9 de Abril de 2014 / às 18:28 / em 4 anos

Presidente da Total critica Petrobras como operadora única no pré-sal

RIO DE JANEIRO, 9 Abr (Reuters) - A regra do modelo de partilha de produção de petróleo no pré-sal que colocou a Petrobras como única operadora de blocos de óleo e gás não é a mais correta e não contribui para o desenvolvimento mais rápido dessa região, segundo o presidente da petroleira Total Brasil, Denis Palluat de Besset.

O principal executivo da subsidiária da petroleira francesa no país afirmou nesta quarta-feira, durante evento no Rio de Janeiro, que o ideal seria que outras empresas pudessem também exercer a função de operadora dos campos do pré-sal dentro do modelo de partilha de produção.

A prerrogativa de operação de campos pertence à Petrobras, parceira da Total na mega reserva de Libra, leiloada em 2013.

O governo realizou no ano passado o primeiro leilão do pré-sal dentro do novo modelo, e a Petrobras, além da fatia mínima prevista na lei de 30 por cento na área, ficou com mais 10 por cento.

Duas empresas chinesas (CNOCC e CNPC) ficaram com 10 por cento cada uma, e as petroleiras Shell e Total arremataram 20 por cento da fatia cada uma.

Para o executivo da Total, a exclusividade da Petrobras pode retardar o desenvolvimento do pré-sal, uma vez que poderiam faltar recursos disponíveis para tantos investimentos e, principalmente, tempo para qualificação e capacitação de profissionais.

“A lei do petróleo que impõe a Petrobras a trabalhar no pré-sal não ajuda no desenvolvimento pré-sal; são tantos investimentos que vão faltar recursos para desenvolvimento do pré-sal”, disse ele durante o evento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

“Quinze anos (para o desenvolvimento) vão levar 30 anos”, acrescentou.

Mais tarde, em entrevista a jornalistas, o executivo da Total ponderou que recursos talvez não sejam problema para a Petrobras, mas reforçou que o maior desafio será o “desenvolvimento de recursos humanos”.

O executivo defendeu ainda que as multas pagas pela petroleiras que não estão cumprindo metas de conteúdo local nos equipamentos no país sejam redirecionados para o fomento e estímulo da cadeia de fornecedores.

“Estamos levando essa demanda ao IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo) para encaminhar a sugestão ao governo... temos que investir na cadeia de fornecedores”, frisou o executivo, que também citou a elevada carga tributária como um empecilho para o segmento de óleo e gás no país.

“Se o custo Brasil continuar assim (subindo), vai matar a indústria”, disse Palluat.

Por Rodrigo Viga Gaier

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