29 de Abril de 2014 / às 19:28 / em 4 anos

Empréstimo para ajudar distribuidoras de energia deve cobrir gastos até abril

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 29 Abr (Reuters) - O empréstimo de 11,2 bilhões de reais fechado pela CCEE com bancos para ajudar as distribuidoras a arcarem com o custo mais elevado da energia no curto prazo deverá ser suficiente para cobrir esses gastos apenas até abril, colocando mais pressão para que o leilão de energia A-0 de quarta-feira seja bem sucedido.

Cerca de 4,7 bilhões de reais, ou 42 por cento do total captado, foram utilizados para cobrir os gastos das distribuidoras de fevereiro, conforme resultado da liquidação das operações finalizada da nesta terça-feira.

A necessidade total de aporte das distribuidoras para cobrir os gastos de março e abril ainda não está fechado, já que a liquidação das operações só ocorrerá em maio e junho, mas a programação de desembolsos dá uma sinalização de que os recursos não duram até o fim do ano.

“Estão programados mais dois desembolsos, de 3,4 bilhões e 3,1 bilhões de reais, para maio e junho, respectivamente”, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que explicou, por meio da assessoria de imprensa, que o contrato com os bancos previa a liberação em três tranches.

O empréstimo faz parte de um pacote de ajuda montado pelo governo federal para socorrer as distribuidoras, que inclui também repasses do Tesouro Nacional e o leilão de energia existente marcado para quarta-feira.

Mesmo que os gastos das distribuidoras caia em março e abril como esperado por conta da redução do consumo, como o preço da energia de curto prazo dado pelo Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) não sofreu grandes alterações no período, o rombo deve continuar grande.

PRESSÃO SOBRE O LEILÃO

Diante da previsão de que os recursos irão cobrir os custos das distribuidoras até as operações de abril, a importância do sucesso do leilão de quarta-feira aumenta.Isso porque quanto mais as distribuidoras contratarem, menor será a necessidade de aporte de recursos para ajudá-las ao longo do ano.

“Em tese, o governo vai ter uma parte da descontratação que vai ser suprida no leilão e depois vai ter que refazer a conta com o que faltou para contratar, e fazer um novo empréstimo ou um novo arcabouço”, disse diretor-executivo da Safira Energia, Mikio Kawai Jr.

As distribuidoras estão descontratadas em mais de 3,3 gigawatts (GW) médios, e os preços da energia no curto prazo estão no teto de 822 reais por MWh nos principais submercados de energia do país. A alta dos preços se deve ao acionamento das usinas termelétricas para compensar o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas.

Nem o governo e tampouco o setor elétrico acreditam que as distribuidoras consigam contratar no leilão toda a energia que estão precisando, já que muitos vendedores de energia preferem continuar lucrando com os altíssimos preços praticados no curto prazo.

Se o leilão conseguir cobrir entre 40 e 60 por cento das necessidades, as distribuidoras ainda terão que arcar com gastos superiores a 8 bilhões de reais no ano, num cálculo que considera um preço de energia de curto prazo dado pelo PLD no teto. Os cálculos são da Reuters e foram confirmados com consultorias de mercado.

Os preços-teto para o leilão foram fixados em 262 reais por megawatt-hora (MWh) para a energia térmica e em 271 reais por MWh para outras fontes, como hidrelétricas. Haverá um único período de fornecimento para cada produto, com entrega prevista para começar em 1o de maio deste ano e terminar em 31 de dezembro de 2019.

Empresas do grupo Eletrobras e a Petrobras são apontadas como algumas das principais possíveis ofertantes, mas empresas privadas, como a Tractebel, também avaliam participar do leilão.

LIQUIDAÇÃO DE FEVEREIRO

A liquidação financeira das operações no mercado de energia de elétrica de curto prazo em fevereiro teve 99,3 por cento de adimplência, sendo que 5,78 bilhões de reais foram liquidados, segundo informações CCEE nesta terça-feira.

A liquidação estava agendada originalmente para 9 e 10 de abril, mas foi postergada para 28 e 29 de abril à espera da captação do financiamento com bancos.

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