões de dólares em março de 2013. Com isso, o déficit acumulado nos primeiros três meses do ano chegou a 6,072 bilhões de dólares, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta terça-feira

O resultado de março foi influenciado pelo aumento das importações de bens de consumo e pelo recuo nas exportações, mas veio praticamente em linha com esperado por especialistas consultados pela Reuters, de um superávit de 100 milhões de dólares.

As exportações somaram 17,628 bilhões de dólares em março, queda de 4 por cento pela média diária em relação a março do ano passado e com forte recuo nos embarques de produtos manufaturados e semimanufaturados. Frente a fevereiro, as exportações mostraram alta de 16,5 por cento.

No primeiro trimestre, as exportações recuaram 4,1 por cento pela média diária ante o mesmo período do ano passado, a 49,588 bilhões de dólares.

A queda se deve, segundo avaliação do diretor do Departamento de Estatística e Apoio às Exportações do Ministério, Roberto Dantas, à demanda externa ainda fraca, à queda dos preços das commodities e ao encolhimento do mercado argentino.

Já as importações recuaram 3,8 por cento em março em relação a março de 2013, para 17,516 bilhões de dólares. Em relação a fevereiro, as importações subiram 2,1 por cento pela média diária .

As compras externas de bens de consumo duráveis continuaram em alta no mês passado, com ênfase em televisores e componentes para a produção de TV’s e eletroletrônicos em geral num movimento vinculado à Copa do Mundo, disse o ministério.

Nos três primeiros meses do ano, as importações somaram 55,660 bilhões de dólares, 2,2 por cento menores na comparação com igual período de 2013 pela média diária das operações.

CONTA PETRÓLEO

Os dados desanimadores da balança comercial seguem influenciados pelo elevado déficit da conta petróleo, e a expectativa do governo é que este quadro mude apenas a partir de julho.

De janeiro a março, a conta petróleo registrou saldo negativo de 4,5 bilhões de dólares, ante déficit de 5,8 bilhões apurado em igual período do ano passado.

“O aumento da produção de petróleo vai gerar mais exportação com tendência de redução mais acentuada do déficit da conta petróleo a partir do segundo semestre”, disse Dantas.

Segundo o diretor, um rombo menos elevado nessa conta vai ajudar a melhorar o saldo geral da balança comercial.

O Banco Central reduziu na semana passada a previsão de superávit comercial para este ano a 8 bilhões de dólares, ante 10 bilhões de dólares, e com isso elevou para 80 bilhões de dólares a previsão de déficit em transações correntes neste ano.

Por Luciana Otoni; Edição de Patrícia Duarte e Raquel Stenzel

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