3 de Abril de 2014 / às 01:02 / em 4 anos

BC eleva Selic a 11% e indica que fim de ciclo de aperto está próximo

BRASÍLIA, 2 Abr (Reuters) - Ao completar um ano do início do aperto monetário para combater a inflação, o Banco Central elevou pela nona vez seguida a taxa básica de juros, a 11 por cento ao ano, e indicou nesta quarta-feira que o ciclo pode estar perto do fim, deixando a porta aberta para isso ocorrer já em maio.

Fachada do Banco Central, em Brasília. Na quarta-feira, o BC elevou pela nona vez seguida a taxa básica de juros, a 11 por cento ao ano. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

A alta de 0,25 ponto percentual da Selic, a segunda seguida nesta intensidade, era amplamente esperada, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu ao alterar o teor de seu comunicado.

O Copom disse que “decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,25 p.p.” e que “irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.

Até então, o BC iniciava os comunicados sobre a Selic com a expressão “dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros”, o que deixava o caminho claramente pavimentado para mais altas na Selic.

“Para uma mensagem breve e lacônica, (houve) bastante alteração de sinalização. Na próxima reunião (em maio) deve haver nova alta, se não houver surpresa, mas a continuidade do ciclo para além disto fica improvável. Afinal, são muitas as ressalvas e condicionantes”, afirmou em nota o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves.

Pesquisa da Reuters mostrou que todos os 62 analistas consultados esperavam alta de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião desta semana.

Na visão do economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, o BC irá monitorar dois fatores: a inflação e o câmbio.

A valorização de 15 por cento do dólar em relação ao real no ano passado ajudou a pressionar a inflação, mas a moeda norte-americana perdeu força neste ano e acumulou no primeiro trimestre queda de 3,74 por cento ante o real.

“Não há nada no câmbio que indique uma piora. Por outro lado, a expectativa é que a inflação não vai ajudar no cenário até a próxima reunião. Por isso continuo com o cenário de alta na próxima reunião e talvez em julho”, disse Kawall. “Claro que julho ficou mais duvidoso, mas acredito que ele eleve na próxima reunião.”

A autoridade monetária iniciou o atual ciclo de aperto em abril passado, quando tirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento, para tentar domar a escalada dos preços.

Mas o cenário atual de inflação ainda continua adverso, apesar da melhora do câmbio, por pressão dos preços dos alimentos em meio a problemas climáticos e pela expectativa de elevação de preços administrados, principalmente da energia elétrica.

Na semana passada, o BC elevou sua estimativa de alta dos preços administrados em 0,5 ponto percentual, para 5 por cento, neste e no próximo ano. A autoridade monetária também aumentou a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano a 6,1 por cento, chegando mais próximo do teto da meta oficial, de 4,5 por cento, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou menos.

E já há expectativas entre os agentes econômicos de que, em 12 meses, a inflação irá estourar o teto no segundo semestre. Por conta disso, boa parte dos agentes chegou a apostar em mais uma alta de 0,25 ponto percentual na Selic em maio, com alguns acreditando que o ciclo poderia se estender ainda mais.

Diante do comunicado do BC desta quarta-feira, alguns economistas preveem que o ciclo poderá ser encerrado em maio.

“Eu não esperava que o BC fizesse qualquer tipo de alteração no comunicado, porque desde a última reunião do Copom houve piora na expectativa de inflação e maiores pressões de preços vindo de alimentos”, disse o economista-chefe da Mauá Sekular, Alessandro del Drago, acrescentando que mudou sua visão e agora acredita que, em maio, a Selic será mantida em 11 por cento, encerrando o atual ciclo de aperto.

O cenário macroeconômico do Brasil não é dos mais animadores neste ano, quando a presidente Dilma Rousseff tentará a reeleição, com expectativas de desaceleração da atividade mesmo com alguns recentes sinais de recuperação. O próprio BC projeta que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano será de 2 por cento, abaixo dos 2,3 por cento de 2013.

“Na decisão de agora, ele (o Copom) não está se comprometendo com a continuação do ciclo de aperto. Ela tem um viés mais voltado para uma intenção de interromper o ciclo em algum momento nas próximas reuniões se os dados permitirem”, afirmou o economista-chefe do Santander, Mauricio Molan, para quem a Selic ainda terá mais duas altas de 0,25 ponto.

Reportagem de Luciana Otoni e Alonso Soto, em Brasília; e Tiago Pariz, em São Paulo

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