12 de Abril de 2014 / às 13:42 / em 4 anos

Ucrânia prepara resposta armada após cidade ser tomada por forças pró-Rússia

Por Pavel Polityuk e Thomas Grove

KIEV, 12 Abr (Reuters) - Separatistas armados praticamente tomaram controle de uma cidade no leste da Ucrânia neste sábado e Kiev preparou tropas para lidar com o que chamou de “um ato de agressão da Rússia”.

Ativistas pró-Rússia carregando armas automáticas tomaram prédios do governo em Slaviansk e levantaram barricadas nos arredores da cidade. Prédios oficiais em diversas cidades vizinhas também foram atacados.

Os acontecimentos elevaram preocupações sobre uma possível “guerra do gás”, que pode interromper o fornecimento de energia no continente.

“As autoridades ucranianas consideram os eventos uma demonstração de agressão externa por parte da Rússia”, disse o ministro do Interior, Arsen Avakov, em comunicado.

“Unidades dos ministérios do Interior e Defesa estão implementando um plano de resposta operacional”, acrescentou.

A Rússia e a Ucrânia estão inseridas em uma tensa disputa depois que protestos em Kiev derrubaram o presidente pró-Kremlim Viktor Yanukovich. Logo depois, os russos enviaram suas tropas para anexar a Crimeia, que era parte da Rússia até 1954.

Moscou nega quaisquer planos de enviar forças para o país ou dividir a Ucrânia, mas autoridades de Kiev favoráveis à integração com o ocidente acreditam que a Rússia está tentando criar um pretexto para uma nova intervenção.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmou que forças armadas russas estão se concentrando na fronteira leste da Ucrânia, enquanto Moscou disse que se tratam de movimentações rotineiras.

Ao menos 20 homens armados com pistolas e rifles tomaram a estação de polícia e a sede de serviços de segurança em Slaviansk, cidade com mais de 100 mil habitantes a cerca de 150 quilômetros da fronteira com a Rússia.

Funcionários afirmaram que os homens coletaram centenas de pistolas de arsenais nos prédios. Os militantes substituíram a bandeira ucraniana em um dos prédios pela bandeira vermelha, branca e azul da Rússia.

Washington ecoou a avaliação de Kiev de que Moscou é responsável pelos acontecimentos. “Violência preocupante na Ucrânia hoje. A Rússia parece estar por trás disso novamente”, disse a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Jen Psaki no Twitter.

BLOQUEIOS DE ESTRADAS

Em uma estrada que conduz Slaviansk, outros membros do grupo, armados com rifles automáticos, criaram um obstáculo à passagem e passaram a verificar os veículos que entram na cidade, disse um repórter da Reuters.

Não havia nenhum sinal de policiais ucranianos na cidade.

O governo atual da Ucrânia, apoiado pelo Ocidente, advertiu para uma reação dura se militantes não depuserem as armas, mas não ficou claro se as agências locais ainda estavam recebendo ordens de Kiev após o chefe da polícia local deixar o cargo.

Kostyantyn Pozhydayev saiu para falar com manifestantes pró-Rússia em seus escritórios na capital regional, Donetsk, e lhes disse que estava saindo do cargo “de acordo com suas demandas.” Alguns de seus funcionários deixaram o prédio.

Os manifestantes ocuparam o andar térreo da sede da polícia de Donetsk e uma bandeira preta e laranja adotada por separatistas pró-Rússia sobrevoava o prédio no lugar da bandeira ucraniana.

As ocupações são um potencial problema, porque se os manifestantes forem mortos ou feridos por forças ucranianas, o Kremlin poderia intervir para proteger a população de língua russa local, uma repetição do cenário ocorrido na Crimeia.

Oleksandr Turchynov, presidente em exercício da Ucrânia, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para sábado à noite para discutir a instabilidade no leste.

“GUERRA DO PETRÓLEO”

Enquanto a crise na Ucrânia ainda não está resolvida, a disputa pelo gás ameaça afetar milhões de pessoas em toda a Europa.

Grande parte do gás natural que a União Europeia compra da Rússia passa pelo território ucraniano. Portanto, se os russos cortarem o fornecimento à Ucrânia por inadimplência, vários clientes europeus ficariam sem esse gás.

Por Conor Humphries em Kiev, Alexei Anishchuk, Alessandra Prentice e Vladimir Soldatkin em Moscou, William Schomberg em Londres, Annika Breidthardt em Berlim, Lina Kushch em Donetsk e Gleb Garanich em Slaviansk

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