12 de Maio de 2014 / às 12:23 / 4 anos atrás

Suzano tem forte avanço no lucro; foca em reduzir endividamento

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 12 Mai (Reuters) - A fabricante de papel e celulose Suzano teve um forte aumento no lucro líquido no primeiro trimestre, sobre um ano antes, favorecida por vendas e preços maiores e também por variação cambial e reversão de resultado financeiro para positivo no período.

A empresa, que deu início às operações de sua fábrica de celulose no Maranhão no fim do ano passado, voltou a afirmar que seu foco neste ano é na redução do endividamento, tendo já registrado um recuo que considerou significativo neste início de ano.

“(Demos) início e de forma bastante rápida ao processo de desalavancagem da empresa. Tivemos em dezembro do ano passado (uma relação de) 5,2 vezes a dívida líquida pelo Ebitda, e já caiu para 4,8 vezes. Isso é decorrente de aumento do Ebitda”, afirmou o presidente da empresa, Walter Schalka, em teleconferência com analistas.

A dívida líquida da empresa, porém, subiu 1,9 por cento entre dezembro e março, mas segundo o executivo isso ocorreu devido a investimentos na fábrica em Maranhão que seriam feitos em 2013 mas foram postergados para este ano. “Esse número cai no segundo trimestre”, disse.

Sobre a nova unidade, a empresa manteve as expectativas de produzir entre 1 milhão e 1,1 milhão de toneladas de celulose neste ano, mas informou que haverá uma parada para manutenção já em setembro.

“É uma parada obrigatória porque a caldeira estará rodando já a quase um ano”, afirmou o diretor executivo de operações, Ernesto Pousada Jr., acrescentando que o investimento será pequeno já que a maior parte da fábrica não passará por essa manutenção.

Entre janeiro e março, a Suzano teve lucro líquido de 201 milhões de reais, quase cinco vezes superior aos 42 milhões de reais registrados em igual período do ano passado.

A empresa teve ganho de 191,6 milhões de reais com variação cambial no período, mais de quatro vezes acima do primeiro trimestre de 2013, enquanto o resultado financeiro passou a 50,2 milhões de reais, ante valor negativo de 80,2 milhões de reais um ano antes.

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou a 499 milhões de reais, alta de 52,6 por cento na comparação anual.

Segundo a empresa, o aumento do preço em reais do papel e da celulose, assim como o maior volume vendido dos produtos beneficiou o Ebitda no período, compensando o aumento nos custos com madeira e energia.

No primeiro trimestre, o volume vendido de papel e celulose subiu 6,1 por cento sobre um ano antes, enquanto o preço médio teve alta de 12 por cento.

A receita líquida da Suzano totalizou 1,4 bilhão de reais, alta de 19,2 por cento sobre igual período de 2013.

Os resultados foram bem recebidos pelo mercado, com a ação da Suzano disparando 5,26 por cento, a 7,61 reais, às 13h03, enquanto o Ibovespa subia 1,47 por cento.

“Os resultados positivos devem dar suporte para as ações hoje, ajudando a reverter parcialmente a recente baixa performance”, afirmaram analistas do Citi, liderados por Juan G Tavarez, em relatório.

Eles atribuem os bons resultados à unidade de Maranhão, aos preços de papel e controle de custos.

CENÁRIO DE PAPEL E CELULOSE

A Suzano também manteve sua visão para o mercado de celulose mundial neste ano, afirmando que o atraso na entrada em operação de fábricas de outras empresas tem mantido a oferta do insumo apertada.

“A oferta vem sendo pouco impactada por novas capacidades porque duas plantas, uma na Ásia e outra na América do Sul, atrasaram a entrada e a oferta vem crescendo em velocidade menor”, afirmou Schalka, em teleconferência com a imprensa.

“Na demanda, nós vemos crescimento tanto na América do Norte, quanto Europa e Ásia”, acrescentou.

Ainda assim, o cenário de preços de celulose permanece de estabilidade, à medida que compradores exercem pressão sobre os valores, diante da expectativa de novas capacidades, o que para a empresa é infundando.

“Fica difícil entender a pressão por queda de preços, visto que não existe razão à medida que estamos vendo equilíbrio entre oferta e procura. É muito mais psicológico”, ressaltou o executivo.

Já para o segmento de papel, Carlos Aníbal de Almeida Jr., diretor de negócios de papel e celulose, afirmou que a empresa conseguiu repassar o aumento de preços anunciado no fim de 2013, mas não vê novos ajustes no segundo trimestre.

“Não temos nenhum aumento para ser anunciado ao longo do segundo trimestre, e eventualmente podemos ter algum resíduo do primeiro trimestre (sendo repassado no segundo trimestre)”, disse ele a analistas.

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