2 de Maio de 2014 / às 19:48 / 3 anos atrás

ENTREVISTA-ANP recomendará novo leilão no pré-sal somente em 2016

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 2 Mai (Reuters) - A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) recomendará ao governo federal que um novo leilão de área petrolífera no pré-sal brasileiro só ocorra no segundo semestre de 2016, e que uma licitação de blocos tradicionais, no pós-sal, seja feita somente em 2015.

A informação é da diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, que considera que é preciso dar ao mercado um tempo após três leilões no ano passado, que incluíram a mega reserva de Libra, no pré-sal.

Ela argumenta que a indústria de equipamentos para o setor, especialmente, precisa de uma pausa nas licitações para conseguir atender demandas da exploração de áreas que estão em desenvolvimento.

“Já será difícil atender essa demanda toda e imagina se colocamos mais um leilão de pré-sal na praça?”, indagou Magda à Reuters. “Acho que a recomendação é fazer um outro (no pré-sal)mais para o fim de 2016”, acrescentou.

A necessidade de dar tempo para que fornecedores se preparem para atender a forte demanda dos próximos anos é também o motivo da recomendação para que não seja realizada outra rodada este ano dentro do modelo de concessão no pós-sal.

Magda disse que a recomendação da ANP será feita em breve ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deverá decidir sobre o assunto. Ela não detalhou uma data.

“A nossa recomendação é para isso. Fazer no ano que vem fora do pré-sal e outra de pré-sal só no fim de 2016. Essa é a nossa posição, mas não significa que o CNPE não possa ter outra opinião.”

Como exemplo da grande demanda que a indústria de equipamentos terá, a diretora-geral da ANP citou cálculos que apontam que a capacidade de produção somente em sete áreas --algumas já em operação, como Lula e Sapinhoá-- é de mais de 750 milhões de barris de petróleo ao longo da vida útil dos campos. Esse volume demandaria ao menos 40 novas plataformas nos próximos anos.

No ano passado, o governo federal realizou três rodadas depois de um período de cinco anos sem licitações, incluindo a área de Libra, com volumes recuperáveis estimados pela ANP entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris.

Além de reserva de Libra, considerada a maior do Brasil, a ANP realizou uma rodada tradicional com áreas em novas fronteiras e bacias marítimas maduras e um certame focado em gás, buscando desenvolver a exploração de gás não convencional.

“Temos que dar uma parada para olhar, analisar, estudar e ver também a capacidade de resposta da indústria”, afirmou Magda, destacando que a rodada de novembro de 2013 deveria ter sido realizada em 2014, mas foi antecipada.

“Então, pra nós, a rodada de 2014 foi realizada no fim do ano passado”, ressaltou.

A realização de uma rodada no ano que vem fora da região do pré-sal é considerada como uma possibilidade razoável.

Recentemente, o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Almeida, declarou que um novo certame este ano seria difícil, mas que uma nova rodada aconteceria no ano que vem.

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