10 de Abril de 2014 / às 12:52 / em 4 anos

Conab destoa do mercado e vê recordes para cana, açúcar e etanol

Trabalhadores colhem cana em uma fazenda em Maringá. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou nesta quinta-feira a safra de cana do centro-sul do Brasil 2014/15 em 613 milhões de toneladas, crescimento de 1,8 por cento na comparação com a temporada passada. 13/05/2011 REUTERS/Rodolfo Buhrer/La Imagem

Por Roberto Samora e Maria Carolina Marcello

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 10 Abr (Reuters) - Apesar da severa seca no Sudeste brasileiro no início do ano, o Brasil ainda conseguirá produzir volumes recordes de cana, açúcar e etanol na safra 2014/15, na avaliação da estatal Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), diferentemente do que apontam consultorias e a indústria.

A Conab estimou nesta quinta-feira uma produção histórica de cana tanto para o país, de 671,7 milhões de toneladas, quanto para o centro-sul, de 613 milhões de toneladas, ante aproximadamente 570 milhões de toneladas apontadas por integrantes do setor privado para a principal região produtora do Brasil.

Essa disparidade ocorre basicamente porque a Conab estimou uma produtividade agrícola maior do que a esperada pelo mercado, que aponta queda mais acentuada no rendimento por hectare em função da falta de chuva em importantes áreas produtoras em janeiro e fevereiro, meses que costumam ser bastante chuvosos.

A produtividade por hectare do centro-sul, que responde por mais de 90 por cento da safra do maior país produtor e exportador global de açúcar, cairá para 75,8 toneladas por hectare, ante 77,8 toneladas na safra passada, disse a Conab. Mas especialistas estimam um recuo maior.

“Acredito que o rendimento agrícola vai ser próximo de 70 toneladas por hectare no centro-sul... O tamanho do problema do rendimento agrícola pode ser avaliado pelo tamanho do problema do baixo nível dos reservatórios hoje”, afirmou o consultor Júlio Borges, da Job Economia, lembrando que a cana precisa de chuvas para se desenvolver.

Borges, porém, tem visão semelhante à da Conab sobre o aumento de área plantada para o centro-sul, visto pelo órgão oficial em 4,5 por cento.

A área a ser colhida nessa região deve ficar em 8,08 milhões de hectares na safra 2014/15, disse a Conab.

A estatal atribui o crescimento da produção sucroalcooleira à expansão do plantio e à renovação dos canaviais, incentivada pelo governo com financiamentos a juros mais baixos.

“Isto foi absorvido pelo setor e está se convertendo em uma expansão de área... somada a uma renovação de canaviais da ordem de quase 1 milhão de hectares”, explicou o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, João Marcelo Intini, ao ser questionado sobre a diferença entre as estimativas do mercado e a da Conab.

A estatal apontou um crescimento de área plantada de 3,6 por cento para o país ante 2013/14, para um recorde de 9,13 milhões de hectares.

“O crescimento de áreas nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, onde concentra-se o maior número de unidades novas..., sustentou este aumento de 12,87 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para processamento”, disse a Conab em nota.

Para o centro-sul, onde a moagem de cana começou oficialmente neste mês, o primeiro levantamento da Conab estimou a produção de açúcar em 35,9 milhões de toneladas, ante 34,4 milhões em 13/14.

O levantamento realizado entre 9 e 22 de março apontou ainda que a produção total de etanol do centro-sul em 14/15 em 26,3 bilhões de litros, ante 26 bilhões em 13/14, segundo a Conab.

A produção de açúcar do Brasil, incluindo Nordeste, foi apontada também em históricos 39,45 milhões de toneladas, e a de etanol do país foi vista em 28,37 bilhões de litros.

Para Borges, da Job Economia, a Conab normalmente tem um “viés otimista” e é “muito normal” que as estimativas fiquem acima do realizado, principalmente na primeira previsão de safra, como é o caso.

À medida que a safra de desenvolver, com o progresso da colheita, os números possivelmente serão ajustados à realidade.

O contrato maio do açúcar bruto negociado em Nova York, referência internacional, era negociado a cerca de 17,1 centavos de dólar por libra-peso, praticamente estável ante o fechamento de quarta-feira, por volta das 14h00 (horário de Brasília).

PERDAS NOS GRANDES PRODUTORES

Apesar do tom otimista, a Conab já identificou perdas expressivas na safra de São Paulo, que produz mais da metade da cana do Brasil, e em Minas Gerais, terceiro produtor nacional.

As adversidades climáticas resultarão em uma queda na produção de cana de São Paulo (maior produtor brasileiro) de 1,5 por cento, para 367,2 milhões de toneladas, na comparação anual. A produtividade por hectare no Estado deverá atingir 78,2 toneladas/hectare, contra 81,9 toneladas em 13/14.

O Estado foi severamente afetado por uma seca histórica e altas temperaturas nos primeiros meses do ano.

Minas Gerais, que também sofreu os efeitos do clima, terá produtividade média de 74,9 toneladas, contra 77,9 toneladas na safra anterior. A produção mineira deverá somar 59,13 milhões de toneladas (-2,7 por cento).

Goiás, o segundo produtor nacional, deverá registrar um aumento de 7 por cento na safra, para 66,4 milhões de toneladas de cana.

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